Indústria brasileira: estoques voltam ao nível planejado, mas confiança permanece em queda

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Abaixo do desejado desde dezembro de 2019, o nível dos estoques de produtos finais, que atingiu nível crítico no segundo semestre do ano passado, voltou finalmente a alcançar o patamar planejado pela indústria brasileira. Depois de um longo período de ajustes decorrentes da pandemia de Covid-19, a produção industrial manteve-se estável pelo segundo mês consecutivo em outubro. O panorama é compartilhado por meio da Sondagem Industrial, estudo mensal divulgado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

O índice de evolução do nível de estoques foi a 50,5 pontos em outubro. Resultado não tão expressivo, mas 5 pontos acima do registrado no mesmo mês em 2020. Dessa forma, o nível de estoque efetivo pelas empresas também aumentou, registrando 50 pontos em outubro. O que significa ter atingido exatamente o nível planejado.

Na comparação com outubro de 2020, ainda, momento crítico da falta de estoques no ano passado, o índice mostra aumento considerável e bem-vindo de 6,7 pontos. Quebrando, assim, uma tendência que vinha se repetindo desde o final do ano retrasado, mesmo antes da pandemia, com os estoques efetivos vindo abaixo do volume desejado e planejado.

Nos últimos treze meses, aliás, esta é apenas a terceira vez em que há registro do índice de evolução de estoques acima da linha divisória de 50 pontos. O que indica crescimento dos estoques em relação ao mês anterior.

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Produção e emprego na indústria brasileira

A produção industrial, por sua vez, manteve-se estável na passagem de setembro para outubro. O índice de evolução da produção registrado no mês foi de 50,1 pontos. É o segundo mês consecutivo de estabilidade após quatro meses consecutivos de alta.

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O emprego na indústria brasileira, por sua vez, continuou crescendo, mas em ritmo bem mais moderado que nos meses anteriores. Isso porque o índice de evolução do número de empregados alcançou 50,4 pontos, representando queda de 1,7 pontos na comparação com o mês anterior.

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O índice manteve-se acima dos 50 pontos, o que, claro, é bom. Entretanto, ao se aproximar da linha divisória, o índice mostra que a alta do emprego está mais restrita e menos intensa que nos meses anteriores. Para referência, no último ano o indicador permaneceu acima dos 50 pontos em todos os meses analisados. Isto, exceto em abril — mês em que a pandemia mais afetou as atividades industriais —, quando o índice alcançou exatamente 50 pontos.

Utilização da capacidade instalada

Com tudo isso, a utilização da capacidade instalada (UCI) — ou seja, a relação entre o volume efetivamente produzido pela indústria brasileira e o que poderia ser produzido se o equipamento estivesse operando em plena capacidade — foi de 71% em outubro de 2021. Nível que representa queda de 1% na comparação com setembro e de 3% frente a outubro de 2020. Mas que ainda se mostra bastante satisfatório ao relacionarmos todas as variáveis do momento.

Dessa forma, destaca-se, por exemplo, que a UCI do último trimestre de 2020 foi atípica. Tendo sido influenciada pela recuperação da atividade e a necessidade de recomposição de estoques. Por isso, o resultado de 2021 pode ser considerado positivo, segundo os especialistas da CNI. Estando, portanto, acima da média dos mesmos meses de 2011 a 2019 (70,4%).

Já o indicador de utilização da capacidade instalada efetiva em relação ao usual, por sua vez, registrou 45,4 pontos em outubro. O resultado representa a terceira queda consecutiva do indicador que, apesar de estar abaixo da linha divisória de 50 pontos, se encontra acima da média histórica de 42,6 pontos. Na comparação com outubro de 2020, o índice apresenta redução de 5,7 pontos.

Vale ressaltar, aqui, que a produtividade efetiva sempre será menor que a real; e o maior valor a que a eficiência efetiva pode chegar é 1. Ou seja, quanto mais próximo de 1, melhor será a capacidade produtiva.

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Confiança segue em queda, mas acima da linha planejada

Num cenário ainda de instabilidade, no entanto, os índices de expectativa de demanda, de quantidade exportada, de compras de matérias-primas e de número de empregados apresentaram diminuição no mês seguinte, novembro. Isso indica que o otimismo está menos disseminado entre os empresários.

A confiança da indústria segue em queda por três meses consecutivos. O que é justificável frente ao momento de virada de mais um ano marcado pela pandemia de Coronavírus. Ainda assim, o indicador permanece acima da linha planejada, ao ficar em 56 pontos, segundo o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), também medido pela CNI.

De acordo com o gerente de análise econômica da Confederação Nacional da Indústria, Marcelo Azevedo, todos os componentes do ICEI recuaram em novembro. O Índice de Condições Atuais caiu 1,8 ponto e ficou em 49,7 pontos. Ao ficar abaixo da linha divisória de 50 pontos, portanto, o índice demonstra a transição de uma percepção positiva para uma percepção negativa das condições atuais na comparação com os últimos seis meses. Isso, na avaliação dos empresários.

“A piora ocorreu devido à percepção sobre as condições atuais da economia brasileira, cujo índice caiu 3,1 pontos em novembro, acumulando recuo de 11,9 pontos nos últimos três meses”, explica Azevedo. “A percepção das condições atuais da própria empresa ainda é positiva, mas essa visão também vem se deteriorando nos últimos meses”, completa.

O Índice de Expectativas, no entanto, está em 59,1 pontos, o que revela um otimismo, mesmo que mais moderado, para os próximos seis meses das empresas e da economia brasileira.

Conclusão

Apesar da instabilidade que ainda perdura até o momento, contudo, a reabertura de mercados e o avanço da vacinação no Brasil parecem estar colaborando para a intenção de investimento do empresário industrial, que aumentou em novembro. Indicando, assim, maior propensão a investir. Fator que traz esperanças e bons indicativos para o próximo ano.

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