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Feiras de móveis: quantidade ideal ou excessiva?

Feiras de móveis: quantidade ideal ou excessiva?

A participação em feiras é uma oportunidade de encontro da indústria com os lojistas para a realização de grandes negócios. Além disso, esses eventos são palcos para os lançamentos de novidades no setor moveleiro. No entanto, surge uma questão intrigante: será que a proliferação de feiras é benéfica ou prejudicial à indústria? Quanto tempo leva para a prospecção de um projeto se transformar em uma nova linha de móveis, painéis ou acabamentos, por exemplo? Neste artigo, vamos explorar essa questão sobre a quantidade de feiras realizadas. Afinal, elas são suficientes para acompanhar as tendências do mercado ou um exagero para a indústria e o lojista acompanharem?

No primeiro semestre de 2023, já ocorreram cerca de 20 feiras nacionais e internacionais dedicadas ao setor de móveis. E até o final do ano, existem mais sete eventos programados, confira no calendário de Feiras do Setor, da Plataforma Setor Moveleiro. Ainda em agosto, acontece a Expo Móvel Pernambuco, e também a Movelsul e Fimma que se uniram para, juntas, inovarem o calendário de eventos (leia mais nesta matéria). Sem contar os eventos paralelos e de igual importância como o V Congresso Moveleiro do Nordeste, leia mais no link abaixo:

Número de feiras de móveis: opiniões divergentes

Perguntamos a todos que aceitaram o convite de participar desta matéria se consideram importante a participação nas feiras do setor moveleiro, se são suficientes ou ainda existem poucas? Para Luiz Rigoni, diretor da Móveis Rimo, as feiras regionais têm um papel importante na conquista de novos clientes. No entanto, ele ressalta que os custos, principalmente em relação às despesas de viagem, podem ser um entrave.

“São muito importantes, costumamos participar, mas é notório que tem um exagero no momento. Concordamos que feiras regionais ajudam a abrir novos clientes, mas sempre tem um custo principalmente aéreo que é muito caro”, considera Luiz Rigoni.

O CEO da Plataforma Setor Moveleiro, Carlos Bessa, destaca que as feiras são estratégicas para os negócios e networking no mercado. No entanto, ele enfatiza que a indústria enfrenta um desafio econômico ao participar de tantos eventos. Bessa, com sua vasta experiência no mercado, argumenta que o número de feiras do setor moveleiro extrapola o bom senso, dada a carga financeira e operacional que impõe às empresas. “Sem dúvida, as feiras são estratégicas para articulações e negócios com outros players de mercado, contudo, é oneroso para a indústria participar de todos os eventos que ocorrem ao longo do ano”, afirma.

Mais espaço para o consumidor final

A maioria das feiras de móveis é voltada para o B2B (empresas para outras empresas) e há uma carência de eventos que alcancem diretamente o consumidor final. Essa é a conclusão do sócio-administrador da ESSANTO, VIVA e OFFICINA móveis planejados, Adeilton Pereira, também vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel). “As exposições como mostras da Casa Cor se aproximam mais desse propósito, mas ainda assim atraem predominantemente um público especializado da área. Acho que precisa de mais espaço para trazer o consumidor final para perto, não apenas em feiras, mas através de outras estratégias também”, disse. 

Adeilton cita exemplos de iniciativas coletivas para a valorizar o setor, como ações de mídia e o engajamento de formadores de opinião. No entanto, ele destaca especialmente a importância da união entre os membros do setor. “Um esforço coletivo em que os empresários do setor enxerguem mais oportunidades de cooperação do que de competição e se unam em torno do objetivo de valorizar nosso produto final”, ressaltou.

Feiras como ferramentas de trabalho

Helio Antonio Silva, CEO do Grupo Castor, lembra da função primordial das feiras como ferramenta de trabalho muito importante para a área comercial. É o local para se consolidar lançamentos e ter maior proximidade com os clientes. “Quando temos um cliente que quer uma negociação especial, nós temos a possibilidade de tratar com uma maior agilidade. Visto que, além de termos nessas feiras nossa equipe comercial, temos também diretores presentes. Isso ajuda a viabilizar casos específicos mais rapidamente. Por esse e outros pontos essas feiras são tão valiosas e interessantes para nosso dia a dia”, afirma.

“As feiras são muito importantes hoje em dia, principalmente no nosso caso onde temos produtos que possuem diferenciais que se fazem necessário o contato mais próximo. Possibilita que tenham essa percepção da qualidade e tecnologia de um produto Castor e percebam os detalhes que procuramos proporcionar, como acabamento e grau de conforto, entre outros”, considera.

