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SIMA Arapongas amplia papel do sindicato na competitividade moveleira

SIMA Arapongas inicia uma nova etapa com Irineu Borrasca na presidência. Em entrevista ao Vitrine Setor Moveleiro, ele e José Lopes Aquino analisam planejamento estratégico, inovação, associativismo e a evolução do papel das entidades empresariais

Nova diretoria do SIMA Arapongas na posse da gestão 2026-2028
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Em entrevista ao Vitrine Setor Moveleiro, José Lopes Aquino e Irineu Antonio Borrasca discutem a transformação do SIMA, a continuidade do planejamento estratégico, o Móveis Hub e um modelo de atuação que aproxima representação sindical, inovação e desenvolvimento empresarial.

A mudança de comando no SIMA — Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas abre uma discussão que vai muito além da sucessão entre dois presidentes.

José Lopes Aquino encerrou o ciclo em que esteve à frente da entidade entre 2021 e 2026. Irineu Antonio Borrasca, que participou da gestão anterior como vice-presidente, assumiu a presidência para o período 2026–2028.

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A transição, porém, não foi construída como ruptura.

Ao contrário.

Na entrevista concedida pelos dois dirigentes ao Vitrine Setor Moveleiro, aparece uma ideia central: preservar aquilo que continua essencial na atuação sindical e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade da entidade de ajudar as empresas a enfrentar desafios que hoje passam por produtividade, tecnologia, mão de obra, logística, sucessão, inovação e competitividade.

Borrasca deixa claro que a nova gestão recebe um planejamento estratégico em andamento, com dezenas de ações ainda em diferentes estágios de implantação. Para ele, dar continuidade não significa simplesmente repetir o que foi feito, mas atualizar um planejamento que precisa permanecer vivo à medida que o ambiente empresarial muda.

Essa talvez seja a principal mensagem da conversa:

o sindicato tradicional continua necessário. Mas, diante dos desafios atuais da indústria, somente o modelo tradicional já não parece suficiente.

Uma transformação que começou num período de ruptura

Aquino assumiu o SIMA em 2021, em um contexto particularmente difícil.

A pandemia alterava processos, relações comerciais e formas de trabalho. Ao mesmo tempo, Arapongas enfrentava incertezas em torno de sua tradicional agenda de feiras, com a Movelpar deixando naquele momento o município e a necessidade de construir alternativas para manter a articulação comercial do polo.

Foi nesse cenário que, segundo Aquino, uma aproximação maior entre sindicato e associados começou a revelar necessidades que iam além das funções institucionais tradicionais.

Tecnologia havia ganhado velocidade. O ambiente online avançara. Problemas comuns às empresas poderiam, em determinadas situações, ser tratados coletivamente.

Sobretudo, ficou mais evidente a possibilidade de o sindicato funcionar como ponto de articulação entre empresas que competem no mercado, mas compartilham desafios estruturais semelhantes.

Essa percepção, de certa forma, já estava presente quando Aquino assumiu a entidade. Em 2022, a própria Plataforma Setor Moveleiro registrou sua defesa de uma atuação baseada em união e colaborativismo entre as empresas, inclusive entre concorrentes, para buscar soluções conjuntas para problemas comuns. Relembre a matéria da Plataforma sobre união e colaborativismo no SIMA

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A nova diretoria do SIMA 2026-2028 é composta por:

Presidente Irineu Antonio Borrasca, da Qmovi,

Vice-presidente administrativo e institucional, Elio Sergio Pavanato, da Linea Brasil;

Vice-presidente de desenvolvimento, José Lopes Aquino, da Colibri; Diretor sindical e institucional, Eduardo Paludeto, da Albatroz;

Diretor de administração, finanças e patrimônio, Elison Cattaneo Estrada, da ME Gonçalves;

Diretor de serviços e benefícios, Gabriel Marquini Ruziska, da Fibbriare;

Diretor de desenvolvimento setorial, associativismo e competitividade, Rajanand Albano da Costa, da Atman;

Diretor de comunicação e marketing, Dalvo Marostica Junior, da DJ Móveis.

