Modelo de estoque no varejo de móveis e o impacto do e-commerce

Modelo de estoque no varejo de móveis e o impacto do e-commerce

21 de janeiro de 2021Categories: OpiniãoTags: , ,

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Estreando uma nova coluna aqui na Plataforma de Negócios Setor Moveleiro, Pedro Bloch e Cristian Mika abordarão os diferentes modelos logísticos para o e-commerce e os impactos no varejo de móveis. Retratando suas metodologias, vantagens e desvantagens para indústrias e lojistas no processo de entrega da mercadoria ao cliente. Para começar, a dupla trata de questões relacionadas à venda com estoque. Abordando seus principais pontos fortes e riscos potenciais ao negócio. Veja a seguir!

A revolução digital é, sem dúvida, a grande responsável pela mudança na forma como consumimos. Provocando alterações que possibilitaram a criação do varejo virtual, disponibilizando a loja em qualquer tempo e lugar para o consumidor. Essa transformação tecnológica, é claro, fez com que o cliente passasse a exigir uma resposta ainda mais rápida do varejo em relação aos seus anseios.

Assim, a cultura “customer centric” – que pode ser descrita como a visão de ter o cliente como o principal ponto no planejamento estratégico da companhia, visando construir uma relação de longo prazo e disponibilizar a melhor experiência possível -, passou a ser adotada por grande parte das grandes empresas. Pois, enfim, entendeu-se que sem cliente não há mercado.

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Aceleração de comportamentos e terceirização das atividades logísticas

Grandes nomes do marketing no mundo, Kotler e Keller retratam como o mercado se transformou e se transforma cada vez mais rápido. Com o novo fluxo de informações, derivadas dos novos meios de comunicação, deu-se uma nova velocidade às mudanças. Dessa forma, as empresas vêm tendo de se adaptar a essa nova realidade num ritmo muito acelerado. Com as grandes varejistas buscando métodos de operação que acabam por mudar completamente a forma com que a cadeia de distribuição é planejada e operada a fim de atender as preferências do novo consumidor.

Levando, assim, à terceirização de atividades que previamente eram executadas pela própria companhia. Com o aumento do número de participantes na cadeia, então, percebeu-se proporcionalmente um aumento na complexidade do negócio. Fazendo-se necessário grandes investimentos em tecnologia e otimização de processos.

 

Modelo de distribuição com estoque

No caso específico do mercado eletrônico de móveis – em que ainda devemos considerar a fragilidade do produto, bem como tamanho e peso -, o sistema de distribuição adotado e o seu planejamento adequado se mostram ainda mais importantes no resultado da boa desenvoltura da cadeia de suprimentos.

Durante a década de 80, por exemplo, era corriqueiro que grandes varejistas mantivessem grandes estoques, devido aos altos níveis de inflação. Com a estabilização da economia, a tática deixou de ser vantajosa, no entanto. Isso forçou uma mudança, tanto cultural quanto operacional, para que as empresas pudessem fazer frente ao novo cenário competitivo do setor. O que, mais uma vez, vem mudando com a ascensão do e-commerce.

O mercado on-line de móveis e suas especificidades

No caso de empresas de móveis que fazem vendas on-line, os produtos acabados representam quase a totalidade dos estoques, excluindo aqueles de uso da empresa. Com isso, a carteira de produtos passa a ser extensa. Então, a definição de um mix de venda pelo varejista se torna tarefa árdua, uma vez que há um limitador físico da quantidade de itens a serem armazenados.

No atual modelo do varejo, portanto, onde a busca pela competitividade se dá por meio de margens decrescentes, é de suma importância garantir que o produto certo esteja disponível na hora certa no lugar certo. Dessa maneira,ao mesmo tempo em que se aumenta o número de itens nas lojas fazendo com que a gestão de estoque seja ainda mais complexa. Isso faz com que a tarefa de manter produtos em estoque e disponíveis seja uma missão e tanto. Tornando-se algo que tem de ser coordenado entre os diferentes membros da cadeia de suprimento.