Feiras de móveis GRUPO CASTOR
Participação da Colchões Castor em feira de móveis. Foto: Divulgação Castor

Equilibrando presença e excesso de feiras

Aureo Barbosa, presidente do Intersind, enfatiza a importância da presença das empresas em feiras relevantes para exibir seus produtos e estabelecer contatos com clientes ativos e potenciais. Ele destaca que esses eventos representam uma oportunidade estratégica para “prospectar novos negócios, e avaliar seu posicionamento no mercado”. No entanto, Aureo observa que a quantidade atual de feiras de móveis pode ser excessiva, potencialmente causando “confusão na escolha dos clientes”. Ele enfatiza a necessidade de uma reavaliação coletiva para encontrar um equilíbrio entre participação e excesso.

União de forças: o caso Fimma e Movelsul 

A Fimma Brasil – Feira Internacional de Fornecedores da Cadeia Produtiva de Madeira e Móveis –, possui uma sólida história de 35 anos oportunizando a geração de negócios entre expositores e visitantes. E este ano, em sua 16ª edição, ocorrerá de 28 a 31 de agosto de 2023, novamente em conjunto com a Movelsul, como aconteceu pela primeira vez, no ano passado. 

“Acredito que seja uma parceria vantajosa às duas feiras, porque os públicos se complementam. É um evento único no Brasil, agregando desde expositores que são fornecedores da cadeia moveleira, na Fimma, até marcas de móveis, estofados, colchões e decoração, na Movelsul”, afirma Euclides Longhi, presidente da Movergs, entidade realizadora do evento.

A decisão por repetir a parceria vem embasada em estudos de mercado e em pesquisas realizadas junto a expositores e visitantes de ambas as feiras. Os dados mostram que 95,7% das empresas expositoras consideram Fimma e Movelsul importantes para seus negócios.

Segundo Euclides Longhi, a Fimma está entre as cinco mais importantes feiras do mundo. “A Fimma Brasil reúne os principais fornecedores da cadeia moveleira, que apresentam suas soluções para indústrias e marcenarias de diferentes portes. Não é por acaso que expositores de máquinas, matérias-primas, ferramentas, tecnologia e outros segmentos escolhem a Fimma para fazer negócios”, afirma. 

Gisele Dalla Costa, presidente do Sindmóveis realizadora da Movelsul e Euclides Longhi, presidente da Movergs, realizadora da Fimma.
Gisele Dalla Costa, presidente do Sindmóveis e responsável pela realização da Movelsul, juntamente com Euclides Longhi, presidente da Movergs e realizador da Fimma. Crédito foto: Augusto Tomasi

Movelsul Brasil: o encontro que impulsiona o setor moveleiro

Na Movelsul Brasil, por exemplo, é possível conhecer lançamentos das principais marcas de móveis, estofados e colchões, permitindo que lojistas, varejistas, importadores e outros profissionais da área negociem diretamente com esses fornecedores. De acordo com Gisele Dalla Costa, presidente do Sindmóveis, responsável pela realização da Movelsul, “Participar de feiras setoriais é muito vantajoso tanto para indústrias moveleiras quanto para visitantes, pois possibilita o contato presencial com representantes de diferentes marcas”, afirma.  

Essa dinâmica torna a feira extremamente próspera para negócios e parcerias, bem como enriquecedora em termos de conhecimento, uma vez que também conta com uma programação de palestras e talks.

Dalla Costa destaca que as principais vantagens para as empresas expositoras incluem visibilidade e oportunidade de negócios durante e após o evento. Além disso, um posicionamento sólido para suas marcas no mercado. Já para os visitantes, especialmente os lojistas, a feira oferece a oportunidade de garantir ótimas compras e se manter atualizados com as tendências do setor. “Vale destacar que as feiras são como um termômetro para o mercado avaliar o setor e entender o segmento”, enfatiza. 

Internacionalização em feiras do Brasil

Quanto à área internacional, uma grande vantagem é não precisar viajar para outros países a fim de estabelecer contato com compradores estrangeiros. “Muitas vezes o empresário gasta um valor considerável para ir ao exterior e visitar dois ou três potenciais compradores. A Movelsul otimiza o tempo dos empresários, gerando mais oportunidades”, considera.

