Feiras de negócios na era digital: ainda vale a pena investir?

Feiras de negócios na era digital: ainda vale a pena investir?

Na era da transformação digital, em que o networking se faz por cliques e a prospecção de clientes pode ser automatizada por algoritmos, as feiras de negócios presenciais continuam ocupando um papel estratégico em diversos setores. Mesmo com ferramentas tecnológicas cada vez mais avançadas, eventos presenciais seguem atraindo empresas, profissionais e compradores em busca de oportunidades que ultrapassam o que é possível em uma videoconferência. A dúvida que surge, no entanto, é inevitável: será que ainda vale a pena investir tempo, equipe e orçamento em grandes feiras presenciais? Ou esses eventos tornaram-se ações institucionais com pouco retorno tangível?

A resposta, ao que tudo indica, está em uma combinação de fatores. Ao mesmo tempo em que a digitalização oferece novos canais de comunicação, ela também reforça o valor das conexões humanas. Nesse cenário híbrido, as feiras presenciais ganham novo significado: não são apenas vitrines de produtos, mas pontos de encontro qualificado entre marcas e seus públicos. Para setores como o moveleiro, que depende do contato direto, da observação de tendências e da confiança no relacionamento, esses eventos continuam sendo fundamentais. Empresas como a Delucci Móveis e o Grupo MM seguem apostando fortemente nessas ações, e os números comprovam que os resultados vão além da visibilidade. Nesta matéria, você vai entender os motivos pelos quais as feiras ainda são relevantes em tempos digitais. Ainda mais:

  • As feiras de negócios ainda geram retorno tangível ou viraram ações institucionais?
  • Afinal, quais os principais diferenciais competitivos de uma feira presencial na era digital?
  • Como eventos físicos e estratégias digitais podem se complementar?
  • Quais os benefícios e os desafios atuais de investir em feiras atualmente?
  • As feiras estão em declínio ou se adaptaram a uma nova realidade?

A força das conexões presenciais ainda dita o ritmo

Mesmo com todas as facilidades dos canais digitais, o contato presencial continua sendo um diferencial inegável. “Nada substitui o olho no olho”, afirma Cíntia Weirich, fundadora e CEO da Delucci Móveis e presidente do Sindmóveis de Bento Gonçalves. Para ela, as feiras de negócios promovem relações humanas autênticas, algo que os meios digitais ainda não conseguem replicar com a mesma força.

Segundo Cíntia, o valor vai além da exposição de produtos. Em grandes eventos como a Movelsul Brasil, os expositores têm a chance de observar tendências, avaliar a concorrência, testar novas abordagens e alinhar parcerias estratégicas. “É um momento ímpar para acessar públicos qualificados, especialmente lojistas, arquitetos e importadores de vários países”, diz. A edição de 2025 da Movelsul, por exemplo, reuniu mais de 19 mil visitantes de 47 países, evidenciando seu alcance e relevância internacional.

Resultados concretos: leads e vendas gerados em tempo real

Além do relacionamento, as feiras seguem sendo espaço para conversão direta. Marcio Pauliki, CEO do Grupo MM, destaca que os resultados são bastante mensuráveis. “Conseguimos mais de 200 novos contatos por feira, dos quais convertimos 60% em vendas. Isso representa uma média superior a 120 novos clientes por evento”, afirma.

Marcio Pauliki
De acordo com Marcio Pauliki, CEO do Grupo MM, as feiras de negócios geram resultados concretos, com mais de 200 novos leads por evento e alta conversão em vendas.

Os números reforçam que o investimento vai além do branding institucional. Segundo levantamento da UFI (The Global Association of the Exhibition Industry), 81% das empresas afirmaram, em 2023, que as feiras são a melhor ferramenta para o lançamento de novos produtos e serviços. O dado mostra que a participação presencial ainda está atrelada a resultados práticos, desde geração de leads até fechamento de negócios em tempo real.

