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Casa inclusiva e acolhedora: o papel do mobiliário no bem-estar

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A pandemia e o trabalho remoto, que para muitos significou mais horas ativas e a necessidade de combinar as mais diferentes atividades e responsabilidades de uma só vez e em um mesmo lugar, nossas casas, reforçou a necessidade de enxergar o descanso sob uma ótica mais intencional. E, por consequência, os objetos que dão vida e função à casa, como os móveis, também. Qual o papel do mobiliário para uma casa inclusiva e acolhedora?

Foi sobre isso que falamos no nosso último conteúdo da série “Home Lifestyles 2025” — Descanso e bem-estar como definidores de tendências para móveis” , baseado no relatório homônimo da WGSN, que trata de tendências para o morar que deverão se consolidar até 2025 e as oportunidades na criação de produtos para atender a essas necessidades em ascensão. 

Então, quais as inovações em potencial quando falamos em desenvolvimentos e adequações de produtos, soluções e serviços na indústria de móveis ou áreas correlatas?

Oportunidades de produto para uma casa inclusiva e acolhedora

Casa que cura

Para muitos, a pandemia e seus desdobramentos tornaram os espaços públicos menos seguros que antes. Como resultado, a casa se transformou em um santuário de autocuidado. Isso vai continuar em meio às incertezas econômicas dos próximos anos, à medida que o consumidor segue em busca de momentos acessíveis de prazer e tranquilidade em casa em meio a uma rotina muitas vezes exaustiva. 

No último gráfico de tendência produzido pela WGSN sobre a cultura do cuidado e do bem-estar na decoração de interiores, os especialistas do instituto analisaram o que os influencers das redes sociais estavam falando sobre o assunto. O banheiro ficou em primeiro lugar (19% disseram que

esse cômodo da casa se relaciona com o bem-estar). Seguido, então, pelo jardim (11%), a cama (9%) e a cozinha (7%). 

Esses indicadores confirmam que há oportunidades em toda a casa para produtos de cura e bem-estar. Desde alimentos que reduzam a ansiedade, passando pelo mobiliário que proporcione descanso e acolhimento até rituais de banho. 

De acordo com a Fortune Business Insights, o mercado global de produtos para o banho (como sabonetes e cremes para o corpo), por exemplo, vai saltar dos US$ 43,22 bilhões em 2020 para os US$ 63,16 bilhões em 2028. E o que a indústria de móveis tem a ver com isso? A projeção indica que há grandes oportunidades de investimentos e inovação para o setor nos ambientes de banheiro & spa, que já não se resumem mais a um simples gabinete. 

No segmento de decoração de interiores, vale a pena conferir o tema #BathScaping, que promove banheiras e acessórios como baldes, travesseiros à prova d’água e suportes para banho. Seja para banheiros em ambientes internos ou externos, os materiais naturais serão obrigatórios. Acabamentos de pedra macia ou porcelana e madeira (principalmente cedro, acácia e compensado) dão um toque confortável ao espaço. Texturas, padrões, bem como cores orgânicas e relaxantes, deverão ser os mais buscados nesse sentido. 

Potenciais inovações

Luzes subaquáticas

Alto-falantes à prova d’água

Chuveiros que ajudam a criar experiências

Sabonetes esculpidos

Produtos com CBD na composição

Materiais naturais ou que proporcionem a sensação orgânica de textura, padrões e cores

Casa biofílica

As plantas nos tornam mais felizes? Diversas pesquisas dizem que sim. Uma análise de 50 estudos de todo o mundo concluiu que passar apenas 20 minutos em um ambiente interno cheio de plantas pode resultar em pensamentos mais positivos. Outro estudo feito na Bulgária apontou que crianças que ficaram próximas de plantas durante a quarentena da Covid-19 mantiveram uma saúde mental melhor. 

Esse interesse pela biofilia (o instinto humano inato de se conectar à natureza) foi acelerado pela pandemia. Quando as pessoas recorreram às plantas para lidar com o estresse. Nos Estados Unidos, os parques nacionais atraíram um número recorde de visitantes no verão de 2021. Enquanto no Reino Unido, o mercado on-line de itens de jardinagem deve crescer 31,5% entre 2020 e 2025, de acordo com uma pesquisa da consultoria imobiliária Savills. 

A natureza e as plantas vão continuar sendo um jeito acessível de cuidar das emoções nos próximos anos. Esse cenário deve abrir espaço para novas oportunidades em diversos segmentos, como árvores para ambientes internos, kits para o cultivo de ervas, apps e aparelhos eletrônicos que auxiliam no cuidado das plantas residenciais e, claro, móveis que atendam a tudo isso. 

Mais uma vez, é preciso ressaltar, os materiais naturais e as cores orgânicas ajudam, sem dúvida, a delinear a tendência. 

