Móveis e eletrodomésticos puxam resultados negativos no comércio varejista nacional

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O volume de vendas da categoria “móveis e eletrodomésticos” caiu 22,6% em setembro de 2021 ante setembro de 2020. Esta é a quarta taxa negativa depois de quatro meses no campo positivo. Com isso, a atividade exerceu a maior contribuição negativa na taxa interanual da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Somando, então, -2,7 pontos percentuais ao total de -5,5% do comércio varejista geral no País. Dando indicativos, portanto, de que a casa possa não ser mais uma prioridade num período de forte inflação e alta no preço de itens básicos.

Em relação ao ano, de janeiro a setembro a categoria acumulou -0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Representando, assim, a primeira taxa no campo negativo no segundo semestre de 2021. O indicador acumulado nos últimos 12 meses, no entanto, apresentou taxa positiva de 3,1%, ainda abaixo do acumulado até agosto, porém, quando era +7,7%.

Vendas de móveis em volume

Ao olharmos para as vendas de móveis especificamente, excluindo dessa comparação, então, os eletrodomésticos, vemos um cenário um pouco menos pessimista. Ao compararmos com setembro do ano passado, período de fortes vendas em meio a uma demanda aquecida por mobiliário no mercado interno, o varejo de móveis no nono mês de 2021 vivenciou queda de 17,5% em volume. 

O acumulado no ano, porém, diferente do segmento de eletros (-3,1%), continua positivo em 4,6%. Já em 12 meses, numa base comparativa mais realista e com menos influência da pandemia, o acumulado é de 8,7%.

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Volume x Receita

Apesar dos números assustadores na variação por volume de vendas, os indicadores da receita nominal de vendas no comércio varejista apresentam resultados mais animadores. O varejo geral teve evolução de 8,3% em receita no mês de setembro de 2021 frente a setembro de 2020. No ano, o aumento foi de 16,3%. Enquanto em 12 meses vemos uma evolução de 15,1%.

A venda de móveis, contudo, segue em declínio, com queda de -7,1% no mês em comparação com igual período do ano passado. Situação que se reflete no resultado geral da categoria: recuo de -13,4% nas vendas de “móveis e eletrodomésticos” em setembro. Os números do setor moveleiro continuam positivos nas demais variações, porém, como é possível observar na tabela abaixo.

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Para além dos móveis e eletrodomésticos

Em setembro de 2021, o comércio varejista caiu 1,3% após recuar 4,3% em agosto, na série com ajuste sazonal. Este é, portanto, o segundo recuo consecutivo após atingir, em julho, seu segundo nível mais alto desde o início da pandemia no Brasil  (março de 2020). A média móvel trimestral do varejo, depois de recuo de 0,8% no trimestre encerrado em agosto, voltou a cair, -0,9%, em setembro. Houve quedas, aliás, em seis das oito atividades pesquisadas pela PMC.

O declínio ocorreu em 25 das 27 Unidades da Federação. Os maiores resultados negativos do mês de setembro foram observados no Mato Grosso do Sul (-3,9%), Santa Catarina (-3,6%) e no  Rio Grande do Norte (-3,4%). Por outro lado, no campo positivo, figuram — embora não de maneira expressiva — Acre (0,4%) e Mato Grosso (0,2%).

Inflação, juros e renda influenciam negativamente na economia e no consumo

O gerente da Pesquisa Mensal do Comércio, Cristiano dos Santos, acredita que esta seja uma volatilidade típica de um “novo rearranjo da estrutura econômica como um todo”. Ele diz: “Desde o início da pandemia, temos uma sequência de grande amplitude. Houve uma grande baixa em abril de 2020; depois um cenário de recuperação bastante rápida que culmina em outubro; uma queda novamente para patamares de pandemia no início do ano de 2021. Em seguida, vimos um crescimento também forte, que posicionou o mês de maio como o segundo nível recorde, após outubro e novembro do ano passado. Agora, a trajetória experimenta uma nova queda.”

Em meio a esta montanha-russa no comércio varejista nacional, o componente que joga o volume para baixo parece ser mesmo a inflação, a níveis recordes no País, com tanto os preços nas portas das fábricas quanto dos produtos prontos subindo numa escalada sem precedentes.

Santos ressalta: “A inflação certamente é o mais importante influenciador nesses últimos dois meses, mas também tem outros. O saldo da carteira de crédito, tanto para pessoa física quanto jurídica, estabilizou nos últimos meses”.

Ele ainda lembra que no último mês de setembro houve uma reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que reposicionou a taxa Selic, aumentando os juros e, consequentemente, prejudicando o acesso ao crédito. “Há ainda o fenômeno do aumento do emprego formal, que está desbalanceado com relação à renda. Cresce o emprego, mas num ritmo menor a renda”, finaliza o especialista.

E a Black Friday 2021?

Em meio à disparada da inflação, que em 12 meses chega a 10,67%, a Black Friday (última sexta-feira de novembro) terá três grandes desafios este ano. O primeiro é conseguir se trabalhar com margens que permitam descontos reais. O segundo é mostrar ao consumidor que os preços estão de fato menores. O outro é fazer a oferta caber no bolso do brasileiro, cuja renda está corroída.

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