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‘Salve o seu bolso, salve o planeta’: recado dos ecoeconômicos

Ecoeconômicos

Não é apenas sobre salvar o seu bolso, mas todo o planeta na hora da compra. Como assim? É que além dos consumidores andarem mais cautelosos, conectados e digitalizados, como ficou claro nos conteúdos anteriores da série “Top 10 tendências globais de consumo 2023”, eles estão também mais preocupados e conscientes em relação ao impacto do próprio consumo..

Estamos falando dos ecoeconômicos. Expressão que, segundo a Euromonitor International, responsável pelo levantamento desses novos perfis de consumo, vem de “ecoeconomia”, um movimento um tanto quanto novo e que pode ser interpretado como uma forma de consumo que busca saber a origem dos produtos. 

Priorizando, portanto, marcas que usam tecnologia limpa, materiais e embalagens recicláveis ou orgânicos, que se preocupem com os funcionários e mais uma série de outros requisitos que promovam uma economia mais justa e sustentável. Levando em conta, então, não apenas o fator preço, mas também o bem-estar das pessoas e do planeta.

E, claro, as marcas já entenderam (ou pelo menos já deveriam ter entendido) o recado desses consumidores, especialmente os mais jovens, estampando as credenciais ambientais e comportamentais em produtos e serviços.  

Nesse sentido, as formas de se conectar com seus consumidores se traduzem em  ações de como utilizar embalagens recicláveis ou reutilizáveis; no uso de ingredientes ou matérias-primas de baixo impacto ambiental; na não utilização de componentes químicos; na energia eficiente; na valorização de produtos locais, caseiros, orgânicos;  bem como na proteção, equilíbrio, colaborativismo, no respeito… enfim, na responsabilidade social!

Sustentáveis por padrão – os efeitos da pandemia

A pandemia de Covid-19 nos fez enxergar que é possível viver com menos. A opção econômica passou a ser “limitar e reduzir”. E essa diminuição do consumo aumentou  a sustentabilidade por aproximação ou identificação. 

A segurança foi superior à sustentabilidade durante a pandemia. Por outro lado, bloqueios e quarentenas resultaram em efeitos climáticos positivos, como melhoria da qualidade do ar. Agora, poupar ganhou precedência. Fora que o custo de vida está criando um novo comportamento sustentável

Preço x Valor: crise de custo de vida também é determinante na busca por um consumo sustentável

Os preços altos de bens como energia e habitação estão fazendo com que as pessoas reduzam seus gastos. Por isso, elas vão continuar mudando para produtos que economizam energia, comendo em casa, reduzindo o uso de eletrodomésticos e limitando as viagens. 

A dinâmica do mercado vem estimulando atividades verdes como consertos, compras de segunda mão e aluguel. As motivações de compra dos ecoeconômicos também vêm justamente do desejo pós COVID-19 de se viver com mais responsabilidade.

Nesse sentido, espera-se que cada vez mais pessoas estejam dispostas a pagar mais por utilidades domésticas essenciais com características sustentáveis. Mas o número ainda é pequeno, do ponto de vista comercial: menos de um quinto dos entrevistados pela Euromonitor.

Salve o seu bolso, salve o planeta - recado dos ecoeconômicos - top 10 tendências globais de consumo 2023 - Plataforma Setor Moveleiro

 

Cultura reparadora e restauradora: como isso deve afetar o setor moveleiro?

Modelos de negócios circulares, portanto, são uma opção ecoeconômica. Os serviços de revenda e aluguel, inclusive de móveis, como o já proposto pela IKEA em alguns países do mundo, podem melhorar o gerenciamento de estoque sem depender apenas de nova produção. Por sua vez, os serviços de reparo prolongam a vida útil dos produtos. 

Esses fluxos de receita ajudam a reduzir o desperdício e fornecem uma solução econômica para os consumidores. Movimento, então, que força as empresas a buscarem soluções cada vez mais criativas para se manterem competitivas e lucrativas. 

Se o aluguel de móveis não é, ainda, uma solução adequada para o mercado brasileiro — leia mais sobre o assunto AQUI, por exemplo, há ainda muitas alternativas que podem ser exploradas pela indústria nacional. Entre elas está a utilização de matérias-primas de origem certificada e fomento florestal, assim como embalagens adequadas à Política Nacional de Resíduos Sólidos — aliás, falamos do assunto nesta semana, leia NESTE LINK. Também destacam-se processos trabalhistas justos e o design integrado à indústria.

Além disso, a integração de tecnologia pode ser uma ótima aliada tanto para agregar valor ao móvel quanto para trazer mais praticidade e possibilidade para a vida dos consumidores ecoeconômicos, sem prejudicar o meio-ambiente, explorando-se a economia criativa. Tais como móveis feitos a partir de materiais reutilizados, nichos para cozinha que permitam o cultivo de hortas verticais ou, ainda, móveis resistentes à água e às intempéries do tempo, que possam transitar entre ambientes internos e externos. 

O principal obstáculo para produtos sustentáveis é o custo. Varejistas e fabricantes precisarão aproximar os preços das marcas convencionais para reter e aumentar as vendas. Ou seja, baixar custos para competir com marcas convencionais.

Panorama para os ecoeconômicos

A questão é: a necessidade econômica inaugurou uma nova era de comportamento sustentável, em vez de decisões de compra. Os padrões de consumo, portanto, são menos de aquisição e mais de redução, o que impacta positivamente o planeta, mas se torna um desafio para a indústria e o varejo. 

Mas, mesmo que os consumidores ainda estejam relutantes em pagar mais caro por produtos sustentáveis neste ano, os modelos de negócios devem procurar unificar cada vez mais a economia de custos com o comércio verde, tornando essa uma máxima de mercado. 

Se é possível? Sim, caminhamos cada dia mais nessa direção. Agora é questão de encontrarmos o equilíbrio. 

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