Joe Biden assume a presidência dos Estados Unidos: E o Brasil com isso?

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joe Biden presidente eleito dos Estados Unidos

Depois de um dos processos eleitorais mais conturbados da história americana, Joe Biden tomou posse como o 46º presidente dos Estados Unidos na última quarta-feira (20). Ainda é cedo para se falar com precisão sobre o futuro das relações do novo governo com o Brasil. Bem como sobre a maneira como isso deverá afetar às exportações para o país que há tempos é o principal destino de móveis brasileiros no exterior. No entanto, especialistas de mercado já vêm fazendo suas apostas, e nós reunimos agora algumas das principais previsões e informações que podem nos ajudar a criar uma melhor perspectiva neste contexto.

Primeiro arrumar a casa…

A pandemia de Covid-19 e seus efeitos econômicos, uma China encorajada, o declínio democrático norte-americano e um sistema internacional inconstante. Essas são algumas das tendências que desafiam a prosperidade americana tanto no contexto local quanto sua influência no exterior, conforme elencam os especialistas em direito e finanças da Pills Bury Law.

Eleições Estados Unidos

Donald Trump (esq.) e Joe Biden (dir.)

Na busca por formas de frear essas tendências, a visão encabeçada pelo agora atual presidente Joe Biden, está muito mais próxima da proclamada filosofia “America First” (“América Primeiro”), da qual o ex-presidente Donald Trump se colocava como um porta-voz, do que muitos podem imaginar. Tanto democratas quanto republicanos abandonaram em grande parte a ortodoxia econômica de promover o livre comércio em favor do “fair trade”, ou seja, do “comércio justo”. Para ambos, portanto, proteger os empregos americanos na indústria e trazer de volta oportunidades terceirizadas para economias de baixos salários terão prioridade sobre o comércio internacional.

Em sua campanha, Biden se comprometeu a não entrar em nenhum novo Acordo de Livre Comércio (ALC) “até que tenham investido nos americanos e os equipado para ter sucesso na economia global”. Além disso, embora tenha escolhido Antony Blinken, conhecido defensor do multilateralismo, para o cargo de secretário de Estado, acredita-se que o novo governo continuará a patrocinar negociações bilaterais num primeiro momento.

Os Estados Unidos e o fator China

Estados Unidos e o fator China

O fato é que desde 2016, os EUA estão basicamente sozinhos quando se trata de política externa e comercial. Uma constante que Biden, em contrapartida, prometeu quebrar. Fazer a ponte entre os conflitos com aliados na Europa, América do Norte, Japão e Coréia do Sul, de acordo com a análise da Pills Bury, deverá ser uma prioridade do novo governo. Na busca por formar, assim, a coalizão de países necessários para enfrentar a China e reformar as instituições internacionais.

Dessa forma, embora Trump e Biden compartilhem preocupações semelhantes com a ascensão da China como um rival bastante ofensivo, suas perspectivas e as soluções propostas diferem em linhas ideológicas e abordagens para acordos comerciais.

E o que o Brasil perde ou ganha nessa disputa entre EUA e China?

Bem, como bem observado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), um importante ponto de atenção na relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos deriva dessa crescente disputa geopolítica. Tal questão deve influenciar a agenda norte-americana para a América Latina e, em particular, para o Brasil. Apesar dos EUA terem o maior estoque de investimentos estrangeiros em território brasileiro, seu crescimento anual vem diminuindo desde o início da década.

Para se ter uma referência, segundo dados do Ministério da Economia, o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos caiu 23,7% em 2020 ante 2019 – mais do que com a União Europeia (13,7%) e o Mercosul (17,7%). Para analistas, a retomada do comércio com os EUA depende agora, entre outros fatores, também do impacto da vacinação nas economias. Com a demora na vacinação por aqui, então, ameaçando nossas relações comerciais, conforme aponta José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior.

