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Cresce a intenção de compras entre famílias de alta renda

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Intenção de compras – Em 2022, projeções preliminares divulgadas pelo IEMI – Inteligência de Mercado apontam uma queda de 2,1% no volume de vendas de móveis e colchões no varejo brasileiro sobre 2021, quando o comércio varejista já havia sofrido recuo de 1,8% em relação a 2020 (+7,9%).

Projeção que, claro, pode mudar a depender dos ânimos e das dinâmicas do mercado, em um segundo semestre que será marcado por grandes eventos, como as Eleições Presidenciais no Brasil, Copa do Mundo de Futebol, além de outros fatores nacionais e internacionais que persistem, como a situação entre a Rússia e a Ucrânia.

Com tudo isso, a intenção de consumo no Brasil permanece, infelizmente, na zona de insatisfação no mês de agosto, mantendo-se abaixo do patamar de 100 pontos, em uma escala de 0 a 200 pontos.

A boa notícia, contudo — sendo o motivo pelo qual escrevemos este artigo hoje — é que os consumidores brasileiros estão aos poucos mais propensos às compras.O ICF, que mede a Intenção de Consumo das Famílias, subiu 1,1% em relação a julho, para 82,1 pontos. O que, embora ainda acanhado, é o maior patamar desde abril de 2020, quando estava em 95,6 pontos.

As informações são da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Perspectivas de consumo

Na passagem de julho para agosto, marcando o início do segundo semestre de 2022, o único componente do ICF com retração, na série com ajuste sazonal, foi o que avalia a Perspectiva Profissional, com queda de 0,3%, caindo para 100,8 pontos. Mas mantendo-se ainda um pouco acima da linha de satisfação.

Os demais componentes do ICF, porém, registraram expansão no período, mesmo aqueles que ainda permanecem no campo da insatisfação, como é o caso da renda, que afeta, sobretudo, as famílias de classes sociais mais baixas:

Renda Atual: alta de 1,9%, para 96,2 pontos 

Emprego Atual: alta de 0,9%, para 110,1 pontos

Acesso ao Crédito: alta de 1,3%, para 83,3 pontos

Nível de Consumo Atual: alta de 2,8%, para 65,1 pontos

Perspectiva de Consumo: alta de 0,8%, para 78,0 pontos

Momento para Compra de Bens Duráveis: alta de 1,2%, para 41,4 pontos

Intenção de compras

Com esses dados em mãos, de quais famílias estamos falando, então, quando dizemos que a intenção de consumo tem subido?

“O resultado para o mês de agosto foi fortemente baseado no consumo das famílias com rendimentos acima de dez salários mínimos. Para esse grupo, a intenção de compras subiu 3,3%. Já para o grupo de menor renda, o ICF apresentou variação de 0,4%, o que indica estabilidade”, explicou a CNC.

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Dito isso, um dos pontos cruciais nesse sentido é o fato das famílias mais ricas estarem se mostrando mais satisfeitas com o acesso ao crédito em agosto, com alta de 4,3% nesse quesito em relação a julho, indo para o patamar de 100,5 pontos.

Entre as famílias de renda mais baixa, a avaliação sobre o acesso ao crédito subiu apenas 0,4%, para 80 pontos, mostrando-se ainda um problema de alto impacto negativo no consumo e na produção brasileira, como apontamos aqui.

PEC dos Benefícios

“Apesar do aumento do auxílio para as famílias de menor renda, esses consumidores [de baixa renda] estão cautelosos, principalmente pela inflação em nível ainda elevado, alto endividamento e custo do crédito crescente”, justificou a economista Catarina Carneiro, responsável pela pesquisa da CNC.

Diante disso, apesar do início de uma movimentação por parte de economistas e especialistas de mercado que ensaiaram uma possível revisão positiva nas projeções do desempenho do varejo para este ano diante do aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, o mercado decidiu manter, ao menos por enquanto, as atuais estimativas.

Nesse ambiente, a área econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo confirmou, portanto, a manutenção da expectativa de alta de 2% nas vendas do varejo brasileiro geral em 2022, como prevista em julho, quando a entidade revisou para cima o resultado esperado para o setor no ano.

Isso, justamente por conta da injeção de R$ 16,3 bilhões em recursos para o consumo, com a aprovação em julho da PEC dos Benefícios. Os cálculos são da entidade. Segundo a CNC, o setor varejista deve ser beneficiado por 40% dos recursos da PEC, sendo o restante destinado ao pagamento de dívidas e serviços.

Para a XP Expert, toda a questão em torno da PEC tem sido um tanto controversa, pois, embora dê algum alívio aos consumidores, também traz riscos para o equilíbrio das Contas Públicas. Tais questões à parte, a entidade também acredita que o varejo deva ser um dos principais destinos de gastos das famílias de baixa renda beneficiadas pelo auxílio, mas que o efeito não deva ser material.

Em termos de segmentos, os alimentos devem ser os mais beneficiados, mas tal movimento, sem dúvida, deverá respingar nos mais diversos setores, incluindo o moveleiro. 

“Embora não vejamos um impacto material do benefício para as vendas do varejo [que ficaria entre 1% e 2%], vemos como um vento a favor para os resultados de curto prazo, especialmente para as varejistas de alimentos e categorias de tíquete médio mais baixo. Considerando que os consumidores devem reduzir seus níveis de endividamento e/ou proteger seu poder de compra. No entanto, os riscos fiscais de médio prazo, que aumentam com a potencial extensão dos benefícios até 2023, podem se traduzir em taxas de juros de longo prazo mais altas e, potencialmente, se tornarem um vento contrário ao desempenho das ações”, analisam os especialistas da XP.

Confiança do consumidor brasileiro

De todo modo, a nova edição do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), divulgada no último dia 25, revela que a confiança do consumidor cresceu 4,1 pontos na passagem de julho para agosto deste ano. Com essa que foi a terceira alta consecutiva, o indicador chegou a 83,6 pontos, também em uma escala de zero a 200 pontos.

A alta foi puxada pela melhor percepção dos consumidores em relação ao futuro. O Índice de Expectativas avançou 6 pontos e atingiu 92,6 pontos. Já o Índice da Situação Atual (ISA), que mede a confiança no presente, subiu 1,4 ponto e chegou a 71,7 pontos.

Entre os quesitos que compõem o ICC, o melhor desempenho foi observado pelo ímpeto para a compra de bens duráveis, que subiu 11,3 pontos.

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