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Fusão de culturas: o desafio após unir seis empresas

Fusão de culturas empresariais exige mais do que unificar marcas. Renato Valcarengh Nunes analisa os desafios de integrar pessoas, processos, identidades e relações sem apagar o legado dos negócios que deram origem à nova empresa.

Renato Valcarengh Nunes, CEO da Koria e Diretor de Comunicação da MOVERGS, em destaque na Coluna Opinião sobre fusão de culturas empresariais e integração de empresas
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Por Renato Valcarengh Nunes
CEO da Koria e Diretor de Comunicação da MOVERGS

Quando diversas empresas passam a atuar sob uma única marca, a mudança vai além de trocar logotipos ou reorganizar estruturas. O desafio é aproximar culturas, hábitos e formas diferentes de decidir.

A fusão de culturas empresariais acontece quando diferentes empresas passam a atuar sob uma única marca. Nesse processo, a mudança vai além de trocar logotipos ou reorganizar estruturas. O desafio é aproximar culturas, hábitos e formas diferentes de decidir.

A Koria passou por uma transformaçã que marcou uma etapa do seu crescimento. A empresa reuniu quatro negócios, Aspersul, Arpi, Orange e Arply, sob uma única marca. Especificamente no segmento moveleiro, onde algumas das empresas já eram referências, era necessário preservar a confiança conquistada e construir uma identidade capaz de representar um portfólio ainda mais amplo de soluções.

Essa trajetória pode ser compreendida também pela própria história da empresa. A evolução das marcas que deram origem à Koria mostra como diferentes negócios, tecnologias e experiências foram incorporados ao longo dos anos até a unificação realizada em 2025. Koria

Uma marca não apaga histórias

Em fusões, é comum concentrar esforços em sistemas, processos, metas e comunicação visual. No entanto, a integração também aparece no cotidiano: na troca de informações, no atendimento e nas decisões.

Integrar não significa fazer todos agirem da mesma forma. Significa reconhecer o que cada negócio tem de melhor, compreender diferenças e construir referências comuns. Dessa forma, a história anterior pode compor o patrimônio da nova empresa.

Esse princípio também aparece na discussão sobre cultura organizacional na indústria moveleira. A cultura nasce de hábitos, valores e experiências acumuladas e, justamente por isso, não pode simplesmente ser copiada ou substituída por decreto. Setor Moveleiro

Esse equilíbrio exige que a nova marca não seja percebida como vencedora de uma disputa entre as anteriores, mas como resultado da contribuição de todas elas.

Cada empresa traz conhecimentos técnicos, relações comerciais, experiências de mercado e modos próprios de resolver problemas.

Por isso, reconhecer esse legado ajuda as equipes a compreenderem seu lugar na nova estrutura e permite que a organização avance sem desperdiçar aprendizados construídos ao longo dos anos.

O desafio está em transformar essa diversidade em uma vantagem compartilhada.

Comunicação que vira prática

O primeiro passo é explicar para colaboradores, clientes e parceiros por que a unificação acontece, o que muda e o que permanece.

Quando a comunicação deixa lacunas, surgem insegurança e resistência. Nesse contexto, a liderança precisa ouvir dúvidas e traduzir a estratégia em decisões.

As equipes devem participar dos novos processos. Além disso, valores não podem ficar restritos a apresentações: precisam aparecer nas prioridades e decisões.

Antes de substituir práticas, vale entender por que funcionam. Afinal, padronizar só faz sentido quando melhora o resultado.

Essa preocupação encontra paralelo no debate sobre gestão de pessoas e construção de uma cultura organizacional forte. Propósito, pertencimento, alinhamento de valores e coerência da liderança influenciam diretamente a capacidade de formar equipes coesas. Setor Moveleiro

A comunicação, porém, só ganha credibilidade quando encontra correspondência nas atitudes.

Se a empresa propõe uma identidade comum, deve garantir que todos compreendam os objetivos e tenham espaço para contribuir.

Assim, é nesse encontro entre o que se diz e o que se faz que a integração deixa de ser um plano e começa a fazer parte da rotina.

Cultura se constrói no cotidiano

Dessa forma, a integração depende de convivência, objetivos compartilhados e coerência entre discurso e atitude.

Projetos entre áreas, troca de conhecimento e escuta ajudam a criar vínculos. Ao mesmo tempo, se a colaboração é um valor, metas e decisões não podem estimular competição interna.

Esse ponto ganha ainda mais importância porque os desafios de integração não são exclusivos de uma empresa. Ao analisar uma grande fusão no próprio setor moveleiro, a Plataforma Setor Moveleiro destacou que integrar operações, culturas organizacionais e estratégias exige uma gestão cuidadosa. Setor Moveleiro

No mercado moveleiro, essa construção também chega ao cliente.

É preciso comunicar o que a nova empresa oferece e como a união amplia as possibilidades de atendimento.

Uma identidade comum funciona quando há continuidade no relacionamento e capacidade real de entrega.

Nesse sentido, a relação entre marca e mercado também merece atenção. Pesquisa do IEMI sobre como o varejo avalia as marcas brasileiras de móveis mostra que relacionamento, performance comercial, atratividade, margem e suporte integram a avaliação das marcas pelos lojistas. IEMI - Inteligência de Mercado

Portanto, construir uma nova identidade não envolve apenas os colaboradores. A percepção de clientes e parceiros também participa desse processo.

Integração também é competitividade

Movimentos como fusões, aquisições e sucessões familiares podem marcar novos passos na trajetória de uma empresa. Entretanto, precisam ser conduzidos com responsabilidade, considerando tanto a cultura interna quanto, principalmente, os impactos para os clientes.

A própria agenda recente da indústria moveleira reforça essa visão. A ABIMÓVEL tem colocado pessoas, sucessão empresarial, gestão, inovação e competitividade entre os temas estratégicos para o desenvolvimento do setor. Abimóvel

Além disso, a entidade destaca que a competitividade depende cada vez mais da capacidade de integrar diferentes frentes — informação, tecnologia, pessoas, design, produção, canais de venda e mercados. Abimóvel

Esse é um trabalho contínuo, que exige escuta e tempo.

Na Koria, a unificação conectou experiências, tecnologias e conhecimentos. A integração se constrói nas relações e no trabalho diário.

No fim, uma fusão se completa quando as pessoas reconhecem o que podem realizar juntas, sem apagar aquilo que tornou cada negócio relevante.

Renato Valcarengh Nunes é
CEO da Koria e Diretor de Comunicação da MOVERGS.

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