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Cultura intraempreendedora é base da inovação e sobrevivência no mercado

Cultura intraempreendedora

A Plataforma Setor Moveleiro trouxe recentemente a repercussão de um artigo da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), sobre a importância de a liderança das empresas manterem a mentalidade de inovação. Para ter uma indústria efetivamente inovadora também é preciso incentivar os colaboradores dentro do processo. Por isso, esta matéria traz os insights do artigo do estrategista David Lancefield, para a mesma consultoria, para desenvolvimento do sentimento de dono dentro das indústrias. Entre os primeiros passos, destaca Lancefield, é preciso criar uma cultura intraempreendedora.

E isso não se faz, meramente, segundo ele, com a promoção de eventos pontuais como hackatons e dinâmicas. “A cultura intraempreendedora é um processo e não um evento”, escreve. 

O intraempreendedorismo, o empreendedorismo dentro de uma organização existente, é uma busca inovadora projetada especificamente para trazer à tona novas oportunidades, o que ajuda a criar novos produtos, serviços e até negócios, muitas vezes fora dos canais habituais. 

Para inspirar o intraempreendedorismo, uma empresa precisa ter a capacidade de mobilizar recursos para apoiar as oportunidades que venham a surgir. Isso pode acarretar riscos de execução e de reputação, é claro, mas esses riscos não superam as vantagens potenciais, diz David Lancefield. O incentivo ao intraempreendedorismo deve ser fundamental para a missão de uma organização.

Cultura intraempreendedora gera produtividade e engajamento

Lancefield reforça que a produtividade e o engajamento dos colaboradores até aumenta quando há o incentivo ao empreendedorismo dentro da empresa. “Quando o intraempreendedorismo é incentivado, há evidências de que as pessoas desfrutam de maior autonomia e de uma ligação mais forte com o propósito da organização”, confirma.

Mas, o que é necessário para desenvolver mais esta cultura e depois aplicá-la? De que maneira isso pode ser feito, em especial na indústria moveleira? O autor do artigo diz que não é uma ciência exata, mas que, sim, há formas de facilitar o processo (veja as dicas ao final da matéria).

Como a cultura intraempreendedora beneficia o setor moveleiro?

Cinara Tozatti, do Sebrae Arapongas
Cinara Tozatti, do Sebrae Arapongas. Foto: Divulgação

Segundo a consultora do Sebrae Arapongas, Cinara Tozatti, o porte e a complexidade das indústrias do setor moveleiro justificam a necessidade da cultura intraempreendedora. “É raro que uma boa ideia dê certo no segmento com o empreendedor trabalhando sozinho”, reforça. “É preciso fazer com que os colaboradores se sintam parte do processo”, completa.

Para ela, é essa sensação de pertencimento que vai fazer com que as pessoas queiram ajudar a enfrentar os desafios e gerar oportunidades de desenvolvimento. “Mas isso implica na mudança de mentalidade da gestão da empresa, que precisa valorizar e dar abertura aos colaboradores. O estilo antigo, em que o patrão manda e o funcionário obedece não funciona mais”, explica.

Esse “estilo antigo”, pondera a consultora, impacta principalmente as novas gerações – Z, Alfa e Millenials. São pessoas já totalmente inseridas no mercado de trabalho e querem fazer parte do processo, colaborar, se sentir valorizadas, poder expor suas opiniões e ideias. 

Consultor empresarial Nilson Violato
Consultor empresarial Nilson Violato. Foto: Divulgação

O consultor empresarial Nilson Violato pondera que os empresários do setor moveleiro precisam mudar a mentalidade e internalizar a inovação. “Ainda existe uma resistência, uma insistência em se repetir, o que implica na repetição de erros também”, comenta. “É preciso mudar os modelos de negócios e investir nesse movimento”, completa.

Para isso, sugere Violato, é preciso incentivar os talentos dentro das empresas, sem medo que eles sejam captados pela concorrência. Esse incentivo pode vir de remuneração e de benefícios. “É fundamental tirar as pessoas da zona de conforto”, avisa.

Cinco dicas para implantar a cultura intraempreendedora

1 – Desenvolva uma visão inspiradora

De acordo com Lancefield, as pessoas precisam se sentir inspiradas e motivadas e incentivadas pela organização. Isso é fundamental para que possam pensar em novas oportunidades. “Então, crie uma narrativa que articule essa visão e a estratégia que os permita imaginar como é ter sucesso nessa missão e as pessoas irão corresponder às suas expectativas”, sugere.

2 – Dê o exemplo

A visão intraempreendedora, assim como uma série de mudanças nas empresas, deve vir da direção. “Se você quer mais intraempreendedores entre os seus colaboradores, seja um intraempreendedor você mesmo”, diz Lancefield. Ele insiste que é preciso que o gestor passe tempo com o consumidor e com os colaboradores. Isso para entender as necessidades que precisam ser atendidas dentro e fora da organização. 

“Um presidente que aconselhei compra café para seus funcionários em call centers e lojas e conversa sobre como eles podem ajudar o consumidor”, conta o especialista. “Outros executivos trocam de papel com os colaboradores para entender suas perspectivas”, completa.

3 – Reduza a burocracia

A cultura intraempreendedora precisa de um caminho tranquilo e sem atritos. Isso significa que é preciso reduzir a burocracia de reuniões e processos desnecessários. “Quando as pessoas estão imersas neste tipo de processos, elas não têm tempo de se engajar em atividades que vão gerar valor”, explica o autor. Portanto, simplificar a tomada de decisão pode aumentar a geração de ideias inovadoras na indústria. 

4 – Crie oportunidades

Com um ambiente que é inspirador, tem o exemplo do líder e mais tempo para pensar em novas ideias – tudo isso proporcionado pelas primeiras três dicas – é preciso observar quem são as pessoas intraempreendedoras na empresa.

5 – Reduza o medo de falhar

De acordo com uma pesquisa da PwC, 65% dos trabalhadores afirmam que seus gerentes não toleram pequenas falhas nos processos. “Em situações como esta, os colaboradores pensam duas vezes ao assumir riscos”, diz Lancefield. E isso, reforça, afeta diretamente a cultura intraempreendedora.

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