Representação continua sendo a base

Ampliar o papel do SIMA não significa abandonar sua função original.

O próprio site da entidade explicita responsabilidades como representação dos interesses do setor, assistência aos associados e celebração de convenções coletivas. Atualmente, a página de relações trabalhistas reúne convenções 2026–2027 envolvendo Arapongas e outras bases territoriais atendidas pela entidade. Convenções Coletivas do SIMA

Aquino reforça isso na entrevista.

Questões trabalhistas, sindicais e institucionais permanecem fundamentais. A mudança, segundo ele, está em acrescentar à representação uma estrutura capaz de aproximar as indústrias de recursos disponíveis em instituições como SENAI, SESI, IEL e Fiep, além de conhecimento, formação profissional e novas tecnologias.

A própria missão institucional publicada pelo SIMA vai além da representação formal ao definir como objetivo liderar o processo de desenvolvimento estratégico sustentado da indústria moveleira, de empresários, parceiros e colaboradores. Conheça a missão e as metas do SIMA

É nessa ampliação de entrega que está uma das questões mais relevantes levantadas pelo Vitrine.

Quando o sindicato passa a se aproximar da agenda da empresa

Durante a entrevista, Aquino resume a mudança de percepção: sindicatos precisam estar mais próximos das operações das empresas se pretendem contribuir para aumentar sua capacidade de competir.

Borrasca concorda e vai além.

Para o novo presidente, diante das adversidades enfrentadas pelo setor, a mudança passa a ser quase uma obrigação. A entidade precisa funcionar também como facilitadora de programas, projetos e soluções capazes de melhorar a gestão das associadas.

Essa discussão não é exclusiva de Arapongas.

Em entrevista recente à Plataforma Setor Moveleiro, o presidente da ABIMÓVEL, Irineu Munhoz, tratou de transformação semelhante em escala nacional: representação institucional continua essencial, mas entidades passam também a lidar com internacionalização, inteligência de mercado, geração de negócios, competitividade e ferramentas que cheguem efetivamente às empresas. Leia a entrevista da Plataforma com Irineu Munhoz sobre os novos caminhos da representação setorial

A ABIMÓVEL também já havia registrado uma afirmação de Aquino que sintetiza essa visão: problemas comuns às empresas podem ser enfrentados conjuntamente, com tecnologia e inovação funcionando como ferramentas para fortalecer empresas e polos. Veja a análise da ABIMÓVEL sobre integração e representatividade na indústria brasileira

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Planejamento estratégico como ponto de virada

Para Aquino, havia uma questão anterior à execução de qualquer projeto:

era necessário compreender melhor a realidade do polo, o posicionamento do próprio SIMA e aquilo que precisava ser transformado.

A ferramenta escolhida foi o planejamento estratégico.

Segundo ele, a entidade precisava de uma estrutura menos dependente da figura individual de um presidente e mais capaz de organizar a participação da diretoria, envolver associados e dar continuidade às ações ao longo das diferentes gestões.

A mudança chegou também à estrutura institucional.

Na entrevista, Aquino relata revisão de estatuto, regimento interno, redistribuição de responsabilidades e uma organização com vice-presidências e diretorias voltadas a áreas distintas. O objetivo é reduzir a excessiva centralização histórica na presidência e transformar a execução num trabalho de mais pessoas.

Esse ponto é especialmente relevante na transição.

Irineu Borrasca não chega à presidência como alguém de fora do processo.

Ele participou da construção anterior e assume justamente com o compromisso de dar sequência às ações já deliberadas, incorporando atualizações à medida que novas necessidades aparecem.

Móveis Hub: quando uma dor comum pode virar projeto coletivo

Se o planejamento organizou a transformação, o Móveis Hub tornou-se uma de suas expressões mais visíveis.

A iniciativa nasceu da percepção de que o polo precisava participar de forma mais organizada dos ecossistemas de inovação e aproximar indústrias de startups, universidades, tecnologia e novas formas de solucionar problemas.

