Balanço 2020: Desafios, aprendizados e perspectivas para o próximo ano

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O que esperar de 2021? Qual será o impacto da vacina e em quanto tempo deveremos experimentar essas mudanças? Poderemos contar com novas medidas governamentais de incentivo à produção e ao consumo? Muitas perguntas ainda permanecem sem respostas, é verdade. Mas após um período de grandes aprendizados, é finalmente chegado o momento de olhar para trás e observar de que maneira a pandemia mudou ao mindset do setor moveleiro em 2020, criando-se novas perspectivas e horizontes para o próximo ano.

“Este foi o ano do desajuste. Um período atípico e diferente do que vimos nas últimas décadas. Um ano que evidenciou que a velocidade de resposta é tão importante quanto qualquer planejamento, uma vez que não há como fazer previsões.” Pensamento compartilhado por Marcelo Ariotti, diretor-presidente da Telasul, sintetiza muito bem os desafios e lições deste ano que se encerra.

2020: O ano da retomada histórica

“A avaliação e projeção dos indicadores [que na conjuntura interna vêm se mantendo positivos por todo o segundo semestre, compensando as quedas drásticas dos primeiros meses de pandemia] estimam uma queda de 6,5% no número de peças comercializadas no acumulado de 2020. Contra uma redução de 9,45% na produção industrial. As exportações, por outro lado, devem ter uma queda de 22,6% em relação a 2019”, pontua a presidente da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), Maristela Cusin Longhi.

A recuperação da produção de móveis, de janeiro a outubro de 2020, no entanto, foi cerca de cinco vezes maior que a registrada pela indústria em geral — respectivamente 16,4% contra 3,3%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). E, claro, isso foi extremamente motivador para uma categoria que estava perdendo força nos últimos anos. O desafio agora, porém, é manter este patamar em 2021, especialmente no que diz respeito ao consumo.

 

Mudanças no comportamento de consumo: A casa como prioridade

Anastasiia Chepinska – Unsplash

O fato é que o mundo continua passando por momentos adversos e difíceis. A pandemia mudou nosso comportamento, mexeu com nossas famílias, hábitos, vida profissional, entre tantos outros pontos… Em muitos aspectos, de maneira definitiva. “Nesse cenário, o móvel foi uma das categorias beneficiadas pelo isolamento social, já que a valorização do lar e do trabalho em home office trouxe uma nova dinâmica para as famílias”, aponta Paulo de Freitas Filho, diretor comercial da Eucatex.

Diretor geral da Renner Sayerlack, Marcelo Cenacchi complementa: “Reformar a casa, pintar, redecorar… Essas foram as opções de muitas famílias. Há ainda de se levar em consideração o fato de que muitas despesas comuns antes da pandemia foram eliminadas e isto proporcionou aos consumidores dedicarem mais receitas na melhoria de suas moradias.”

Mas seria esse um dos hábitos definitivos gerados pela crise do Coronavírus?

Camila Bartalena, gerente de marketing e produto da REHAU, acredita que sim. “O ano será concluído muito acima do budget projetado e com muitos pedidos em carteira devido ao aquecimento do setor. O cenário para 2021 ainda é incerto, mas as perspectivas são positivas e a expectativa é de um crescimento significativo. Considerando, para tal, que o estilo de vida dos consumidores mudou definitivamente com a pandemia’, ressalta.

“Difícil prever como será 2021, uma vez que 2020 foi uma verdadeira montanha-russa. Entretanto, as perspectivas são excelentes. Precisamos confiar no País”, reforça Marcelo Ariotti, da Telasul. “A dúvida paira sobre qual será o nível de demanda de mercado pós Auxílio Emergencial e com os novos preços de ponta [devido ao aumento no preço dos insumos, como trouxemos aqui em nosso artigo de ontem]. Mas nós estaremos preparados. Não temos como prever o que acontecerá, mas temos como prever qual será nossa reação.”

Dessa forma, embora seja sabido que a injeção do Auxílio Emergencial na economia brasileira tenha sido um dos fatores de maior impulsionamento das compras em 2020, empresas do setor moveleiro — de fornecedores aos industriais — seguem confiantes na manutenção do ritmo produtivo e comercial durante o próximo ano.

Setor Moveleiro: Perspectivas 2021

Uma provável continuação da demanda aquecida também no setor de construção civil que, como ocorreu em 2020, deverá continuar a ser beneficiado por um patamar de juros baixos, também colabora com as perspectivas do setor moveleiro. “Considerando esse cenário, nossas pesquisas anuais apontam que mais de 50% das famílias que reformam seus imóveis também decoram e compram móveis. Portanto, devemos continuar com esses comportamentos de vendas favoráveis”, pontua o diretor comercial da Eucatex, Paulo de Freitas Filho.

“Acreditamos que as pessoas continuarão a buscar a segurança em seus lares e, com isso, investir no bem-estar. Se antes percebemos um movimento para a reforma e pintura, bem como a aquisição de móveis e equipamentos para adaptar o home office, a sequência desse comportamento pode ser a renovação de outros ambientes. Com isso, temos um mar de oportunidades no setor”, compartilha Marcelo Cenacchi, da Renner Sayerlack.

Com um primeiro semestre bastante negativo e um segundo semestre considerado excelente, a Anjos Colchões também mantém uma perspectiva muito boa para 2021. Focando-se, então, em manter a produção e o faturamento atual durante o próximo ano.

Novos hábitos, novas oportunidades

De fato, há boas oportunidades para as indústrias que entenderem a nova lógica do morar. Tais como design com novos atributos, móvel funcional e a ampliação das estratégias do canal de e-commerce.  “A economia de distanciamento e a ascensão dos meios digitais contribuíram para a compra de móveis mesmo à distância. O que não era uma prática. O varejo foi obrigado a se reinventar e evoluir de um dia para o outro, mas não pode parar. Pelo contrário, deve cada vez mais oferecer modelos de negócios multicanal, estar próximo de seus clientes e conseguir proporcionar uma experiência de venda positiva, mesmo de forma on-line”, é assertiva Camila Bartalena, da REHAU.

E, claro, o mesmo se aplica para a indústria, que deve continuar se adaptando para minimizar os impactos da escassez de matéria-prima e falta de estoque, que vem gerando aumento nos preços e longos prazos de entrega.

Indicadores e perspectivas para o próximo ano

Essa busca por soluções, por fim, deverá impulsionar, portanto, o setor moveleiro em 2021. “Creio que teremos um ano particularmente bom para a cadeia produtiva de madeira e móveis, com a normalização no fornecimento de insumos e retomada da economia”, opina Maristela, presidente da Abimóvel. Estimativas divulgadas pela instituição apontam um crescimento de 8,9% na indústria e 3,5% (em volume) no varejo no próximo ano. Já as exportações deverão crescer 6,3%, acompanhando a previsão de retomada do PIB (Produto Interno Bruto).

E você, quais suas apostas e perspectivas? De que maneira podemos fazer, juntos, um 2021 melhor? Conte conosco!

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