Economia global: Incertezas persistentes apontam para grave recessão

Economia global: Incertezas persistentes apontam para grave recessão

25 de janeiro de 2021Categories: EconomiaTags: ,

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Mesmo com o relaxamento das medidas mais restritivas de distanciamento social, os níveis da atividade econômica mundial permaneceram significativamente abaixo do normal no terceiro trimestre de 2020. No cenário de referência ou cenário mais provável, a economia global está se encaminhando para a pior recessão desde a grande depressão da década de 1930. Com a produção no mundo programada a contrair de 3 a 6% em 2020.  É o que aponta o Global Economic Forecasts: Q3 2020 (Previsões da Economia Global: Terceiro Trimestre 2020), divulgado pela Euromonitor International – autoridade no levantamento de indicadores econômicos e produtivos.

Indo na contramão da economia global, a indústria de móveis no Brasil poderá fechar 2020 com cerca de 20% de crescimento em relação ao ano passado. Número que, sim, sabemos que poderia ser melhor, como falamos aqui. Mas a verdade é que pouquíssimos setores estão se saindo tão bem quanto o moveleiro neste ano.

Enquanto por razões óbvias olhamos para dentro de nossa cadeia, confrontando as limitações e desafios que impedem um crescimento ainda mais encorpado para compensar os efeitos iniciais da pandemia e ampliar nossa margem de crescimento. O fato é que questões como a crise no abastecimento de matéria-prima para produção, por exemplo, vem sendo uma máxima em quase todos os setores industriais. Afetando, assim, não só a um segmento, mas à toda a economia.

Segunda onda de Covid-19 e possíveis impactos na economia global 

Entender esse período parte, portanto, de se olhar também para fora. Observando os fatores externos que atravancam ou impulsionam o desenvolvimento produtivo no mundo. A previsão de agosto da Euromonitor International, por exemplo, assume novas medidas de distanciamento social mais persistentes já nessa segunda metade de 2020. Consequentemente, mais efeitos adversos sobre a produtividade das empresas ao passo em que se ajustam novamente para reduzir os riscos de infecção.

Mudanças recentes na dinâmica da pandemia, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, aliás, levantam preocupações sobre uma segunda grande onda de Covid-19. Assim, mesmo depois de tanto tempo, o nível de incerteza que a economia global enfrenta permanece sem precedentes. Considerando-se os riscos de novas crises epidêmicas, bem como possíveis atrasos na produção e ampla distribuição de uma vacina ou tratamento.

Dessa maneira, pode ser só uma questão de tempo até que novas medidas restritivas sejam adotadas também no Brasil. Ou não. E é exatamente essa incerteza que, contraditoriamente, nos faz ter a certeza de que não há nada mais importante do que se pensar e agir estratégica e cautelosamente neste momento. Profissionalizando processos e solidificando parcerias.

Deixando clara, assim, a volubilidade e dependência da cadeia. Que, mesmo com demanda aquecida, poderia sofrer gravemente as consequências de um possível segundo momento de restrições severas. Sem material, sem mão de obra e sem estoque para atender ao varejo.

Expectativa de PIB global é rebaixado

Quando olhamos para o todo, portanto, embora as projeções indiquem uma recuperação relativamente forte da economia global em 2021. Com crescimento entre 3,5 e 7%, segundo o relatório. Isso representaria uma produção global em torno de 5,5% abaixo das previsões pré-Coronavírus. Número que poderá continuar surtindo efeitos negativos ainda em 2022. Com a produção na linha de base devendo ficar em torno de 4,5% abaixo da previsão antes do início da pandemia. Já demonstrando uma evolução, mas ainda ruim.

Nesse cenário, a previsão de referência do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global para 2020 foi rebaixada em 1,5 pontos percentuais em comparação com a previsão de maio. Com um recuo de 1,2% para as economias avançadas e de 1,7% para as economias em desenvolvimento.

Projeções para o Brasil

Ou seja, tal questão reflete principalmente os efeitos econômicos na Europa Ocidental, Índia e América Latina. Esse último sendo o epicentro da pandemia de maneira contínua já há alguns meses. Isso porque essa crise generalizada na saúde pública produziu efeitos ainda mais intensos na atividade econômica em países com grandes setores informais e menos possibilidades de distanciamento social, como o nosso.

Buscando-se, então, uma maneira de equilibrar o impacto da severa disseminação da pandemia e o risco excepcionalmente alto de volatilidade nos mercados doméstico e global, a taxa de juros no Brasil foi drasticamente reduzida pelo Governo. No entanto, o Banco Central reconhece que novas reduções devem ser feitas com extrema cautela. Isso porque, a redução da atividade econômica, a incerteza prolongada, a queda na demanda em vários setores e o aumento da poupança preventiva deixam a inflação bem abaixo da meta de 4%.

No final de agosto de 2020, o Brasil tinha o pior surto de Covid-19 do mundo, depois dos Estados Unidos. Nesse ambiente de incerteza, as previsões básicas de crescimento do PIB real no País, de acordo com a Euromonitor International, foram rebaixadas. “Esperamos que o PIB real brasileiro diminua cerca de 9% em 2020. Com um crescimento de 3,3% em 2021. Esta previsão de base tem uma probabilidade de 41 a 51%”, diz o relatório.

Onda, marolinha ou tsunami: Prepara-se para o que vier!

Agora que olhamos para fora e criamos uma perspectiva mais ampla, voltemo-nos, então, para dentro de nossa cadeia. O que sabemos até agora é que, para além da possibilidade de novos surtos e da imprevisibilidade da vacina, fatores como o fim do auxílio emergencial; a normalização das taxas de juros; o relaxamento das restrições de distanciamento social (tanto no que diz respeito às políticas públicas quanto ao próprio comportamento dos cidadãos – cada vez mais fatigados); bem como o atendimento total dessa alta demanda gerada no período poderão desaquecer ao setor moveleiro no Brasil já no início do próximo ano.

Assinalando, assim, se não um retorno, uma reaproximação com o “velho normal”, a expectativa mais lógica ou referência mais realista nesse sentido, portanto, seria uma volta aos números pré-pandemia. Abrindo 2021 com números possivelmente similares aos de janeiro deste ano. O que é um bom indicativo para aqueles que souberem usar os novos recursos evidenciados neste período, tais como o e-commerce e diferentes modalidades logísticas, ao seu favor. Ampliando as vendas de maneira criativa e inovadora no decorrer do ano que vem.

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