A Plataforma acompanhou esse movimento desde sua implantação. Em 2024, durante o Painel Setor Moveleiro em Arapongas, o Móveis Hub foi apresentado como novo braço de inovação do SIMA para o polo. Veja como a Plataforma acompanhou o lançamento do Móveis Hub

Na entrevista atual, Aquino explica melhor a lógica por trás do projeto.

Mais de 20 “dores comuns” às empresas chegaram a ser identificadas. A proposta é criar ambientes nos quais essas dificuldades possam ser discutidas coletivamente e, quando possível, conectadas a soluções tecnológicas.

Um exemplo citado é o frete fracionado.

Para empresas que precisam transportar pequenos volumes por grandes distâncias, custo e eficiência logística podem se tornar problemas relevantes.

Aquino descreve um projeto em que tecnologia poderia reunir informações de cargas disponíveis em diferentes fabricantes, permitindo formar virtualmente uma carga mais eficiente antes da coleta física dos produtos. A lógica seria utilizar um problema compartilhado para buscar escala, redução de custo e melhoria do serviço.

O exemplo ajuda a explicar a diferença entre uma entidade que apenas promove debates e outra que tenta transformar debate em projeto.

O desafio agora é transformar inovação em resultado

Esse é justamente um dos pontos colocados a Borrasca.

Como impedir que inovação vire apenas uma sucessão de palestras e eventos?

Na visão do novo presidente, o Móveis Hub precisa ampliar serviços e conexões envolvendo diferentes níveis das empresas, enquanto os resultados não podem ser medidos por um único indicador.

Projetos implantados, empresas envolvidas, tecnologias adotadas, recursos captados ou novos negócios podem fazer parte dessa avaliação. A própria natureza da inovação exige revisão contínua.

A discussão também dialoga com um movimento mais amplo no setor.

O IEMI vem destacando que dados e inteligência de mercado passaram a ter impacto direto sobre decisões estratégicas, competitividade e crescimento. Leia a análise do IEMI sobre inteligência de mercado e competitividade na indústria moveleira

Mais recentemente, o Brasil Móveis 2026 passou a reunir informações sobre produção, consumo, emprego, investimentos e comércio exterior, reforçando justamente a necessidade de compreender a estrutura do mercado antes de tomar decisões. Conheça o Brasil Móveis 2026 do IEMI

Para uma entidade empresarial, isso significa que gerar competitividade também passa por ajudar o associado a ter acesso a conhecimento, conexões e instrumentos que sozinho teria mais dificuldade de construir.

Mão de obra, sucessão e uma geração que precisa se aproximar

Outro elemento importante da conversa é a renovação das lideranças.

Aquino observa que muitas empresas do polo atravessam processos de sucessão e que médias gerências e sucessores precisam se aproximar mais das iniciativas coletivas.

Na sua avaliação, inovação e tecnologia têm inclusive capacidade de tornar a entidade mais atraente para empresários e gestores mais jovens.

Borrasca também destaca a questão da mão de obra entre os desafios das empresas e cita programas de capacitação, câmaras setoriais e iniciativas construídas em parceria com a Fiep para atender necessidades específicas de diferentes portes de indústria.

A discussão é relevante porque competitividade industrial não depende apenas de máquinas.

Depende de gente capaz de operá-las, interpretar dados, administrar processos, desenvolver produtos, vender, inovar e liderar transformações.

Colaborar com concorrentes continua sendo um dos desafios

Existe, contudo, uma barreira cultural.

Um polo industrial é formado por empresas concorrentes.

Elas compartilham dificuldades, mas também possuem informações estratégicas que precisam permanecer dentro de cada negócio.

Aquino define essa fronteira como um dos pontos mais sensíveis do associativismo: compreender o que precisa permanecer exclusivo da empresa e o que pode ser compartilhado porque aumenta a competitividade coletiva.

Borrasca classifica o processo como mudança cultural.

E mudança cultural exige tempo.

Esse talvez seja um dos testes mais importantes do novo modelo.

Projetos coletivos precisam produzir valor suficiente para estimular adesão sem ultrapassar os limites estratégicos de cada empresa.

