Modelo de distribuição sem estoque? Conheça o crossdocking

Modelo de distribuição sem estoque? Conheça o crossdocking

22 de janeiro de 2021Categories: OpiniãoTags: ,

Compartilhe nas redes!

Compartilhe nas redes!

Há algumas semanas falamos aqui sobre o tradicional modelo de estoque no varejo de móveis. Mas já pensou em adotar um processo de distribuição sem a necessidade de estocagem? Com o ambiente comercial cada vez mais competitivo, bem como a busca incessante por mais lucratividade e eficiência na operação, varejistas passaram a buscar novas alternativas para modelos já estabelecidos. Nesse cenário é que surge o “crossdocking”. E é sobre essa forma de distribuição que Cristian Mika e Pedro Bloch falam na coluna de hoje

Modelo de distribuição em que a mercadoria é recebida em um centro e imediatamente preparada para o envio ao cliente final, o crossdocking pode ser entendido também como o sistema de envio da mercadoria do fornecedor até um ponto de consolidação e, então, até o consumidor. Oferecendo como grande vantagem, um tempo de estocagem limitado ou, idealmente, nulo. Culminando, assim, em economia no processo e até em uma precificação mais atraente no final da cadeia.

Nesse sistema, que se aplica muito bem ao e-commerce, a mercadoria só é recebida na loja física ou centro de distribuição (CD) após a finalização da compra pelo cliente final. Assim, o varejista só compra um produto de uma indústria após ter de fato vendido o item em questão. Dessa forma, o varejo realiza apenas o faturamento e carregamento de entrega. Sem precisar ter estocado o produto. Garantindo, então, a redução de custos associados ao excesso de estoque.

 

Vantagens na adoção inteligente do crossdocking

A modalidade também ficou conhecida como “flow through” – que “flui ou deve fluir através de um processo”-, uma vez que o gerenciamento dos CDs passam a ter como foco o fluxo de mercadorias e não sua armazenagem. O que requer bastante sincronia na operação de recebimento e envio desses produtos. Tendo como meta a redução de dois dos pontos mais caros de uma operação tradicional com estoque: a estocagem e o picking (manuseio).

Na prática, porém, devido à complexidade ainda existente na operação, a mercadoria tende a ficar em estoque por algum tempo, que deve ser minimizado o quanto possível. Este tempo mínimo, porém, é de difícil definição. Para muitos especialistas, o prazo seria idealmente de até 24 horas. Depois disso o processo deixa de ser crossdocking e passa a ser um processo de compra com estoque.

Entre as principais vantagens de se respeitar este prazo, porém, estão:

  • Redução de custos de estocagem, inventário e manuseio;
  • Consolidação e otimização no envio de cargas;
  • Redução de espaço de estocagem;
  • Redução de riscos de perdas com avarias;
  • Melhor assertividade de mix de produtos vendidos, etc.

Outro ponto positivo é a possibilidade de aproveitamento das cargas de forma inteligente. A maior parte do varejo faz uso do método de “Full Truck Load” (FTL, transporte de carga completa em veículo dedicado). Tanto para o recebimento quanto para a expedição, esse método permite que os gastos com transporte sejam reduzidos.

Porém…

Mas o que, se pensado de maneira inteligente pode ser uma vantagem, ao ser gerenciado de forma errada pode se tornar um grande problema. Os custos de transporte e de compra do item podem se tornar outros empecilhos, se não houver volume suficiente para uma operação em escala. A implementação do modelo por parte do varejista, portanto, pode acarretar em aumento de custos para o fornecedor. O que, consequentemente, afetaria a competitividade de toda a cadeia.

Dessa forma, mesmo com todos os seus benefícios, se faz necessário alguns pontos de atenção na implementação do modelo de crossdocking. Tais quais a formação de parcerias com outros membros da cadeia de suprimentos; confiabilidade na qualidade e na disponibilidade dos produtos; comunicação eficaz entre os membros do processo; disponibilidade de informações internas; funcionários qualificados; equipamentos eficientes; e, claro, uma complexa gestão operacional.

De nada adiantará ter uma série de produtos viáveis para uma operação de crossdocking, se os fornecedores não forem capazes de atender as necessidades da sua loja. Tenha em mente, portanto, que, mais do que o lucro, o que está em jogo, sobretudo, é a satisfação do cliente final. Quando bem aplicado, portanto, além de possibilitar uma entrega agilizada, o crossdocking pode gerar diminuição de preços também ao final da cadeia. Já que ao oferecer a oportunidade de corte de gastos com transporte, estocagem, mão de obra e manuseio de materiais, seria possível também ganhar mais respiro na tabela de preços no varejo. Algo a se considerar nesses novos tempos.

ro Bloch

Deixe Um Comentário

  • Categories: Feiras

    Com organização do Sindicato da Indústria do Mobiliário de Mirassol, o SIMM, a edição 2022 da Movinter começa amanhã, 28 […]

  • Categories: Marketing

    Colchões Castor – Chegar aos 60 anos em boa forma não é uma missão simples. Exige jogo de cintura, muita […]

  • Categories: Feiras
  • Categories: Indústria

    Indústria moveleira – Acompanhando as oscilações no mercado moveleiro nacional, impactado, entre outros motivos, pela instabilidade econômica e a retomada […]

Notícias em Destaque

  • Categories: Indústria, Notícias

    Abaixo do desejado desde dezembro de 2019, o nível dos estoques de produtos finais, que atingiu nível crítico no segundo […]

  • Categories: Indústria

    Na semana passada, nós falamos sobre as oportunidades para os móveis brasileiros nos Estados Unidos – clique para ler. Enquanto […]

  • Categories: Indústria

    A produção industrial no Brasil caiu 0,4% na passagem de agosto para setembro deste ano. Esta é a quarta queda […]

Assine
a nossa
Newsletter

    Opinião