Ruptura e gerenciamento de estoque

Pesquisa realizada pela NeoGrid aponta que a ruptura de estoque, ou seja, a ausência de produtos nos pontos de venda, ainda é um problema no varejo. Culminando em vendas que deixam de ser efetivadas. Grande parte dessa ruptura é oriunda de falha logística. O que quer dizer que os produtos faltam ou porque o varejo não enviou o pedido ao fornecedor ou porque houve falhas na entrega do fornecedor para o lojista.

Uma loja que tem rupturas constantes tende a gerar um efeito negativo sobre sua base de clientes – seja nos seus consumidores diretos, que vivenciaram situações de rupturas; ou por parte dos indiretos, influenciados pela publicidade negativa dos consumidores que experimentaram a situação.

Dessa maneira, o mercado digital atua hoje, em sua maioria, baseando-se no modelo de distribuição com estoque. Onde a empresa compra do fornecedor os produtos e os armazena em centros de distribuição – geralmente próximos aos grandes centros de consumo – para, em seguida, transportar a mercadoria até o cliente final.

 O modelo de estoque nos dias de hoje

Por razões outras que nos anos 80, mas que de certa forma podem ser comparadas, outro motivo para que parte das grandes e médias empresas do varejo utilizem desse modelo de estoque se dá para aumentar seu poder de compra com os fornecedores, gerindo qualquer problema que venha acontecer com a entrega do item e diminuindo o prazo de entrega ao cliente final.

Aliás, podemos encontrar vários exemplos de grandes varejistas que usam da compra de estoque como meio para maximizar a eficiência de seus fornecedores. Absorvendo, assim, todas as incertezas de demanda para o varejo. Uma grande rede varejista de móveis sueca, por exemplo, trabalha em tais parâmetros. Assim, suas indústrias fornecedoras podem focar na produção de poucos itens e ganhar em escala. Tornando-se mais competitivas e, por consequência, o varejo ganha em competitividade.

Prós e contras do modelo de estoque

Sendo assim, podemos assumir como pontos fortes da operação com estoque: o poder de barganha com os fornecedores; o baixo prazo de entrega ao cliente final, devido à negociação em escala; baixo índice de perdas, por conta da proximidade dos centros de distribuição com o destino final do produto; agilidade no processo, já que diferente de outros modelos logísticos, as cargas são transportadas de forma mais uniforme até os estoques e de lá percorrem menores distâncias, passando por menos pontos até chegarem ao cliente final.

Por outro lado, esse modelo apresenta certas ineficiências, como: mix de produtos restrito, que resume-se a compra feita antes da venda ser  realizada,  obrigando o varejo a comprar apenas índices de alto giro, bem como restringindo a quantidade de itens disponíveis; custo financeiro, situação onde muitas vezes os estoques representam grande parte dos ativos das empresas, uma vez que essas precisam ter altos estoques para se precaver de picos de vendas inesperados, como o que estamos passando; dificuldade de rápida escalabilidade, interferindo no aumento de venda por requerer investimentos para ampliação de espaço de estoque; difícil gerenciamento, já que um grande estoque requer altos investimentos em métodos de controle para evitar problemas no recebimento e despacho de mercadorias; e, por fim, os custos de operação, já que todo o processo operacional de faturamento, separação e expedição, nesse caso fica a cargo do varejo.

Novas modalidades logísticas

Longe de apontar o que é “certo ou errado”, temos de entender que cada negócio e segmento possui suas especificidades, bem como as necessidades do consumidor estão em constante mudança. Dessa forma, a luta por prazos de entrega cada vez mais curtos, fretes mais acirrados e preços mais atraentes, vem alavancando os processos de competitividade e a  busca por maior eficiência da cadeia, fazendo com que  novos modelos logísticos surgissem nos últimos anos, sobretudo para atender ao comércio eletrônico. Alguns deles são o crossdocking e, ainda mais recentemente, o dropshipping. Temas que serão abordados nas próximas semanas.

Pedro Blochkey account de marketplace da Electrolux Brasil – graduado em administração de empresas e pós graduado em administração de vendas com foco em e-commerce

Cristian MikaProcurement Manager da MadeiraMadeira – graduado em marketing pela Point Park University (EUA) e Especialista de Varejo e Mercado de Consumo pela Universidade de São Paulo (USP).

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