A transformação digital está cada vez mais presente no setor moveleiro brasileiro. Pressionadas por um mercado competitivo e por consumidores mais exigentes, as indústrias buscam novas formas de se destacar. Nesse cenário, o uso do Big Data surge como um recurso estratégico para ampliar a eficiência operacional, tomar decisões mais seguras e alcançar resultados mais expressivos.
Embora o termo possa parecer técnico demais, ele está ganhando espaço em empresas de todos os portes. Com o apoio de plataformas acessíveis e o avanço da cultura analítica, gestores conseguem extrair valor de seus próprios dados, otimizando processos de produção, vendas e logística. Mas a implementação não é simples e envolve desafios técnicos, estratégicos e culturais.
Com o avanço das soluções digitais e a pressão por produtividade, o setor moveleiro vive um ponto de virada. Utilizar dados de forma estratégica deixou de ser uma escolha: é uma exigência para competir em um mercado cada vez mais dinâmico. Nesta matéria, você vai entender o que é Big Data, como aplicá-lo na prática e quais resultados reais ele pode trazer. Ainda mais:
- Afinal, o que é Big Data e por que ele importa na indústria moveleira?
- Quais dados são mais estratégicos para melhorar a eficiência operacional?
- Como pequenas empresas podem adotar essa tecnologia?
- Quais são os maiores desafios para implementar Big Data no setor atualmente?
- O que esperar do futuro com a análise de dados em tempo real?
Big Data: uma nova fronteira para a indústria moveleira
Big Data é o nome dado ao uso massivo de dados — internos ou externos — para gerar informações relevantes que orientam decisões empresariais. No setor moveleiro, ele pode representar o caminho para melhorar o desempenho industrial, otimizar custos logísticos e identificar tendências de consumo com precisão.
De acordo com um estudo da McKinsey & Company (2022), empresas que adotam o Big Data aumentam sua eficiência operacional em até 20% e reduzem custos em 10%. Essa mudança de mentalidade não se limita às gigantes do mercado. Empresas de médio e pequeno porte também podem colher os benefícios ao estruturar corretamente suas bases de dados.
Leonardo Matt, diretor comercial da Solusoft Informática Ltda, explica que os dados mais úteis se dividem em dois grupos: os de mercado e os internos. “Os dados de mercado orientam o marketing e o planejamento estratégico. Já os internos — como vendas, produção e estoque — ajudam no dia a dia das decisões operacionais”, diz.

Dados internos: o mapa do desempenho da empresa
Para muitos gestores, a fonte de dados mais importante está dentro da própria empresa. Sistemas de ERP, como destaca Marco Kumura, CEO da Klarz Inteligência, já concentram informações valiosas. “A base do ERP traz o histórico de vendas, o comportamento dos clientes e a performance de produtos. É uma mina de ouro, se bem analisada”, afirma.
Essas informações permitem enxergar oportunidades para aumentar vendas, melhorar o portfólio e reativar clientes inativos. “Com esse tipo de análise, o gestor identifica padrões, visualiza gargalos e define ações com muito mais segurança”, acrescenta Kumura. Ele reforça que esse processo é essencial para empresas que desejam ser verdadeiramente orientadas por dados.
Além disso, a análise cruzada entre vendas e comportamento do cliente revela oportunidades para lançamentos de produtos. Com base na performance comercial, é possível entender o que o mercado valoriza e ajustar a produção de forma mais eficiente. Isso reduz desperdícios e aumenta a assertividade nas estratégias.
Pequenas e médias também podem usar Big Data
Ao contrário do que muitos imaginam, o Big Data não é restrito a grandes fabricantes. “Big Data é um conceito, e há ferramentas acessíveis inclusive a microempresas”, afirma Leonardo Matt. Segundo ele, soluções Google Looker, Power BI, Super BI e versões gratuitas de softwares pagos já permitem análises significativas.
O desafio, muitas vezes, está na capacidade da equipe para usar esses sistemas. “Se tudo depender de técnicos em TI, há gargalos. Por isso, surgiram os citizen developers: profissionais comuns que aprendem a lidar com dados”, explica Matt. Essa nova realidade democratiza o acesso à análise e aumenta a autonomia dos departamentos.
Outro ponto importante é o aproveitamento de dados públicos, como os disponíveis em fontes governamentais ou redes sociais. Ao cruzá-los com os dados internos, mesmo uma empresa pequena consegue definir seu público-alvo, posicionar melhor seus produtos e enxergar oportunidades em novos mercados.
Os desafios da aplicação prática do Big Data
Mesmo com tantas vantagens, implementar o Big Data na gestão operacional não é tarefa simples. O primeiro obstáculo é saber o que coletar. Sem foco, o excesso de dados pode confundir em vez de ajudar. “É preciso entender o objetivo da análise, saber onde se quer chegar”, destaca Matt.
Depois de definido o foco, vêm os desafios tecnológicos. Encontrar ferramentas capazes de coletar, processar e apresentar os dados com clareza exige investimento — e também capacitação. Além disso, as decisões com base em dados só funcionam quando integradas à estratégia. “Sem um bom plano, os números viram apenas estatísticas soltas”, conclui.
Outro entrave frequente está na resistência cultural. Muitas empresas ainda tomam decisões com base em intuição ou “achismos”. Mudar essa mentalidade exige tempo, treinamento e liderança engajada. Mas, quando o processo funciona, os resultados aparecem de forma concreta e duradoura.
Dados em tempo real: será mesmo necessário?
Com o aumento da digitalização, cresceu também a demanda por dados em tempo real. No entanto, esse tipo de análise exige poder de processamento elevado — e, muitas vezes, o custo não compensa. “É preciso avaliar se o tempo real é realmente necessário para cada processo”, pondera Kumura.
Segundo ele, cerca de 80% das decisões podem ser tomadas com base em relatórios atualizados diariamente. “O importante é que as informações estejam disponíveis online, para acesso rápido a qualquer hora e lugar”, afirma. Essa condição já é viável para empresas de todos os tamanhos, graças à popularização de soluções em nuvem.
Para muitos negócios, o mais relevante é garantir que os dados estejam organizados, confiáveis e disponíveis. Ter acesso a uma base limpa, atualizada e bem estruturada é mais vantajoso do que investir em tecnologias sofisticadas sem necessidade clara.

A informação como ativo estratégico do setor moveleiro
De acordo com o IEMI – Inteligência de Mercado, o setor moveleiro brasileiro movimentou R$ 78 bilhões em 2023. Neste contexto, o uso de dados para melhorar a gestão de operações pode ser o diferencial que separa empresas competitivas daquelas que ficam para trás. Ao entender melhor seus processos, identificar padrões e antecipar movimentos do mercado, as indústrias de móveis aumentam sua eficiência e reduzem riscos. A implementação de soluções baseadas em Big Data não é uma tendência passageira, mas uma mudança de paradigma. Para o futuro, espera-se que a análise de dados se torne ainda mais integrada às decisões de negócio. Quem souber transformar informação em estratégia terá mais chances de prosperar em um mercado que exige, cada vez mais, agilidade, precisão e visão analítica.