Por outro lado, a China vem se tornando uma importante fonte de aporte de capitais no Brasil. Dessa forma, os EUA precisarão reconquistar seu espaço na região e reforçar os instrumentos para viabilizar sua presença competitiva em relação ao seu concorrente.

Setor moveleiro

A mérito de contextualização, no que diz respeito ao setor moveleiro, as exportações de móveis brasileiros para os Estados Unidos cresceram na casa dos 9% no ano passado em relação a 2019. Demonstrando, então, uma relação em ascensão. No lado das importações, porém, a China lidera a lista com uma diferença gritante. Em termos de participação, a China foi a origem de 77,7% das importações totais de móveis realizadas pelo Brasil entre janeiro e novembro de 2020. Os Estados Unidos aparecem em terceiro lugar, com apenas 2,9% de participação.

Os dados acima são da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), que, aliás, é uma das cabeças do projeto Brazilian Furniture de fomento à exportação de móveis. Para 2021, o projeto conta com diversas ações programadas nos Estados Unidos, aliás. Vale a pena entrar em contato para mais informações.

Políticas ambientais podem somar pontos negativos para o Brasil

Outro ponto crucial a ser levantado para finalizarmos esta análise, é que o tema da sustentabilidade e da preservação ambiental já se mostra central na agenda de comércio e de investimentos americanos envolvendo o Brasil. A exemplo, aliás, do que já ocorre hoje na nossa relação com os países europeus.

Assim que estabilizado o novo governo, os profissionais da Pills Bury Law acreditam que para as relações comerciais dos EUA e, na medida em que Biden comece a formar coalizões, o foco provavelmente mudará mais para a promoção dos direitos ambientais, bem como de condições adequadas de trabalho dentro e fora dos Estados Unidos. Já tendo proposto uma taxa de controle de carbono para punir as importações de países poluidores, além de uma aplicação mais forte das disposições trabalhistas existentes.

Nesse sentido, as prioridades da administração Biden para as relações econômicas atuais e futuras provavelmente se afastarão da abordagem da gestão Trump. E, claro, com as atuais políticas ambientais brasileiras mostrando-se pouco eficientes, o Brasil pode vir a sofrer sanções severas por parte dos Estados Unidos e outros importantes mercados. Podendo, no pior dos cenários, vir a servir de “‘saco de pancadas’ para poder ilustrar o que Biden vai fazer do ponto de vista do meio ambiente”, conforme pontuou Carlos Poggio, doutor em Relações Internacionais, em entrevista para a CNN.

Relação Brasil – Estados Unidos

Bandeira Estados Unidos e bandeira Brasil

Segundo o projeto “Trump vs. Biden”, desenvolvido pela Amcham em parceria com a Perspectiva Consultoria, em que analisavam os resultados das eleições americanas, são, de fato, esperadas mudanças na administração interna e principalmente na política externa do novo presidente eleito. Entretanto, em relação ao Brasil, a expectativa é que o acordo já concluído sobre temas não tarifários seja mantido. Em especial porque possui o apoio do setor empresarial norte-americano. Não dependendo, então, de aprovação do Congresso para entrar em vigor.

Por outro lado, a negociação de um acordo mais abrangente de comércio, envolvendo a redução de tarifas e outros temas mais intrincados (como serviços, propriedade intelectual e compras públicas), embora seja uma iniciativa bem-vinda, está envolta de enorme complexidade.

Além disso, conforme aponta as análises do projeto, a negociação de um acordo comercial envolvendo Brasil e EUA sempre será desafiador. Em grande parte pelo fato de as economias serem muito parecidas em vários aspectos (ambos são grandes produtores de commodities agrícolas e produtos industrializados, tais como aço, alumínio e automóveis). Mais decisivo ainda, uma iniciativa dessa natureza não deve encontrar priorização na agenda comercial dos EUA, sobretudo nos primeiros anos da administração Biden.

Agora é esperar para ver!

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