Enquanto investimentos crescem no setor moveleiro, a indústria brasileira em geral inicia 2022 com confiança menor do que em anos anteriores
Diferente da confiança do empresário industrial, no geral, que vinha recuando, abrindo, assim, o primeiro mês do ano abaixo da linha divisória dos 50 pontos, de acordo com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), com recuperação em… a confiança do empresário industrial no setor moveleiro parece ter fechado 2021 em alta, trazendo boas perspectivas para
Por Carlos Bessa
Diferente da confiança do empresário industrial, no geral, que vinha recuando, abrindo, assim, o primeiro mês do ano abaixo da linha divisória dos 50 pontos, de acordo com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), com recuperação em… a confiança do empresário industrial no setor moveleiro parece ter fechado 2021 em alta, trazendo boas perspectivas para este ano.
Pelo menos é o que indica os dados de investimentos divulgados pela ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), que demonstram uma aposta efetiva no melhoramento e na modernização dos parques fabris, com investimentos que saltaram 176% no acumulado de 2021 em relação a 2020 na indústria de móveis no Brasil.
Diante de tal cenário, a indústria moveleira também registrou saldo positivo de vagas de trabalho durante o ano, indo mais uma vez na contramão da economia nacional, que registra taxa de desemprego acima dos dois dígitos. Segundo os dados levantados sob encomenda pelo IEMI – Inteligência de Mercado, com base em indicadores de fontes oficiais, o crescimento do emprego na indústria moveleira foi de 2,66% em 2021 frente a 2020. Número que se torna ainda mais interessante ao observarmos a evolução da ocupação no setor nos últimos anos:

Investimentos no setor moveleiro
Tais resultados apontam, portanto, para uma conjuntura positiva e crescente, resultando no aumento da confiança do empresário moveleiro, que, além da mão de obra, vem investindo também em tecnologia.
Os investimentos em máquinas e equipamentos no setor, por exemplo, saltaram de R$ 1,23 milhão em 2019 para mais de R$ 2,16 milhões em 2021. Quando comparamos com o ano passado, quando foram investidos cerca de R$ 785 mil — um dos piores desempenhos do indicador na série histórica —, o salto é ainda maior: +176%.
Projeções para a indústria moveleira
Para os próximos dois anos, a estimativa é que o volume de produção de móveis e colchões continue crescendo: +2,11% em 2022 e +2,75% em 2023. O que deverá seguir impactando positivamente no volume de emprego no setor, com crescimento projetado de 2,05% no próximo ano e 2,88% no ano subsequente.
Quando o assunto são investimentos, porém, estima-se a restabilização diante dos altos montantes aplicados em 2021. Com as fábricas sendo ampliadas nos últimos anos para um período de alta produção e desempenho a partir de 2022.
Confira as principais projeções para o setor nos próximos dois anos:

Confiança do empresário industrial é menor, no geral, no início de 2022
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) recuou 0,7 ponto em janeiro de 2022, de 56,7 pontos para 56 pontos. O recuo representou uma reversão do avanço de confiança que havia sido registrado ao fim do ano passado, em dezembro de 2021, de mesma magnitude. No mês seguinte, agora em fevereiro, o ICEI passa a demonstrar estabilidade da confiança das indústrias quando comparado com o primeiro mês do ano, com o indicador ficando em 55,8 pontos (de 0 a 100).
O índice mostra que a indústria continua confiante nesse segundo mês de 2022, pois segue acima da linha divisória dos 50 pontos, que separa a confiança da falta de confiança. Porém, é o menor número para o mês de fevereiro desde o ano de 2017.
Destaca-se, ainda, que o ICEI de janeiro de 2022 também foi inferior ao registrado nos mesmos meses de 2018 a 2021. Ou seja, o ano se iniciou com confiança menor que a de anos anteriores. No ano passado, por exemplo, em janeiro de 2021, o ICEI registrava 60,9 pontos. Em janeiro de 2020, havia alcançado 65,3 pontos.

Entre os principais pontos que pioram a percepção e, consequentemente, a confiança do industrial estão a piora das condições atuais, a persistência da pandemia e a alta inflação.


