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ESG permeia cada vez mais ações governamentais e empresariais: energia é uma das principais preocupações na indústria

ESG e energia: Grupo Eucatex investe na usina solar Castilho, a maior do estado de São Paulo 

O tema da sustentabilidade entra mais uma vez em pauta na Plataforma Setor Moveleiro. Trata-se de assunto para lá de importante nos fóruns mundiais sobre o futuro do planeta. Além disso, gera impacto em governos, nas relações comerciais e, claro, no setor industrial.

Enquanto isto, assistimos aos apelos por políticas voltadas à preservação ambiental durante a última Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 27), que ocorreu em 2022, no Egito. E a pauta mantém-se como uma constante nos últimos anos, tendo se intensificado a partir de 2000.

Ano, este, em que o então Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, se reuniu com CEOs das 50 maiores instituições financeiras mundiais, pedindo para que as iniciativas e políticas destas companhias contemplassem questões sociais, ambientais e de governança.

Assim, surgia a sigla ESG (Environmental, Social and Governance) que sintetiza todo um programa de sustentabilidade, que pode e deve ser integrado e aplicado nas rotinas empresariais e produtivas.

Sustentabilidade na indústria brasileira

Neste contexto, o Brasil está entre os 193 países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e signatários do pacto liderado pela instituição. O instrumento é uma chamada para que políticas governamentais e empresariais apresentem estratégias alinhadas a princípios sustentáveis. Com isto, integra as seguintes áreas: Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção.

Inclusive, o setor moveleiro brasileiro faz parte do Pacto Global da Organização das Nações Unidas, seguindo seu Guia de Sustentabilidade, que se desdobra no que são chamados de “17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”. Objetivos, portanto, que, embora não sejam regulatórios, servem de base para diretrizes de boas práticas, tanto para os países como para as empresas.

Energia, elemento crucial para o custo da produção

Nesse sentido, se há uma característica que marque a implantação de políticas direcionadas para o ESG, esta é, sem dúvida, a flexibilidade. Consultores são unânimes em afirmar que os 17 pontos que compõem a Agenda 2030 do Pacto Global servem como diretrizes para as empresas, independentemente do setor em que atuem.

Sem dúvida, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que mais chama a atenção do empresariado é o custo da energia.

Em recente matéria sobre o Barômetro da Indústria Moveleira, desenvolvido pela consultoria da CSIL Milano, 33% dos participantes da enquete mostraram-se especialmente preocupados com o aumento do custo da energia ao redor do mundo.

Investimentos do setor privado

Não por menos, grupos privados vêm investindo pesadamente na diversificação de suas matrizes energéticas. É o caso do Grupo Eucatex, um dos maiores fabricantes de painéis MDF e MDP, pisos laminados, portas e divisórias em atuação no Brasil. A companhia é importante fabricante de tintas do país e a maior produtora de chapas de fibra de madeira do mundo. E acaba de anunciar o contrato de compra de energia elétrica de longo prazo (PPA), firmado com o Grupo Comerc Energia. A usina tem capacidade de geração de 269 MWp, em regime de autoprodução.

Com a parceria, a Eucatex deverá reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera em aproximadamente 966 mil toneladas ao longo dos 15 anos do contrato. Isto é o equivalente à absorção realizada por 6,8 milhões de árvores ao longo de 20 anos. Dessa forma, contribui significativamente para a descarbonização das atividades da companhia. Também contribui para o cumprimento de suas metas ESG, com efeitos de transbordamento entre seus clientes e toda a cadeia produtiva a partir daí.

Ou seja, a energia gerada na usina solar Castilho será responsável por aproximadamente 50% da demanda de energia do Grupo Eucatex. Já a energia necessária restante tem matriz hidrelétrica.