O tema não é novo em Arapongas. O próprio conceito de Arranjo Produtivo Local apresentado pelo SIMA parte da coexistência entre concentração empresarial, cooperação, qualificação, design, produtividade e busca de mercados. Conheça a visão do SIMA sobre o APL moveleiro de Arapongas

A feira de Arapongas também entra nessa discussão

A entrevista aborda ainda o futuro da feira realizada no polo.

Aquino e Borrasca defendem a importância de Arapongas manter uma feira capaz de dar visibilidade às indústrias e gerar negócios para a região.

Ao mesmo tempo, reconhecem que ainda existem questões em discussão e que seria prematuro apresentar uma solução definitiva.

Segundo Borrasca, há alinhamentos em andamento, mas mudanças na infraestrutura tradicionalmente utilizada para os eventos e a necessidade de articulação entre entidade, empresas e poder público tornam o tema mais complexo.

A fala é importante justamente pela cautela.

A feira aparece não apenas como evento comercial, mas como uma das ferramentas de articulação e visibilidade de um polo.

O legado e a próxima etapa

Questionado sobre seu principal legado, Aquino não escolhe uma feira, projeto ou estrutura específica.

Ele aponta para uma mudança de posicionamento da própria entidade.

Na sua leitura, o principal avanço foi despertar o SIMA para a necessidade de ser mais aderente ao potencial industrial de Arapongas e de participar efetivamente da melhoria dos resultados das empresas, sem abandonar suas responsabilidades legais, sindicais e trabalhistas.

Borrasca assume justamente a responsabilidade de transformar essa estrutura em continuidade e entrega.

Seu compromisso declarado é seguir o planejamento já elaborado, inclusive porque algumas ações são de médio e longo prazo e ainda não foram concluídas ou iniciadas.

Portanto, a nova gestão não começa numa folha em branco.

Começa diante de uma pergunta mais difícil:

como transformar estrutura, planejamento e intenção em valor percebido pelo associado?

O sindicato moveleiro do futuro

No encerramento do Vitrine Setor Moveleiro, os dois entrevistados foram convidados a completar uma frase:

“O sindicato moveleiro do futuro precisa ser...”

Aquino escolheu uma entidade mais aderente à transformação dos resultados de seus associados e conectada às mudanças provocadas por tecnologia, globalização e novas formas de competir.

Borrasca acrescentou outra palavra:

atraente.

Na sua visão, a entidade precisa ser capaz de promover desenvolvimento, inovação e serviços que reforcem o associativismo e aproximem as empresas.

As duas respostas ajudam a resumir a conversa.

O futuro não parece apontar para o abandono do sindicato tradicional.

Aponta para sua ampliação.

Representar.

Defender interesses.

Conduzir relações coletivas.

Mas também conectar.

Antecipar.

Organizar conhecimento.

Aproximar tecnologia.

Construir projetos.

E criar condições para que desafios que seriam difíceis de enfrentar individualmente possam, quando fizer sentido, ganhar respostas coletivas.

Para Arapongas, a mudança de presidência do SIMA é, portanto, menos uma troca de comando e mais um teste de continuidade.

Para o restante do setor moveleiro brasileiro, a experiência deixa uma questão ainda maior:

quanto uma entidade empresarial pode contribuir para a competitividade das empresas que representa?

Assista à entrevista completa no Vitrine Setor Moveleiro

A conversa entre José Lopes Aquino e Irineu Antonio Borrasca aprofunda temas como planejamento estratégico, inovação, Móveis Hub, sucessão empresarial, mão de obra, colaboração entre concorrentes, futuro da feira de Arapongas e o novo papel das entidades de representação.

Assista à entrevista completa no canal da Plataforma Setor Moveleiro no YouTube.

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Acesse o canal Setor Moveleiro no YouTube

Conheça também as demais entrevistas e conteúdos do Vitrine Setor Moveleiro, produto editorial da Plataforma dedicado às empresas, lideranças, projetos e movimentos que ajudam a transformar a cadeia do mobiliário. Vitrine Setor Moveleiro

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