TERMÔMETRO | Margem e caixa no setor moveleiro concentram 71,8% das marcações
Margem e caixa no setor moveleiro aparecem como prioridade no novo Termômetro. A proteção de resultado concentrou 71,8% das marcações, enquanto somente 5,6% apontaram adiamento de decisões e investimentos.

Nova edição do Termômetro Setor Moveleiro mostra empresas predominantemente defensivas, mas não paralisadas. Apenas 5,6% das marcações indicam adiamento de decisões e investimentos, enquanto 19,7% apontam intenção de acelerar vendas e buscar crescimento.
Margem e caixa no setor moveleiro aparecem no centro das decisões empresariais neste momento.
Na nova edição do Termômetro Setor Moveleiro, 51 das 71 marcações agregadas — 71,8% — foram para a alternativa “reduzir riscos e proteger margem/caixa”.
A pergunta apresentada aos participantes foi:
“Diante do cenário atual, qual é hoje a postura predominante da sua empresa?”
A opção “acelerar vendas e buscar crescimento” recebeu 14 marcações, equivalentes a 19,7%.
“Adiar decisões e investimentos relevantes” somou 4 menções, ou 5,6%.
E apenas duas marcações — 2,8% — foram para “manter o ritmo e preservar posição”.
À primeira vista, o resultado revela uma postura defensiva.
Entretanto, a informação mais interessante talvez esteja justamente no que não aparece.
A grande maioria não declarou estar esperando.
Está tentando continuar operando, mas com maior proteção.
O setor está cauteloso, mas não parado
Se o principal comportamento empresarial fosse simplesmente adiar decisões diante da incerteza, seria razoável encontrar uma participação muito maior na alternativa “adiar decisões e investimentos”.
Não foi o que aconteceu.
Somente 5,6% das marcações seguiram essa direção.
Também chama atenção o fato de apenas 2,8% terem indicado uma postura de simplesmente manter o ritmo atual.
Por outro lado, quase um quinto das menções aponta para uma posição explicitamente ofensiva: acelerar vendas e buscar crescimento.
Isso produz uma fotografia mais complexa.
O Termômetro não mostra um setor imobilizado.
Mostra empresas aparentemente tentando continuar em movimento, porém escolhendo com mais cautela onde colocar capital, conceder prazo, assumir risco ou buscar crescimento.
É uma diferença importante.
Cautela não é necessariamente paralisia.
A terceira enquete começa a completar uma sequência
O principal valor deste resultado aparece quando ele é colocado ao lado das duas edições anteriores da nova fase do Termômetro.
Na primeira, realizada no início do último quadrimestre, 82 participantes responderam sobre suas expectativas para os negócios até o fim de 2026.
Na ocasião, 46,3% disseram considerar o cenário ainda muito incerto. Ao mesmo tempo, apenas 6,1% esperavam perda de ritmo nos negócios.
A leitura feita pela Plataforma foi justamente que incerteza não significava necessariamente pessimismo. Havia dificuldade de enxergar o futuro com clareza, mas não uma expectativa disseminada de retração. Leia a primeira análise desta nova fase do Termômetro Setor Moveleiro.
Na semana seguinte, a pergunta avançou.
Em vez de perguntar sobre expectativa, o Termômetro quis saber qual fator mais dificultava a tomada de decisão nas empresas.
A incerteza econômica e de mercado concentrou 51 das 70 menções — 72,9% —, muito acima das demais alternativas. Veja a análise sobre a incerteza econômica nas decisões do setor.
Agora, a terceira pergunta muda novamente o ângulo.
Não estamos perguntando apenas como o empresário enxerga o cenário.
Nem apenas o que dificulta a decisão.
Estamos tentando entender:
o que as empresas estão fazendo diante disso?
E a principal resposta é proteger margem e caixa.
Incerteza, decisão e comportamento
É importante evitar uma conclusão estatística que as enquetes não permitem.
