Design de móveis: soluções palpáveis para um mercado composto por pessoas reais
Às vésperas do relançamento da ICFF (Feira Internacional de Móveis Contemporâneos) em Nova York (Estados Unidos) e com outras grandes feiras como o Salone del Mobile.Milano (Itália) e a High Point Market (também nos Estados Unidos) tendo ocorrido nos últimos meses, o mundo volta a falar sobre tendências de design para os próximos anos, com
Por Carlos Bessa

Neste conteúdo
Às vésperas do relançamento da ICFF (Feira Internacional de Móveis Contemporâneos) em Nova York (Estados Unidos) e com outras grandes feiras como o Salone del Mobile.Milano (Itália) e a High Point Market (também nos Estados Unidos) tendo ocorrido nos últimos meses, o mundo volta a falar sobre tendências de design para os próximos anos, com o emergir de novos nomes, símbolos e conceitos. De fato, num mundo em transformação, o design é uma das ferramentas mais importantes e poderosas na reinvenção das formas de se viver, trabalhar e morar. Mas e o agora? O que está sendo feito hoje em termos de design de móveis?
Enquanto os maiores eventos nacionais e internacionais tiveram suas atividades suspensas desde o último ano, marcas e designers trabalharam como nunca na busca de “novas” propostas e soluções. “Novas”, entre aspas, porque muitas delas são, na verdade, velhas conhecidas tanto de fabricantes de móveis quanto dos consumidores, que se antes mal passavam tempo em casa, focando-se, então, na estética perfeita; agora clamam por conforto prático e visual.
As mudanças ocorridas na dinâmica da casa durante a pandemia não são pontuais. Enquanto muitos deverão permanecer em casa mesmo depois de completada a campanha de vacinação, outros simplesmente querem se precaver de surpresas desagradáveis, com um espaço pronto para ser vivido em todas as funções e formas imagináveis sob qualquer situação. Entenda, não estamos falando de tendências, mas, sim, de prognósticos. Sobre como estamos vivendo e o que de fato queremos para nossos lares.
Mas será que sua fábrica está entregando o que os consumidores realmente querem e precisam?
Com mais de 15 anos de experiência em design de interiores e em pesquisas no varejo, a americana Melissa Galt é internacionalmente reconhecida por seus treinamentos de geração de vendas, levantamento de referências e otimização de relacionamentos. A interior design business coach foi convidada pela “Furniture Lighting Decor” para compartilhar, mais do que insights, prognósticos sobre o morar em 2021 e como essas contestações deverão influenciar no design de móveis e de interiores de agora em diante.
Compartilhamos, a seguir, “as ‘coisas’ que os consumidores querem em suas casas em 2021”, de acordo com a especialista em pesquisas de design e varejo. Dica: é mais simples e menos conceitual do que muitas vezes se faz parecer. No entanto, extremamente necessário e urgente!
#1 Uma viagem pela memória
Depois de meses e meses em que sentimos falta até das atividades que menos nos agradavam do lado de fora de nossas casas, é normal que as palavras “memória”, “afeto” e “acolhimento” voltem a perambular o universo do design, especialmente o de móveis.
Segundo Melissa, isso levou a um ressurgimento do design tradicional, com aquela pitada de nostalgia. “Com a incrível incerteza que ainda sentimos, estamos voltando para o que nos faz sentir certos, seguros e bem no passado. Não precisa ser uma casa coberta por memórias e itens antigos, mas pode simplesmente incluir elementos essenciais que dão ao cliente uma sensação de paz e segurança.”
Aquela superfície que lembra as calçadas da sua rua preferida; o tecido que remete a sensação da casa dos avós; o couro da fazenda; as cores daquele destino internacional. Com tanta tecnologia inserida no processo de materiais e acabamentos para móveis é possível reproduzir de forma econômica, sustentável e em larga escala diversas tendências do passado, trazendo um senso de afetividade e acolhimento únicos para o design contemporâneo.
#2 Ouse misturar o clássico e o moderno
“Sinceramente, não faço uma parede de destaque há décadas. Mas elas estão de volta!” Com cada vez mais tipos de revestimentos e de acabamentos disponíveis no mercado, a capacidade de se reinventar os espaços com frequência cresceu muito. O que definitivamente veio a calhar durante o isolamento social, em que o limite do tédio, por sua vez, foi menor do que nunca, exigindo-se adaptações para manter-se a paz em família.