Para Gisele Dalla Costa, é inegável a ampla oferta de feiras e eventos voltados ao segmento de móveis. Portanto, a estratégia de participar cabe a cada empresário do setor. Um dos grandes diferenciais da Movelsul Brasil é sua realização por uma entidade de classe comprometida com o desenvolvimento das indústrias. Isso se traduz em abordagens abrangentes de fatores como design e exportação, conferindo-lhes, por exemplo, diferenciais competitivos notáveis. “É um trabalho feito há 46 anos com o propósito de desenvolver e trazer sustentabilidade para o setor e, em conjunto com a Fimma Brasil, acaba se diferenciando ainda mais de outros eventos”, afirma.

Feiras nacionais, internacionais ou ambas?

Fundado em 1995, o Grupo K1 é detentor de grandes marcas, como Kappesberg, UZ Utilidades, Idélli Ambientes, My Home, Bartzen e Casa & Poesia. Com forte atuação em todo o Brasil, presente em mais de 45 mil pontos de venda, atribui o seu crescimento também às intensas participações em feiras. 

“Além da preocupação com a entrega de produtos de qualidade, entendemos a necessidade da prospecção de novos clientes, expandindo nossa área de atuação, e por isso, a importância da participação em feiras do segmento”, considera Celso Theisen, vice-presidente do Grupo K1.

Celso Theisen conta que, em 2023, já estiveram na Feira da Yes Móvel Show, em março, em São Paulo (SP). A Yes Móvel Show é uma feira que também aconteceu em abril, em Salvador (BA); em maio, em Belo Horizonte (MG); em junho, em Campinas (SP). 

O Grupo K1 também esteve esse ano na Hive Furniture Fair, em Dubai e na IMM, em Colônia, na Alemanha, e agora, estarão também presentes na Feira Movelsul. E para 2024, têm agendada a Movelpar Home Show e a China International Furniture Fair, além de outras participações ao longo do ano. 

“Momentos que entendemos ser importantes, onde temos a oportunidade de apresentar o que há de melhor no mercado moveleiro, atraindo novos clientes e fechando bons negócios. Além disso, trata-se de um mercado amplo, onde precisamos estar sempre atentos às novidades e prospectando tendências”, disse.

Participação da Kappesberg na Movelsul.
Participação da Kappesberg na Movelsul. Foto: Divulgação Grupo K1

Impulsionando inovação e parcerias

Rosana Belo, diretora-executiva da Belo, Indústria e Mobiliário, destaca que uma das principais vantagens de participar de feiras é a oportunidade de alcançar um público novo. “Em uma feira você tem a vantagem de conquistar novos clientes e também de manter o relacionamento e resgatar os antigos”, considera. Outro ponto importante que ressalta é o papel fundamental das feiras no reposicionamento de marca. “A empresa que está numa feira é vista e lembrada, ela também se torna uma referência de empresa atuante no mercado”, afirma.

Rosana enfatiza que a presença em feiras é especialmente valiosa para empresas que enfrentam desafios logísticos e distâncias geográficas. Os clientes, muitas vezes, questionam se estarão presentes nas feiras, pois a logística de visitar uma fábrica pode ser mais complexa. “A feira proporciona um espaço apropriado para levar os produtos diretamente ao público-alvo”, observa.

Equilíbrio entre oportunidade e estratégia de participação

Ela esclarece que a quantidade de feiras no setor é relativa e atende a diferentes perfis de eventos. Mostras itinerantes atingem um público que, de outra forma, não participaria de eventos de maior porte, devido a distâncias e investimentos mais elevados. Por outro lado, as feiras de grande escala possuem rodadas de negócios internacionais e ditam tendências. Elas são aguardadas ansiosamente pelas empresas para orientar suas novas coleções. “A seleção estratégica de quais feiras participar é crucial para otimizar os investimentos e direcionar os recursos para eventos mais alinhados com os segmentos de atuação de cada empresa”, disse.

Em última análise, a quantidade de eventos pode parecer excessiva, mas a seletividade na participação permite que as empresas encontrem feiras mais alinhadas às suas metas e nichos de mercado. “As feiras continuam a ser um ponto de encontro estratégico, onde a indústria e os lojistas se unem para impulsionar a inovação, estabelecer parcerias e alcançar o objetivo final: entregar produtos de qualidade aos consumidores”, conclui.

E o ano que vem tem mais, somente em janeiro de 2024 existem três importantes feiras: Femur, Movelpar Home Show e ABIMAD. Confira as datas destes eventos no calendário da Plataforma Setor Moveleiro, clicando em Feiras do Setor.

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