As três rodadas têm bases e mecanismos de votação diferentes. Portanto, não é possível afirmar que uma resposta causou a outra.
Entretanto, como série de sinais qualitativos, existe uma sequência que merece atenção:
primeiro aparece a baixa visibilidade sobre os próximos meses; depois, a incerteza surge como principal dificuldade para decidir; agora, a resposta empresarial predominante é reduzir riscos e proteger resultado.
Isso começa a transformar o Termômetro em algo diferente de uma sucessão de perguntas semanais.
Ele passa a permitir uma leitura de comportamento ao longo do tempo.
E esse talvez seja justamente um dos ativos mais importantes que a Plataforma pode construir com o projeto.
Os indicadores ajudam a explicar a postura defensiva
O ambiente setorial oferece razões para essa cautela.
A produção brasileira de móveis e colchões cresceu 3,4% em maio na comparação com abril, alcançando 35,6 milhões de peças. Entretanto, no acumulado entre janeiro e maio, o setor ainda produzia 2% menos do que no mesmo período de 2025.
A ABIMÓVEL define o quadro como uma recuperação de algum fôlego no mercado interno, mas ainda sobre uma base enfraquecida. Veja a Conjuntura ABIMÓVEL do segundo trimestre.
Essa combinação importa.
Há atividade.
Há reação em determinados indicadores.
Mas isso ainda não significa uma trajetória suficientemente consistente para devolver previsibilidade às empresas.
O IEMI também vinha projetando para 2026 um cenário de crescimento moderado, com estimativa de avanço de 0,5% na produção física e de 1,5% no varejo em volume, enquanto juros elevados, endividamento das famílias e baixa taxa de investimento privado permaneciam entre os fatores capazes de limitar o desempenho. Confira a projeção do IEMI para o setor moveleiro em 2026.
Portanto, a postura identificada pelo Termômetro não aparece isoladamente.
Ela surge em um mercado que continua funcionando, mas no qual a convicção sobre o próximo movimento permanece limitada.
Proteger margem não significa simplesmente vender menos
O resultado também exige cuidado com outra interpretação.
Escolher “reduzir riscos e proteger margem/caixa” não significa necessariamente que a empresa pretende diminuir sua atividade.
Pode significar que a qualidade da venda ganhou importância.
Uma empresa pode crescer em faturamento e, simultaneamente, deteriorar seu resultado.
Isso acontece, por exemplo, quando vende mais com descontos excessivos, amplia prazos, aumenta estoque ou eleva demasiadamente a necessidade de capital de giro.
Por isso, margem deixa de ser apenas um número observado depois que a venda aconteceu.
Ela passa a interferir na própria decisão de vender.
Quais clientes merecem determinado prazo?
Até onde vale conceder desconto?
Qual produto realmente contribui para o resultado?
Qual pedido consome capital demais?
Essas são perguntas diferentes de simplesmente:
“Quanto estamos vendendo?”
Caixa revela mais do que disponibilidade financeira
A mesma lógica se aplica ao caixa.
Caixa não representa apenas dinheiro disponível.
Representa também capacidade de escolha.
Uma empresa financeiramente pressionada pode ser obrigada a aceitar condições comerciais que não aceitaria em outro momento.
Pode comprar pior.
Tomar crédito mais caro.
Antecipar recebíveis.
Adiar manutenção.
Reduzir investimento.
Ou aceitar pedidos pouco rentáveis simplesmente para gerar liquidez.
Por isso, quando 71,8% das marcações apontam para redução de riscos e proteção de margem e caixa, talvez o que esteja aparecendo seja uma preocupação maior em preservar liberdade para continuar decidindo.
E os 19,7% que querem acelerar?
O segundo grupo mais expressivo também merece atenção.
Quase um quinto das marcações indicou “acelerar vendas e buscar crescimento”.
Ou seja, o mercado não apresenta um comportamento uniforme.
Existem empresas enxergando espaço para avançar.
