supersalone? Afinal, o que faz desta, uma ‘super edição’? Perguntamos ao curador do evento, Stefano Boeri

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supersalone - Stefano Boeri Curator Laila Pozzo©Michelangelo Foundation

Começou no último domingo (05), a edição especial do Salone del Mobile.Milano em 2021, o supersalone, que, gostemos ou não, deverá entrar para a história do calendário moveleiro mundial. Numa versão mais concisa, menos comercial e mais focada na circularidade do que a usual — o que se justifica pela pandemia ainda se apresentando como um problema global, inclusive limitando o acesso de estrangeiros à Itália —, o evento passou e continua passando por diversas mudanças em seu escopo, estrutura  e formato desde sua última edição física em 2019.

Salone del Mobile em transformação

A primeira delas foi a renúncia do presidente Claudio Luti (Kartel), depois de menos de dois anos no cargo. A mudança se deu após uma reformulação na organização do evento, que deu origem à nova empresa Federlegno Arredo Eventi SpA, que assumiu o controle total sobre a marca Salone del Mobile. A presidência foi posteriormente assumida pela jovem Maria Porro (Porro).

Como é de praxe e esperado por todos os fabricantes e designers de móveis ao redor do mundo, nós ainda falaremos bastante por aqui sobre as possíveis tendências, inovações ou reinvenções em termos de design, novos materiais e tecnologia que observaremos por lá durante esta semana. Antes disso, porém, é preciso entender a principal diferença entre o iSaloni como conhecemos e o supersalone como estamos vendo neste ano. Afinal, a própria alteração na dinâmica da feira deverá impactar bastante no que será apresentado nos pavilhões do Rho Fiera em 2021.

Isso porque, o layout e a interação do iSaloni foi todo reformulado para esta edição. Um dos principais pontos é a verticalização do evento, com a maior parte das empresas expondo em paredes em vez dos tradicionais estandes. Além da mudança na visitação, que este ano é irrestrita para o público geral (incluindo consumidores). Isto, além de mostras, palestras, praça de alimentação e apresentações de música ao vivo. Tornando do evento uma espécie de intervenção cultural, não apenas uma feira de negócios.

Saiba mais do processo criativo por trás do supersalone

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Num formato diferente, com a exposição verticalizada, Projeto Brazilian Furnitre (ABIMÓVEL e Apex-Brasil) levaram mais de dez empresas brasileiras para o supersalone

Mas, afinal, o que faz do supersalone um “super Salone”? É o que perguntamos ao curador do evento, o arquiteto italiano Stefano Boeri, convidado para liderar o projeto de concepção da edição especial do Salone del Mobile.Milano em 2021. Ele bateu um papo com jornalistas do Insider iSaloni e da StylePark Magazine.

Como se deu o convite para ser o curador desta edição de retomada do Salone del Mobile.Milano e quais foram seus principais pontos de atenção nesse sentido?

A primeira preocupação sem dúvida se deu em relação ao desafio de conceber um evento tão grandioso ainda em 2021, considerando a situação ainda extremamente difícil que ainda passamos. O que logo se tornou um sentimento fantástico, marcando um grande avanço. Significando que o mundo do design estava dando um sinal de sua força como um poderoso elo entre diferentes mercados, mundos e possibilidades. Significou a oportunidade também de narrar um iSaloni diferente. Mantendo a sua dimensão comercial ao mesmo tempo que respondendo à procura por uma intervenção, renovação e requalificação do mobiliário e dos espaços domésticos num momento marcado pela introspecção, pelas relações familiares e a proximidade com os nossos lares. Tudo isso alimentou a ideia do “supersalone”.

Bem, por falar na “ideia do supersalone”, você de fato apresentou um conceito muito diferente do tradicional para esta edição, que deveria realmente ser especial. Quais foram os pontos centrais desse processo criativo?

Fizemos do supersalone um evento especial por muitos motivos. Em primeiro lugar, ainda estamos à sombra da pandemia, por isso não esperamos receber o mesmo número de visitantes internacionais que nos anos anteriores. Em segundo lugar, temos que cuidar da segurança dos visitantes e da equipe. Por isso, decidimos não organizar um Salone del Mobile com os estandes clássicos. Mas propor um formato completamente diferente, uma parede vertical flexível na qual cada empresa pode apresentar seus produtos e marcas. Em terceiro, sabemos muito bem que um dos focos dos clientes é investir de forma sustentável para otimizar seus espaços de vida ou de trabalho. Em quarto lugar, o supersalone deve ser uma mistura do iSaloni tradicional, com a presença física dos objetos, mas também trazendo a possibilidade de se fazer negócios na esfera digital, até mesmo por meio de um smartphone. Quinto, porque queremos combinar um evento comercial com um evento cultural este ano. Na entrada do recinto da feira, colocaremos também inúmeras árvores que serão plantadas após o evento, em sinal de respeito pela sustentabilidade. Cada objeto, cada painel, cada parede é totalmente reciclável e será reutilizado. Essa é mais uma vantagem e novidade que o supersalone agrega ao formato tradicional do Salone del Mobile.

Quais reações você recebeu até agora dos fabricantes e designers à sua nova abordagem?

Começamos a desenhar o novo formato do supersalone em maio e estou muito feliz com a resposta que recebemos das empresas, dos designers e das escolas de design. Sua forte abordagem e a grande diversidade de temas nos permitiram organizar um evento com mais de 50 mil m². A mostra contará com milhares de peças de mobiliário e, pela primeira vez na história do Salone del Mobile, não será apenas um evento B2B, mas também B2C. Por isso estou muito feliz com o resultado e muito orgulhoso dos meus colegas, um grupo de designers e curadores que, na minha opinião, estão atualmente entre os melhores em sua área internacionalmente.

O supersalone estará aberto para clientes finais no primeiro dia. Na sua opinião, por que uma feira não deveria mais ser restrita em termos de acesso no futuro?

Acho que o conceito que criamos para o supersalone também pode ser um modelo para a próxima edição. A presença do público em geral como visitante, no meu ponto de vista, deve ser uma constante nas feiras. Não há razão para excluir os compradores do grupo de visitantes profissionais. É por isso que decidimos por uma combinação de ofertas físicas e digitais que permitirão a todos os interessados ​​no supersalone vivenciarem o design dos produtos, comparar as empresas e os preços e depois tomar sua decisão de compra.

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