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O impacto das vendas de imóveis residenciais novos no setor moveleiro

O mercado de imóveis residenciais novos possui potencial de contribuir para as vendas do setor moveleiro. Afinal, ao adquirirem lares novos, em algum grau, os moradores – ou, em muitos casos, investidores –, também irão adquirir móveis novos, seja por questões estéticas, seja por questões funcionais.

Nessa ótica, vamos analisar os dados mais recentes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com abrangência nacional, das vendas, lançamentos e oferta final de unidades residenciais novas. Um total de  207 cidades, incluindo todas as capitais do país, diversas regiões metropolitanas e outros grandes municípios.

Resgatando o histórico de 2022, segundo o Indicadores Imobiliários Nacionais, em uma elaboração da Fundação de Dados, houve decréscimo de 1,6%, nas vendas de unidades residenciais novas, passando de 315.987 unidades, em 2021, para 311.062 unidades, em 2022.

Percentualmente, o resultado anual foi puxado para cima pela região Norte, com crescimento de 1,8%; Centro-Oeste, com 1,2%, e Sul, com 0,6%. Por outro lado, foi puxado para baixo pela região Sudeste, com decréscimo de 2,4%, e Nordeste, com -3%.

Por fim, conforme ilustrado no gráfico abaixo, do total de imóveis residenciais novos vendidos, no ano de 2021, na média dos trimestres, 48% se encaixavam nos padrões do Programa Casa Verde e Amarela (atual Minha Casa, Minha Vida), enquanto no ano de 2022, essa média cai para 43%.

vendas de imóveis residenciais novos

Aumento de móveis para imóveis residenciais novos

Devemos refletir melhor sobre os impactos desses dados, nas vendas de móveis, predominantemente, novos. A base comparativa de 2021 estava extremamente alta, devido ao boom de vendas no período. Logo, considerar um decréscimo de apenas 1,6%, não é, necessariamente, negativo. Reforça a positividade desses dados, o deslocamento das vendas dos imóveis econômicos para os imóveis de maior valor. Para o setor significa, consequentemente, venda de móveis de maior valor agregado, escoados por canais de vendas que atendam, predominantemente, consumidores das classes A/B.

Porém essa realidade mudou no primeiro trimestre de 2023, e deverá mudar ainda mais, no decorrer deste e do próximo ano.

Perspectivas de vendas de móveis

Ainda segundo a CBIC, no comparativo acumulado no primeiro trimestre de 2023 com acumulado do primeiro trimestre de 2022, houve decréscimo de 9,2%, nas vendas de unidades residenciais novas. Portanto, passando de 80.350 unidades, no período 2022, para 72.988 unidades, no período de 2023, com queda em quatro regiões do Brasil.

Do total de imóveis residenciais novos vendidos, no primeiro trimestre de 2022, 50% se encaixavam nos padrões do Programa Casa Verde e Amarela, enquanto no primeiro trimestre de 2023, apenas 34% se encaixavam no Programa Minha Casa, Minha Vida.

Venda de imóveis residenciais novos em 2022

Assim, no início do ano, as perspectivas de vendas de móveis residenciais novos para esse perfil de consumidor não foram positivas. Embora, ainda, acentuando o perfil de vendas de imóveis de maior valor, logo, mantendo boas perspectivas para móveis e canais de vendas destinados para consumidores das classes A/B.

É provável que, no ano vigente, as vendas de imóveis permaneçam em queda também. Considerando que, no comparativo primeiro trimestre de 2023 com primeiro trimestre de 2022, houve significativa retração de 30,2% nos lançamentos de unidades residenciais novas. Esse é um forte indicativo de desempenho negativo das vendas futuras.

Porém com novas regras, readequações e estímulos governamentais para os programas de habitações populares, esse perfil de imóvel deverá reagir e compensar, nos próximos meses, nem que seja parcialmente, a provável queda das vendas de unidades de imóveis não-econômicos.

Dessa maneira, abrem-se perspectivas de retomada comercial de móveis de menor valor agregado para esse perfil de consumidor, incluindo os canais mais aderentes às classes C/D, como os magazines.

 

Newton Guimarães, Head Fundação de Dados

Escreveu esse artigo:
Newton Guimarães é Head Fundação de Dados, sistema de inteligência de mercado, responsável pelo atendimento de empresas do setor, como Leroy Merlin, Eucatex, Votorantim Cimentos, Atlas, Sasazaki, entre outras.

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