Isso pode decorrer de produtos diferentes, regiões diferentes, estruturas financeiras mais fortes, ganhos recentes de competitividade ou oportunidades específicas.
O dado ajuda a evitar uma leitura excessivamente negativa do Termômetro.
Se 71,8% estão priorizando proteção, isso não significa que 71,8% estejam recuando.
Da mesma forma, os 19,7% mais ofensivos mostram que algumas empresas podem estar encontrando oportunidade justamente num ambiente em que outras preferem maior cautela.
Por isso, talvez a palavra mais adequada não seja retração.
Seja seletividade.
A matéria estratégica e o Termômetro mostram coisas diferentes
A leitura desta enquete também dialoga com uma análise mais ampla produzida recentemente pela Plataforma sobre como atravessar a incerteza de 2026 e preparar 2027.
Naquela análise, margem, caixa, cenários e capacidade de reação apareceram como pontos importantes para empresas da cadeia.
O Termômetro agora acrescenta uma informação diferente.
A análise estratégica discutia o que as empresas precisam considerar diante do cenário.
A enquete começa a mostrar como parte dos empresários está efetivamente reagindo a ele.
Essa distinção é importante.
O Termômetro não pretende substituir a análise econômica.
Ele acrescenta a percepção de quem está tomando decisões dentro das empresas.
O contexto exige mais informação, não necessariamente mais previsões
O novo Brasil Móveis 2026, apresentado pelo IEMI, reúne dados sobre produção, consumo, emprego, investimentos e comércio exterior justamente para oferecer uma leitura mais integrada da cadeia.
Da mesma forma, o Guia Setorial das Indústrias do Mobiliário, da ABIMÓVEL, foi estruturado para reunir dados, contexto regulatório e referências estratégicas capazes de apoiar decisões empresariais.
Isso reforça um ponto relevante para o momento atual.
Em períodos de menor previsibilidade, o papel da inteligência de mercado não é necessariamente dizer com certeza o que acontecerá.
É diminuir a quantidade de decisões tomadas sem contexto.
Participação praticamente se estabiliza nesta rodada
Esta edição registrou 71 marcações agregadas.
Na rodada anterior foram 70.
Em volume bruto, portanto, houve estabilidade depois da redução observada entre a primeira enquete desta nova fase, com 82 respostas, e a segunda.
Entretanto, os números não são perfeitamente comparáveis.
Nesta edição, um dos grupos permitia selecionar mais de uma alternativa, enquanto o outro trabalhava com escolha única.
Por essa razão, 71 deve ser entendido como número total de marcações e não necessariamente como 71 participantes diferentes.
O desafio de participação continua existindo.
Mas, neste momento, talvez exista uma questão ainda mais importante do que simplesmente aumentar a quantidade de respostas:
construir continuidade.
Quanto mais os participantes perceberem que cada enquete produz uma análise, que a análise retorna ao grupo e que uma pergunta se conecta à seguinte, maior tende a ser a percepção de utilidade do Termômetro.
De três perguntas começa a surgir uma história
Talvez seja essa a principal conclusão desta edição.
A primeira enquete disse:
“Ainda temos dificuldade para enxergar os próximos meses.”
A segunda:
“A incerteza é hoje uma das maiores dificuldades para decidir.”
A terceira começa a mostrar a resposta:
“Diante disso, estamos protegendo margem, caixa e exposição ao risco.”
Separadamente, são resultados de três enquetes.
Conectados, começam a formar uma história.
E é justamente nessa conexão que o Termômetro Setor Moveleiro pode ganhar importância como produto de inteligência.
Não apenas perguntar.
Não apenas contabilizar respostas.
Mas acompanhar sinais.
Compará-los.
Identificar mudanças.
E tentar compreender como o setor está decidindo enquanto o cenário também muda.
Nesta semana, o sinal é bastante claro:
o setor está cauteloso.
Mas, pelos resultados, não está parado.


