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Balanço 2022 no varejo de móveis e colchões: queda nas vendas frente a 2021 e aumento na comparação com o pré-pandemia

Balanço 2022 no varejo de móveis e colchões - Plataforma Setor Moveleiro

Nós já trouxemos aqui na Plataforma Setor Moveleiro um balanço da indústria de móveis e colchões em 2022, que, em volume produzido, parece ter experimentado uma queda de 12,4% na comparação com 2021, de acordo com estimativas levantadas pelo IEMI – Inteligência de Mercado — leia o artigo completo clicando aqui . Mas como foi o ano que passou para o varejo no setor?

Imprescindível pontuar que se a produção não vai bem, isso é normalmente um reflexo do comportamento do consumidor na ponta. Com o varejo de móveis e colchões no Brasil vivendo uma demanda reprimida após um período agitado na área. 

Em 2021, o comércio de móveis e colchões cresceu 11,7% em receita nominal frente ao resultado de 2020. O número corresponde a um montante de R$ 105,6 bilhões (sell out). 

O aumento no número de peças comercializadas, contudo, foi mais moderado: +1,2% (415,1 milhões de peças). Ressalta-se, todavia, que tal crescimento acompanha o salto das vendas no ano de 2020, quando o setor moveleiro viveu um superaquecimento em razão do isolamento social e da necessidade de adequação dos lares para o momento, contribuindo para um salto de 7,9% no volume de vendas no varejo de móveis e colchões em relação a 2019. 

Inflação no varejo de móveis e colchões

Incertezas em relação ao futuro, polarização política, mudança de governo, desemprego, inflação alta, juros altos, dificuldade no acesso ao crédito, desvalorização cambial e uma queda brusca no poder de compra (o pior dos últimos cinco anos), afastaram, porém, o consumidor brasileiro das lojas em 2022. 

Fator que se intensifica no setor moveleiro, que, além de uma demanda amplamente atendida nos últimos anos e um cenário de menos estímulo ao consumo de móveis com o retorno às atividades presenciais, lida também com preços altos devido a uma carga inflacionária mais elevada do que em outros setores

Para comparação: enquanto o varejo geral acumulava uma alta de 5,13% entre janeiro e novembro de 2022, segundo o IPCA (Índice de preços ao Consumidor Amplo); o aumento nos preços do mobiliário chegou a 16,56% no mesmo período (um pouco abaixo do acumulado até outubro, que era de 17,05%). 

Balanço 2022: varejo de móveis e colchões

Encarando tal panorama, o volume de vendas no varejo de móveis e colchões no acumulado entre janeiro e outubro de 2022 foi 11,4% inferior ao montante comercializado em igual período no ano anterior. 

Para o fechamento de 2022, janeiro a dezembro, portanto, a tendência de retração é mantida pelos especialistas do IEMI, que projetam uma queda de 6,5% no volume de peças comercializadas ao longo do ano frente ao desempenho de 2021

Mesmo com a projeção negativa, o desempenho é melhor do que em 2019 (380 milhões de peças comercializadas), quando o mercado (e o mundo) operava em condições mais regulares ou normais, por assim dizer. Com o fechamento do volume de vendas do setor moveleiro no varejo em 2022, então, devendo ficar 2,1% acima do observado no último ano pré-pandemia (2019)

Ou seja, sob tal perspectiva é possível interpretarmos o desempenho do setor no varejo durante o ano passado como uma restabilização do consumo de móveis e colchões no País. 

Receita no varejo

Em valores, no acumulado de janeiro a outubro de 2022, o comércio varejista no setor, em contrapartida, apresentou crescimento de 2,3% sobre o mesmo período em 2021. Para o fechamento do ano, janeiro a dezembro, a expectativa é que a alta se mantenha: +3,5%, segundo o IEMI. Devendo bater, então, R$ 109,3 bilhões em receita. 

Observa-se, porém, que os picos de receita durante o ano passado, relacionam-se, sobretudo, com a evolução dos preços devido a inflação gerada por toda a cadeia moveleira. Daí a discrepância entre volume e faturamento.

Receita - Balanço 2022 no varejo de móveis e colchões- Plataforma Setor Moveleiro
Em faturamento

Projeções 2023 no varejo moveleiro

Para o ano de 2023, a projeção é de um crescimento moderado, mas bem-vindo. Estimativas do IEMI apontam para a comercialização de cerca de 417 milhões de peças de mobiliário no varejo nacional durante este ano. O que deverá gerar receita de aproximadamente R$ 124,1 bilhões no varejo de móveis e colchões. 

As expectativas mais animadoras se dão a partir de 2024, como podemos ver no gráfico abaixo. Tudo, ressalta-se, a depender do cenário econômico interno e externo. Mais especificamente do controle inflacionário na cadeia produtiva de móveis e colchões, o que se relaciona também a questões como a Guerra na Ucrânia, a retomada do consumo na China, entre muitas outras situações que impactam diretamente nos preços das commodities internacionais.

De toda forma, no cenário atual o panorama observado para o varejo de móveis e colchões a partir deste ano é positivo. O que deverá também favorecer a indústria do setor, que acumula, ainda, expectativa de reaquecimento das exportações, que esfriaram em 2022. Nós continuaremos com o radar em alerta para novas movimentações no mercado brasileiro e global. 

Projeções 2023 - Varejo de Móveis e Colchões - Plataforma Setor Moveleiro

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