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ANÁLISE | Incerteza econômica se consolida como principal trava à decisão no setor moveleiro

A incerteza econômica no setor moveleiro se consolida como principal dificuldade para a tomada de decisão. Na nova enquete do Termômetro, o fator concentrou 51 das 70 menções agregadas, muito à frente da baixa previsibilidade da demanda, custos e crédito.

Incerteza econômica no setor moveleiro representada por ambiente de análise e tomada de decisão
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ANÁLISE | Incerteza econômica se consolida como principal trava à decisão no setor moveleiro

Nova enquete do Termômetro Setor Moveleiro mostra que incerteza econômica e de mercado concentra quase três em cada quatro menções sobre os fatores que hoje mais dificultam decisões nas empresas. O resultado reforça um sinal que vem aparecendo ao longo de 2026: o setor continua ativo, mas opera com baixa previsibilidade.

O Termômetro Setor Moveleiro desta semana acrescenta uma nova peça ao cenário que a Plataforma vem acompanhando ao longo de 2026.

Desta vez, a pergunta foi objetiva:

Qual fator hoje mais dificulta a tomada de decisão na sua empresa?

Somadas as respostas dos dois grupos consultados, foram registradas 70 menções. Desse total, 51 apontaram a incerteza econômica e de mercado como principal dificuldade.

Na sequência apareceram:

  • Incerteza econômica e de mercado: 51 menções — 72,9%

  • Baixa previsibilidade da demanda: 13 menções — 18,6%

  • Pressão sobre custos e margens: 5 menções — 7,1%

  • Juros e custo do crédito: 1 menção — 1,4%

O resultado merece atenção não apenas pela diferença entre o primeiro colocado e os demais.

Ele ajuda a responder uma questão maior: o que está efetivamente dificultando a tomada de decisão nas empresas do setor moveleiro neste momento?

E a resposta parece estar menos em um problema isolado e mais na dificuldade de enxergar o ambiente com clareza.

Nota metodológica: uma das enquetes permitia múltiplas marcações e a outra, escolha única. Por isso, a consolidação desta edição considera o número agregado de menções, e não representa percentual estatístico de respondentes únicos.

Mais do que pessimismo, falta previsibilidade

À primeira vista, “incerteza econômica e de mercado” poderia ser interpretada simplesmente como pessimismo.

Entretanto, os Termômetros anteriores sugerem uma leitura mais cuidadosa.

Na primeira enquete semanal desta nova fase, 82 participantes foram questionados sobre suas expectativas para os negócios até o final de 2026. Naquele levantamento, 46,3% disseram que o cenário ainda era muito incerto, mas apenas 6,1% esperavam perda de ritmo.

A Plataforma destacou então uma combinação particularmente interessante: havia incerteza elevada, porém sem uma expectativa predominante de deterioração.

Leia a análise da primeira enquete semanal: incerteza domina expectativas para o fim de 2026

Agora, a nova enquete aprofunda aquele sinal.

Quando perguntados não sobre expectativa, mas sobre o que efetivamente dificulta decidir, a incerteza volta a aparecer — e desta vez com uma diferença muito maior sobre os demais fatores.

Isso sugere que o problema não é necessariamente acreditar que o mercado vai piorar.

O problema pode estar em não conseguir antecipar com segurança para onde ele vai.

O Termômetro começa a mostrar uma sequência, não apenas resultados isolados

Esse ponto é importante porque o novo formato do Termômetro Setor Moveleiro foi pensado justamente para conectar sinais.

No levantamento do 2º trimestre de 2026, realizado com 88 participantes e forte predominância industrial, a Plataforma já havia identificado um mercado em situação de estabilidade parcial, forte pressão de custos e baixa previsibilidade. Naquela ocasião, 37,5% disseram que o segundo trimestre havia piorado em relação ao primeiro, enquanto 34,1% apontaram estabilidade.

Além disso, 60,2% afirmavam postergar ou condicionar decisões ao ambiente eleitoral, enquanto instabilidade política e eleições, poder de compra e inadimplência e juros altos formavam o principal núcleo de riscos percebidos para o segundo semestre.

Veja os dados completos do Termômetro Setor Moveleiro do 2º trimestre de 2026

Portanto, quando olhamos os levantamentos em sequência, começa a surgir uma linha coerente:

2º trimestre: baixa previsibilidade e cautela.

Início do último quadrimestre: expectativa incerta sobre os negócios.

Agora: incerteza econômica e de mercado aparece como principal dificuldade para decidir.

Individualmente, cada enquete registra um momento.

Juntas, começam a revelar comportamento.

Baixa previsibilidade da demanda é o segundo maior sinal

A segunda resposta mais citada foi baixa previsibilidade da demanda, com 13 menções, ou 18,6% do total agregado.

Embora esteja distante da primeira colocada, ela não deve ser tratada como um tema separado.

Na prática, incerteza econômica e dificuldade de prever demanda estão diretamente relacionadas.

Uma indústria que não consegue estimar adequadamente o ritmo dos pedidos tende a ficar mais cautelosa para comprar matéria-prima, formar estoques, contratar pessoas ou ampliar produção.

Da mesma forma, fornecedores precisam decidir quanto manter em estoque e quais linhas priorizar.

Por sua vez, o varejo precisa interpretar consumidor, giro, crédito, mix e capacidade de reposição.

Consequentemente, a baixa previsibilidade começa a atravessar toda a cadeia.

A própria análise mais ampla publicada recentemente pela Plataforma chegou a uma conclusão semelhante ao cruzar indústria, varejo e indicadores econômicos: o setor moveleiro em 2026 não parou, mas tornou-se mais seletivo e passou a exigir escolhas mais criteriosas.