Potenciais inovações

Fachadas vivas

Móveis com floreiras integradas

Kits de cultivo plug-and-play

Jardins inteligentes

Jardins modulares e empilháveis

Casa sensorial

A WGSN tem acompanhado a ascensão de produtos e experiências que despertam os sentidos (velas aromatizadas e slimes por exemplo, estão em alta),e, nos próximos anos, acreditam, essa tendência terá um viés ainda mais personalizado e inusitado. Deverá produtos que poderão ser combinados com playlists ou que vão explorar recursos de ASMR (usando estímulos como sons que criam uma sensação de formigamento). Além de parcerias entre segmentos diferentes – marcas de decoração lançando produtos de beleza ou marcas de roupas se unindo a empresas do setor de alimentação para criar coleções licenciadas.

O design sensorial terá um papel mais intencional no desenvolvimento de novos produtos. Sejam objetos criados para cumprir funções específicas, como luminárias que substituem a luz do sol nos meses de inverno; ou banhos sonoros virtuais, que ajudam a oxigenar o cérebro nas manhãs. 

A psicologia das cores também terá um papel-chave, por meio de tonalidades escolhidas não só pelo visual, mas por como elas despertam nossos sentidos – laranjas cheios de energia, tons pastel que acalmam ou verdes que ajudam a mente a focar.

O consumidor está começando a explorar o modo como os aromatizadores ajudam a distinguir as diversas partes da casa — e mesmo os períodos do dia. Nos próximos anos, marcas inovadoras provavelmente focarão na experiência de nossos lares, como ao chegar em casa à noite ou abrir o armário pela manhã.

 A francesa Carrière Frères oferece tabletes aromáticos de cera para gavetas e guarda-roupas. Já a holandesa Moooi – com uma proposta mais futurista – apresentou na Semana de Design de Milão

de 2022, o Piro, um difusor aromático robô que mistura luzes, sons e aromas para criar uma experiência única.

A cromoterapia também ganha espaço no banheiro por meio de produtos e aparelhos feitos para oferecer experiências imersivas. A espanhola Noken criou um chuveiro com 16 opções de luzes de LED coloridas, que podem ser customizadas de acordo com o estado de espírito da pessoa. Nos EUA, a Sunlighten utiliza uma tecnologia infravermelho patenteada em suas saunas que atende objetivos específicos do usuário, do detox à recuperação muscular e ao combate à insônia.

Potenciais inovações

Difusores robóticos de aromas em armários

Pedras de difusão

Saunas de cromoterapia

Ferramentas sensoriais de beleza facial

Produtos com recursos de ASMR para o banho

Casa inclusiva

Quando o design é inclusivo, todos se beneficiam, e, nos últimos anos, diversas marcas reconheceram isso ao desenvolver seus produtos. A questão, portanto, vem influenciando como e para quem os objetos são criados. Dessa forma, à medida que nos aproximamos de 2025, essa tendência estará mais incorporada aos modelos de negócio e às expectativas do público.

Na casa, isso será particularmente relevante para os consumidores que estão envelhecendo, neurodivergentes ou que têm necessidades especiais. A Organização Mundial da Saúde prevê que o número global de pessoas com pelos menos 60 anos vai mais do que dobrar – de 1 bilhão em 2020 para 2,1 bilhões em 2050. Enquanto pesquisas da ONG canadense Return on Disability estimam que pessoas com necessidades especiais, suas famílias e seus amigos têm uma renda acima dos US$ 13 trilhões. 

Por isso, será fundamental desenvolver produtos que possam ser usados por pessoas com deficiências cognitivas, sensoriais ou físicas. Sejam móveis, equipamentos fitness, aparelhos eletrônicos, utensílios de cozinha, embalagens, acessórios de beleza e qualquer item que possa ser usado na casa.

Na Semana de Design de Milão 2022, por exemplo, foram apresentados diversos produtos conceituais e já prontos para uso, todos voltados à inclusão. O estúdio holandês Kukka mostrou a sua linha de tapeçaria Chromarama, para pessoas daltônicas ou que não têm qualquer problema visual. De acordo com os designers da empresa, um em cada 12 homens e uma em cada 200 mulheres (cerca de 300 milhões de pessoas no mundo todo) têm algum tipo de dificuldade para enxergar as cores. 

A designer francesa Alexia Audrain apresentou sua cadeira OTO, feita para acolher pessoas com autismo em situações de sobrecarga sensorial. O móvel tem um formato confortável e superfícies infláveis, que podem ser ajustadas por controle remoto.

Potenciais inovações

Robôs que cuidam e acolhem

Aparelhos para mobilidade

Produtos para pessoas neurodivergentes

Talheres fáceis de manusear

Produtos com recursos de cromoterapia

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