Panorama atual e perspectivas para o setor moveleiro: Entrevista exclusiva com Marcelo Prado

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Após longos anos de fraco desempenho por conta da crise econômica iniciada em 2015, o setor moveleiro passou a registrar uma consistente retomada no varejo e na produção local de móveis a partir do segundo semestre de 2019. Retomada essa, estimulada especialmente pela redução dos juros e da inflação, bem como pela expansão do crédito e da massa salarial. Criando, assim, ótimas perspectivas de crescimento para 2020… até, claro, a chegada da pandemia ao Brasil, em março deste ano. Um balde de água fria na cabeça de todos ligados à cadeia madeira e móvel.

Os efeitos gerados pelas restrições impostas ao varejo físico sobre o consumo interno transformaram completamente o quadro. Mesmo assim, o setor moveleiro acabou por ser um dos que menos sofreram com os efeitos dessa crise. E vem apresentando uma retomada acima do esperado. Apontando para um início de ano bastante promissor, caso as condições assim se mantenham.

A análise é de Marcelo Prado, diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, que traz um panorama com dados do setor moveleiro, números reais sobre o atual cenário e as perspectivas para os próximos meses em entrevista exclusiva para a Plataforma de Negócios Setor Moveleiro. Veja a seguir!

PLATAFORMA SETOR MOVELEIRO ENTREVISTA COM EXCLUSIVIDADE MARCELO PRADO, DIRETOR DO IEMI – INTELIGÊNCIA DE MERCADO

Setor Moveleiro – Frente aos números levantados pelo IEMI neste e nos últimos anos, bem como considerando sua vasta familiaridade com o setor moveleiro, como você analisa o atual cenário e quais as expectativas até o final do ano?

Marcelo Prado – O setor moveleiro no Brasil passou a registrar uma consistente retomada no varejo e na produção local de móveis a partir do segundo semestre de 2019. Criando-se ótimas perspectivas de crescimento para 2020. Até, claro, a chegada da pandemia ao Brasil, em março. Os efeitos gerados pelas restrições impostas ao varejo físico sobre o consumo interno, transformou completamente o quadro. O que parecia ser um cenário de crescimento consistente da produção, foi revertido para uma enorme redução. Dessa forma, com previsões preliminares da ordem de 10,2% no volume de peças e de 9,9% no valor das vendas nominais para a produção de móveis em 2020.

Apesar disso, pode-se dizer que a crise teve efeitos contraditórios, ao colocar os consumidores em isolamento, estimulando o consumo de produtos relacionados à casa. Tais como móveis, artigos decorativos, utilidades domésticas e outros. Ao mesmo tempo em que temos bons resultados sendo registrados nas políticas de proteção ao emprego e à liquidez colocada no mercado. Em especial nas camadas menos abastadas da população. Com 67 milhões de brasileiros (ou 32% da população total), recebendo ao menos R$ 2.400 do Governo Federal para enfrentar a crise. Com isso, criando o combustível necessário para uma rápida retomada da demanda no setor e a criação de uma onda de demanda que poderá levar o setor a superar os níveis de produção de 2019, já em 2021.

SM – Qual a importância do conhecimento estratégico (dados e informações confiáveis) para desenvolvermos ações com foco na recuperação do setor em 2021?

MP – Sem dúvida, o acesso a informações e análises de mercado é um fator fundamental para a competitividade e o desenvolvimento sustentável de uma empresa moveleira. Simplesmente porque o mercado é grande e segmentado em nichos muito heterogêneos (em linhas de produto, regiões de consumo, canais de venda, públicos-alvos), que reagem de forma diferente às ações comerciais e de marketing. Somente com informações e análises de inteligência competitiva, portanto, é possível avaliar a performance e dimensionar as oportunidades da empresa nos diferentes nichos e segmentos de interesse. Permitindo, assim, centrar esforços e testar os efeitos das ações empreendidas.

Confira mais dados do setor moveleiro nas matérias abaixo:

 

DADOS SETOR MOVELEIRO PRIMEIRO SEMESTRE 2020

SM – Como os números da produção industrial no setor moveleiro no primeiro semestre de 2020 podem ser comparados aos do mesmo período do ano passado, considerando não só a produção, mas o impacto disso na gestão de crise das empresas (manutenção da mão de obra, de unidades etc.)?

MP – O valor da produção no primeiro semestre de 2020 foi estimado em R$ 22,1 bilhões, no período de janeiro a maio, registrando uma queda de 19,7% sobre o mesmo período de 2019. O balanço de unidades produtivas abertas ou fechadas é feito apenas anualmente. O último dado disponível se refere a 2019, com 18,5 mil unidades produtivas em funcionamento no Brasil (móveis em geral). Quanto à mão de obra ocupada, por sua vez, de janeiro a maio, o número de funcionários empregados pelo setor se reduziu em 8,4%.

SM – E em relação ao cenário de exportações e importações no primeiro semestre de 2020? Qual o percentual de crescimento ou declínio se comparado ao mesmo período do ano passado e quais são os principais mercados-alvos neste momento?

MP – Com relação ao comércio exterior, já considerando o semestre fechado (janeiro a junho de 2020), tivemos o seguinte desempenho.

  • Exportação: US$ 248,1 milhões no primeiro semestre, queda de 17,4%.
  • Importação: US$ 81,8 milhões no primeiro semestre, queda de 17,2%.
  • Principais mercados-alvos: Estados Unidos, Reino Unido, Uruguai, Peru, Chile (destinos de 67,3% das exportações)

EXPECTATIVAS ACUMULADO 2020

SM – De acordo com projeções do próprio Iemi, estima-se uma queda de 10,2% no volume de peças e de 9,9% no valor das vendas nominais no setor de móveis e colchões no acumulado de 2020. No seu ponto de vista, quais podem ser as maneiras mais efetivas de minimamente contornarmos o quadro neste ano?

MP – A crise atual foi causada por um fator completamente inesperado e exógeno ao mercado (a pandemia). O que, de uma forma ou de outra, afetou a todos os segmentos de consumo. Mesmo assim, o setor moveleiro acabou por ser um dos que sofreram menos com os efeitos dessa crise e vem apresentando uma retomada acima do esperado. Com os números das últimas semanas já em níveis equivalentes aos registrados no mesmo período do ano passado. O desafio agora é se organizar para aproveitar essa onda de crescimento que deve se prolongar até o final deste ano, ao menos.

SM – E onde você acredita que esteja a maior oportunidade de negócios para o setor moveleiro nacional neste momento de pandemia?

MP – Sem dúvida, nas linhas de móveis residenciais, de uma maneira geral. Merece destaque, ainda, móveis de escritórios destinados especificamente aos canais do varejo, para o suprimento do mercado de home office. O mercado corporativo, porém, se encontra bastante impactado (negativamente) pelos efeitos da crise.

Entrevistado da vez, Marcelo Prado foi um dos participantes do Webinar Setor Moveleiro, falando sobre “Comportamento do consumidor e perspectivas pós Covid-19 no mercado de móveis e colchões”. 

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