Sustentabilidade é cultura na Eucatex: empresa investe em energia renovável

Nesse sentido, a medida se soma a outras já adotadas pelo grupo. O Programa de Reciclagem Eucatex, que alimenta a Central de Reciclagem de Madeira, a maior da América Latina em escala industrial, implantada há quase 20 anos pelo Grupo, assegura a biomassa – outra fonte de energia renovável – que alimenta as caldeiras e gera toda a energia térmica para consumo na unidade de produção de chapas de fibra e MDF na cidade de Salto, em São Paulo.

Inserida no Programa de Reciclagem da Eucatex, a geração de biomassa é fruto das ações de coleta de resíduos de madeira, como paletes, caixas, tábuas, resíduos de construção civil, além de painéis de madeira em geral num raio de 100 km.

Mais de 100 mil toneladas de resíduos de madeira são reaproveitadas por ano nas caldeiras da fábrica de Salto. O Programa contribui para a preservação de mais de 1 milhão de árvores, que deixam de ser cortadas, e para a economia de cerca de 15 milhões de litros de água ao ano.

Sustentabilidade energética na indústria brasileira

Por outro lado, espera-se para julho um plano de propostas para um política industrial. O instrumento partirá do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), recriado neste governo, e entre outros pontos deve responder às demandas da área energética.

Simultaneamente, já está em ação, desde 2022, o Programa Aliança 2.0, voltado para o aumento de ganhos de eficiência energética nos processos de produção industrial. Trata-se de iniciativa conjunta da Eletrobrás, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) para ajudar as empresas a reduzirem o custo com energia elétrica.

Assim, até 2025, serão destinados R$ 20 milhões para o desenvolvimento de projetos de eficiência energética. Empresas de qualquer setor industrial, com consumo mínimo de 10 megawatts (MW) médio de potência (87.600 MWh/ano) ou quantidade equivalente em energia térmica (gases e combustíveis), podem participar.

Segundo a CNI, já foram atendidas 12 plantas industriais dos setores siderúrgico, químico, automobilístico e do cimento. A maioria dos projetos envolveu a otimização de processos, sem necessidade de troca de equipamentos. A meta é atender 24 empresas.

Sustentabilidade em alta no Salone de iMobile.Milano 2023

Milão tornou-se o epicentro de lançamentos para a indústria moveleira mundial, seja em matéria de tendências e negócios, seja pelas discussões em torno da sustentabilidade. Na verdade, o Salone del Mobile.Milano, que ocorreu na última semana (18 a 23 de abril), sintetiza todo este potencial que representa a indústria de móveis aqui e lá fora.

Marcas e designers brasileiros expuseram na feira por meio de ações coordenadas pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O ponto de partida foi o Projeto Setorial Brazilian Furniture. A iniciativa abraçou as transformações propostas pela organização da feira, bem como compartilhou a originalidade da indústria e do design brasileiro de móveis.

Além da responsabilidade social, por meio da inclusão, vale ressaltar que a pauta ambiental também tornou-se prioridade no Salone del Mobile.Milano 2023. A organização da feira, inclusive, recebeu neste ano o ISO 20121, certificação que atesta a preocupação e adoção de estratégias sustentáveis na realização de eventos.

Brasilidade dá o tom à presença brasileira na feira

Em suma, para aumentar a visibilidade do design brasileiro no mercado global, a temática da brasilidade entrou em campo. Ela foi explorada pelo time da curadoria liderada por Liana Tessler. Reforçando, assim, o compromisso com a sustentabilidade e escolhas conscientes de matérias-primas, principalmente as nacionais.

“A competitividade do mobiliário brasileiro está na criatividade dos seus designers, na tecnologia e nas técnicas utilizadas nas nossas indústrias. Está também na identidade cultural do País e na sua riqueza em recursos materiais. São mais de 20 mil espécies de madeiras nativas, além da lã, das fibras, rochas, entre tantas outras matérias-primas, bem como o trabalho artesanal aplicado a elas. E é um pouco de tudo isso o que compartilhamos com o mundo no iSaloni 2023”, falou o presidente da ABIMÓVEL, Irineu Munhoz.

A gente fala mais sobre a Semana de Design de Milão 2023 em breve, aqui na Plataforma Setor Moveleiro.

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