Leia a análise do setor moveleiro em 2026 e os cenários para 2027

Os indicadores econômicos ajudam a explicar o sentimento

Os dados de mercado também ajudam a contextualizar essa percepção.

O IEMI projetou para 2026 um crescimento moderado: 0,5% na produção física da indústria moveleira e 1,5% no volume vendido pelo varejo.

Ao mesmo tempo, o instituto apontou inflação persistente, juros elevados, endividamento das famílias, baixo investimento privado, ambiente eleitoral e Reforma Tributária entre os fatores capazes de limitar uma expansão mais intensa.

Veja as projeções do IEMI para o setor moveleiro em 2026

A Conjuntura de Móveis divulgada pela ABIMÓVEL, elaborada pelo IEMI, também evidencia um mercado com movimentos diferentes entre os indicadores.

Em maio, por exemplo, a produção cresceu 3,4% na comparação mensal e o varejo avançou 15,3% em volume. Ainda assim, os indicadores acumulados e outras variáveis continuavam mostrando um ambiente de recuperação desigual.

Confira a Conjuntura de Móveis divulgada pela ABIMÓVEL

Assim, não existe necessariamente uma contradição entre atividade e incerteza.

Uma empresa pode estar vendendo hoje e, ainda assim, não conseguir prever com segurança quanto venderá daqui a dois ou três meses.

Esse talvez seja um dos principais retratos de 2026.

Por que juros aparecem com apenas uma menção?

Outro resultado merece interpretação.

Juros e custo do crédito receberam apenas uma menção, correspondendo a 1,4% do total consolidado.

Seria precipitado concluir que juros deixaram de preocupar o setor.

Os próprios Termômetros anteriores mostram o contrário. No segundo trimestre, 38,6% dos participantes citaram juros altos e dificuldade de crédito entre os fatores que poderiam limitar o crescimento no segundo semestre.

O resultado desta semana pode apontar para algo diferente.

Quando obrigado a escolher o fator que mais dificulta a decisão, o empresário pode estar colocando os juros dentro de uma percepção mais ampla de incerteza econômica.

O mesmo raciocínio vale para custos e margens.

No segundo trimestre, 61,4% dos participantes relataram impacto superior a 7% das matérias-primas sobre os custos produtivos. Agora, entretanto, apenas cinco menções foram diretamente para “pressão sobre custos e margens”.

Isso não significa que a pressão desapareceu.

Pode significar que o maior problema migrou de “quanto custa?” para “o que devo fazer diante do cenário?”

E essa diferença é estratégica.

Quando a visibilidade diminui, a qualidade da decisão ganha valor

Se a incerteza é hoje o principal obstáculo, a resposta empresarial não deveria ser tentar adivinhar o futuro.

Ela deveria ser reduzir a dependência de previsões únicas.

Isso passa por trabalhar cenários.

Em vez de elaborar um orçamento baseado em apenas uma expectativa de vendas, empresas podem trabalhar com faixas: cenário conservador, cenário-base e cenário de aceleração.

Da mesma forma, estoques podem ser classificados segundo giro e risco.

Investimentos podem ser divididos entre indispensáveis, estratégicos e adiáveis.

Além disso, indicadores comerciais precisam ser acompanhados com maior frequência.

O próprio IEMI destaca a importância da aquisição e interpretação de dados para decisões relacionadas a competitividade e crescimento na indústria moveleira.

Leia a análise do IEMI sobre inteligência de mercado e decisões na indústria moveleira

Em um mercado previsível, decidir rapidamente pode ser suficiente.

Em um mercado incerto, é preciso decidir rapidamente sem deixar de revisar as premissas.

O insight prático desta semana

O resultado do Termômetro leva a uma recomendação objetiva para o decisor B2B:

troque a busca pela previsão perfeita pela construção de alternativas.

Se a demanda cair, o que será ajustado primeiro?

Se permanecer estável, onde existe oportunidade de melhorar margem?

Se reagir mais rapidamente, a empresa consegue atender sem perder eficiência?

Quais investimentos podem avançar independentemente do cenário?

Quais decisões deveriam esperar mais evidências?

Responder a essas perguntas talvez seja mais útil neste momento do que tentar definir uma única previsão para os próximos meses.

Porque a incerteza não pode ser eliminada.

Mas seu impacto sobre a empresa pode ser administrado.

O que esta edição do Termômetro começa a revelar

A nova fase do Termômetro Setor Moveleiro começa a cumprir justamente o papel para o qual foi redesenhada.

Não se trata apenas de publicar uma enquete semanal.

Trata-se de observar se diferentes perguntas começam a apontar para uma mesma direção.

E os primeiros sinais apontam.

O mercado não demonstra expectativa generalizada de retração.

Porém, também não demonstra confiança suficiente para operar com alta previsibilidade.

Existe demanda, mas ela é seletiva.

Existem oportunidades, mas não estão distribuídas igualmente.

Existem empresas querendo crescer, mas muitas delas estão tomando decisões com mais cautela.

Por isso, talvez a mensagem mais relevante desta semana seja simples:

o maior risco para o setor moveleiro neste momento pode não ser um cenário ruim. Pode ser tomar decisões como se o cenário estivesse claro quando ele ainda não está.

É justamente nesse espaço entre informação, percepção e decisão que o Termômetro Setor Moveleiro pretende continuar trabalhando.

Plataforma Setor Moveleiro — Informação e inteligência para quem decide.

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