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Desempenho da indústria sofre com impacto de juros altos e queda na demanda

Desempenho da indústria sofre com impacto de juros altos e queda na demanda

No início de maio, nós apontamos aqui na Plataforma Setor Moveleiro, que o cenário do 1º trimestre sinalizava desaceleração da economia global em 2023 (clique para ler). E o que podemos esperar para a economia e a indústria brasileira neste ano?

Segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a economia brasileira terá uma expansão de 1,2% em 2023. Isso, após alta de 2,9% no ano passado. Neste contexto, as previsões que fazem parte do Informe Conjuntural – 1º trimestre de 2023 apontam para um crescimento quase nulo na indústria, que deverá crescer apenas 0,1% em 2023, comparativamente à alta de 1,6% em 2022.

No entanto, apresentamos essa semana que a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do país teve o primeiro avanço no ano de 1,1% em março, em comparação com ao mês anterior. Diante deste quadro, cautela é a melhor alternativa, afinal, a análise da CNI aponta que “desaceleração” deve caracterizar a atividade econômica em 2023. Haja vista a produção de móveis ter apresentado também a primeira queda de 4,3% na comparação mensal da PIM.

Cautela e desaceleração são palavras-chave para a indústria moveleira

Por um lado, o panorama se deve à queda no crescimento do setor de serviços. Setor este que mais contribuiu para o avanço no mercado de trabalho no terceiro trimestre de 2022. A desaceleração, que já se verificava nos últimos meses do ano passado, também se deve aos efeitos restritivos da política monetária, que impactam negativamente sobre a indústria e o varejo ao longo do ano.

Por outro lado, a expansão de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) será financiada em grande parte pelo consumo das famílias. Na verdade, é uma reação que vem de anos anteriores. No entanto, os dados apontam para o aumento da massa salarial ao longo do primeiro semestre, mas com expectativa de desaceleração do avanço do emprego.

Expansão do PIB industrial deve ser de 0,1% em 2023

A indústria ficará estagnada em 2023, com um crescimento fraco de 0,1%, como mencionado. A queda da confiança — sobre qual já falamos por aqui (leia mais) — colocou os investimentos e as contratações em compasso de espera. Além disso, um dos principais problemas que preocupa o empresário industrial é o enfraquecimento da demanda, provocado pelos juros altos, elevado grau de inadimplência e de endividamento das famílias.

Crescimento econômico moderado era esperado, mas previsão do PIB foi revista

Informe Conjuntural da CNI revela, ainda, que a instituição revisou a projeção de crescimento do PIB do Brasil em 2023, de 1,6% para 1,2%.

Segundo o estudo, já era previsto crescimento moderado da economia brasileira na comparação com 2022. Naquele momento, o PIB cresceu 2,9%. Porém, mudanças importantes no cenário trouxeram a necessidade de revisão da projeção feita em dezembro de 2022.

Política monetária restritiva e quebra no crescimento do mercado de trabalho

Efeitos restritivos da política monetária – mais apertada – e a redução do ritmo de crescimento do mercado de trabalho, em especial, no setor de serviços. Estes são os principais fatores, segundo a CNI, que explicam essa queda no ritmo de crescimento da economia brasileira entre 2022 e 2023.

A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), deve fechar 2023 em 6,0%. O percentual se mantém apesar da alta taxa de juros.

Ainda assim, ao observarmos o cenário geral, trata-se de uma desaceleração em relação a 2022, fruto da política monetária de contração. A inflação fecharia 2022 em 8,9%, caso não tivessem sido aplicadas as desonerações tributárias de PIS/Cofins e ICMS (que fechou em 5,8%).

No entanto, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2023 ainda supera a meta de 3,25%, definida pelo Banco Central do Brasil para este ano.

Indústria deve ficar próxima da estabilidade em 2023

O Informe Conjuntural CNI registra que, em 2022, o PIB da indústria encerrou o ano com crescimento de 1,6%. A maior contribuição foi dada pelo setor da construção, que registrou alta de 6,9%. Já o PIB da indústria de transformação registrou queda de 0,3% no mesmo período.

A queda da confiança do empresário também marcou os últimos meses de 2022. Os números têm permanecido em patamares abaixo da média histórica nos primeiros meses de 2023.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI/CNI) ilustra a leitura dos empresários em relação à promoção de investimentos e contratações que deve caracterizar o primeiro semestre: o compasso de espera. Contribuem para essa leitura as incertezas trazidas pelo início de um novo governo. Isso porque, como é usual, a tendência é de que até que fique mais claro o caminho a ser seguido pelo novo governo, ocorra a decisão de suspender ou postergar novos investimentos, considerando que já estamos quase no meio do ano.

Indústria: abastecimento regularizado versus demanda de consumo em queda

A atividade industrial, ao longo de 2022, foi tendo problemas com abastecimento de insumos e matérias-primas gradativamente superados. Embora ainda afete custos e crie gargalos em determinadas etapas. Mas o principal ponto de atenção, agora, parece ser mesmo a demanda em queda na indústria.

Apesar de avançar 1,1% em março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicadores do setor sugerem uma atividade industrial mais fraca ao longo do primeiro semestre de 2023.

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