Digital e presencial: um casamento necessário para ampliar resultados

Apesar da força do presencial, a integração com o digital se tornou estratégica. “As ferramentas online servem para aquecer as conexões antes da feira e prolongar os contatos após ela”, pontua Cíntia. Isso significa que não se trata de escolher entre um modelo ou outro, mas sim de combiná-los de forma complementar.

Marcio reforça essa lógica. Ele explica que o Grupo MM já trabalha com ações omnichannel durante os eventos. “Enquanto prospectamos presencialmente, ativamos campanhas em tempo real, segmentadas para quem está nas cidades próximas. Convidamos o público via mídia digital para nos visitar presencialmente”, explica. Essa atuação híbrida potencializa o tráfego no estande, melhora a conversão e amplia o alcance da marca.

Reinvenção e regionalização como caminhos para o futuro

Durante a pandemia, muitas empresas migraram para eventos online. No entanto, passado o período crítico, o que se observou foi o retorno em massa às feiras presenciais. “Houve quem apostasse no declínio dos eventos físicos, mas o mercado provou o contrário. As feiras estão mais fortes do que nunca”, avalia Cíntia.

Para Marcio Pauliki, o futuro do setor passa por uma reinvenção dos modelos e, ao mesmo tempo, por uma descentralização. “As grandes feiras nacionais podem até ter perdido um pouco de espaço. Mas as feiras regionais, bem organizadas e realizadas no interior do país, estão ganhando muita força”, destaca. Em 2025, o Grupo MM pretende participar de 15 feiras, superando as 12 de 2024 — uma clara sinalização de que o formato segue gerando valor.

Benefícios estratégicos para expositores e visitantes

Participar de uma feira de negócios não é apenas uma ação pontual. Trata-se de uma construção de marca, autoridade e relacionamento que se estende ao longo de meses. O contato direto acelera negociações, humaniza as interações e permite insights sobre comportamento de mercado em tempo real. Além disso, proporciona acesso a palestras, lançamentos e painéis com especialistas.

Cíntia Weirich
De acordo com Cíntia Weirich, fundadora e CEO da Delucci Móveis e presidente do Sindmóveis de Bento Gonçalves, participar de uma feira é uma oportunidade estratégica para reforçar a marca, estreitar relacionamentos e acessar públicos altamente qualificados.

Segundo relatório da AMR International, as feiras continuarão sendo essenciais especialmente em mercados B2B até 2030. O documento destaca que empresas que mantêm presença ativa em feiras aumentam em até 25% suas chances de fidelizar novos clientes. Com isso, o investimento se justifica não apenas em termos de retorno imediato, mas também no médio e longo prazo.

Desafios e adaptação: o que é preciso para obter bons resultados

Apesar de seus benefícios, participar de uma feira exige planejamento. Os custos com montagem, logística, equipe, marketing e produção de material promocional podem ser altos. Além disso, é necessário preparar o time comercial, definir metas claras e adotar estratégias de ativação digital antes, durante e depois do evento.

“Para ter sucesso, é preciso enxergar a feira como uma campanha completa, e não como uma ação isolada”, ressalta Cíntia. Isso inclui desde o agendamento prévio de reuniões até o uso de CRM para gerir os contatos captados. A adoção de tecnologias como QR Codes, plataformas de matchmaking e ferramentas de análise de performance são diferenciais que podem otimizar os resultados.

Conclusão: uma aposta ainda válida e, acima de tudo, estratégica

Na era digital, investir em feiras de negócios presenciais continua sendo uma decisão estratégica, especialmente quando combinada com ações digitais. Os relatos de quem atua no setor mostram que os eventos seguem relevantes, geram negócios e fortalecem a reputação das marcas. Porém, o sucesso depende da capacidade de planejar, integrar canais e construir relacionamento genuíno com o público.

A tecnologia veio para somar, não para substituir. Em um mercado cada vez mais competitivo, o toque humano, o aperto de mãos e a conversa olho no olho ainda fazem diferença. E, se depender da visão de especialistas, as feiras de negócios seguem sendo um terreno fértil para oportunidades, inovação e crescimento.

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