Dessa forma, paredes de destaque — aquelas que ganham cores e formas diferentes, contrastando do restante do ambiente —, bem como biombos e peças de mobiliário que possam agir como separadores de espaço, tais como estantes para livro, voltaram a ganhar força no design de interiores desde o ano passado. Tal apontamento deve ser objeto de atenção dos designers e fabricantes de móveis, que podem inclusive lançar luz a novas soluções para este tipo de necessidade.
“Os consumidores desejam algo divertido, flexível e vivido em termos de cores, padrões e design gráfico. Mas que seja, sobretudo, funcional”, diz Melissa.
#3 Produtos Sustentáveis
A onda de mudanças climáticas só se intensificou durante a pandemia e, parados em casa, os consumidores tornaram-se mais conscientes do que nunca sobre o impacto do morar sobre o planeta. “A demanda por móveis e materiais sustentáveis está crescendo, embarque!”, é enfática a interior design business coach. O que os consumidores desejam em casa é se sentir bem com suas escolhas e o impacto que estão tendo na próxima geração.
Se engana, porém, quem pensa que é obrigatório escolher entre investir numa produção ambientalmente adequada e sustentável ou ter bons resultados financeiros. Pelo contrário, cuidar do meio ambiente, ter responsabilidade social e adotar melhores práticas de governança são, na verdade, fatores que ajudam no balanço das empresas. Entenda, não é à toa que termos como ESG (environmental, social and corporate governance) tenham se tornado tão populares nos últimos tempos. Atualize-se!
#4 Sentir-se ao ar livre o ano todo
Nos últimos tempos, por vezes a única saída de casa foi a ida até nosso próprio quintal ou varanda. Isso, se tivermos algum deles. O que os consumidores desejam é um lugar para desfrutar de uma mudança de cenário sem realmente sair de casa. Como um espaço para melhorar o humor, mesmo que seja aquele cantinho sob a janela.
As madeiras, texturas e fibras naturais aliadas a tons de verde ou terrosos, certamente ajudam a construir esse clima de aconchego. Mas não é só isso. Queremos nos reconectar física e emocionalmente não só com a natureza, mas também com as ruas, com o mundo lá fora. Esse sentimento traz uma nova perspectiva sobre texturas, objetos e símbolos que antes passavam despercebidos. Em nossa constante rotina digital, passamos a valorizar cada vez mais o toque e as sensações proporcionadas pelas superfícies.
O que, mais uma vez, pode ser respondido pelo design de móveis e de interiores ao se utilizar superfícies, acabamentos e formas que remetem à areia da praia, ao concreto do centro, às árvores do parque e às curvas das estradas. Tudo é referência!
#5 Materiais de alto desempenho e baixa manutenção
Falando no toque, nunca houve tanta tecnologia e pesquisa sobre tecidos e matérias-primas para a fabricação de móveis. Com as demandas de trabalho remoto e educação à distância, o tempo é cada vez mais escasso para manter e limpar nossas casas. Ou seja, design prático já! E o que queremos dizer com isso? Formas e materiais simples de se limpar, que não exijam grande manutenção e que tenham durabilidade. Simples e objetivo!
#6 Soluções para uma casa saudável
Nós falamos sobre a preocupação com o meio ambiente e também sobre uma vida mais prática nos espaços residenciais. Mas e o nosso interior? Sim, os móveis também têm a ver com nossa saúde física! De tintas livres de compostos químicos agressivos a materiais orgânicos, os consumidores estão cada vez mais atentos ao que compram e na origem dos materiais que compõem esses produtos.
Dessa forma, além de garantir processos limpos e sustentáveis dentro da sua fábrica, é imprescindível também contar com fornecedores e com um sistema logístico que compartilhe dos mesmos valores, não colocando nem o bem-estar do planeta tampouco a saúde das famílias em risco. Valor agregado é muito mais do que os olhos podem ver. “O que todos querem é uma casa saudável e feliz”, completa Melissa Galt.
Para além das tendências, prognósticos para o design de móveis a partir de 2021
Da concepção à fabricação e entrega dos móveis, os atores da cadeia moveleira têm, portanto, um impacto profundo no conforto, no estilo, na saúde e no bem-estar das pessoas. Sobretudo agora, em que nos reinventamos enquanto sociedade. Saber o que as pessoas desejam neste momento, oferece à sua marca uma vantagem competitiva no atendimento das demandas atuais, agregando-se um design que atenda aos interesses e necessidades reais, não apenas a conceitos e simbolismos expostos como itens de arte. Estamos falando da vida real.


