Reforma Tributária nas revendas para marcenaria: o que muda na prática e como se preparar
A Reforma Tributária nas revendas para marcenaria já exige preparação. Marcos Santos, do Grupo SIM, apresenta cinco passos práticos para avaliar impactos sobre preços, margem, caixa, contratos, fornecedores e gestão

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Por Marcos Santos – Gerente Administrativo e Financeiro do Grupo SIM
A Reforma Tributária nas revendas para marcenaria deixou de ser um assunto para o futuro. Em 2026, a transição para o novo sistema tributário já começou a entrar na rotina das empresas brasileiras e exige atenção de quem atua na distribuição de materiais, componentes, ferragens e demais soluções destinadas à cadeia moveleira.
Para nós, do Grupo SIM, esse tema tem importância direta. Por meio da Rede SIM, estamos próximos de lojistas que abastecem marcenarias e profissionais do mobiliário em diferentes regiões do país. A própria Rede SIM se posiciona como uma rede do segmento moveleiro voltada a lojas de produtos para marcenaria, oferecendo aos parceiros serviços de gestão, negociação com fornecedores, soluções financeiras, treinamentos e apoio comercial.
Conheça a Rede SIM e sua atuação junto às lojas de produtos para marcenaria
Por isso, quando falamos em Reforma Tributária, não estamos tratando apenas de uma mudança na forma de calcular impostos.
Estamos falando de possíveis reflexos sobre formação de preços, margem, fluxo de caixa, contratos, sistemas de gestão, compras e relacionamento com fornecedores e clientes. Esses pontos já apareciam como preocupação central no texto original que preparei para este artigo.
É inegável que o sistema tributário brasileiro precisava mudar. Particularmente, vejo a Reforma Tributária com otimismo e compartilho da expectativa de que, ao final do processo, tenhamos um sistema mais simples, transparente e eficiente.
Entretanto, toda mudança dessa dimensão envolve uma fase de adaptação.
Gosto de comparar este momento à reforma de um cômodo da nossa casa enquanto continuamos morando nela. Sabemos que a obra é necessária e esperamos que, quando estiver concluída, a casa esteja melhor. Até lá, porém, teremos mudanças na rotina, algum desconforto e situações novas com as quais precisaremos aprender a lidar.
No ambiente empresarial ocorre algo semelhante.
O objetivo deste artigo, portanto, não é transformar o lojista em especialista tributário. É chamar atenção para algo mais importante: a necessidade de preparar a empresa e tomar decisões antes que todas as mudanças estejam plenamente refletidas na operação.
Reforma Tributária já exige preparação em 2026
O período de adaptação não é apenas teórico.
Desde 1º de janeiro de 2026, a implementação do IBS e da CBS já trouxe obrigações relacionadas aos documentos fiscais eletrônicos. A Receita Federal define 2026 como ano de teste dos dois novos tributos, dentro do cronograma de transição para o novo sistema.
Isso significa que sistemas, cadastros, documentos fiscais, processos administrativos e rotinas contábeis já precisam entrar na agenda das empresas.
Além disso, o tema merece atenção especial porque essa transição ocorre em um ambiente de mercado que já exige cautela.
O IEMI projeta para 2026 crescimento moderado do setor moveleiro, com avanço estimado de 0,5% na produção em volume e de 1,5% nas vendas do varejo. Ao mesmo tempo, juros elevados, endividamento das famílias, ambiente eleitoral, baixo investimento privado e a própria Reforma Tributária aparecem entre os fatores capazes de limitar uma expansão mais forte.
Veja as perspectivas do IEMI para o setor moveleiro em 2026
Os indicadores mais recentes da Conjuntura de Móveis, estudo desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL, reforçam esse cenário de reação seletiva. Em maio, por exemplo, a produção apresentou recuperação mensal, mas o acumulado do ano ainda permanecia abaixo de 2025.
Confira a Conjuntura de Móveis divulgada pela ABIMÓVEL
Portanto, a Reforma Tributária nas revendas para marcenaria chega justamente quando administrar melhor preço, margem, estoque e caixa já se tornou essencial.
Nesse contexto, vejo cinco movimentos como fundamentais.
1. Entenda como sua empresa está hoje
O primeiro passo é fazer um verdadeiro raio-X do negócio.
Antes de tentar prever todos os impactos do novo sistema, compreenda exatamente como a empresa funciona atualmente.
Analise o regime tributário adotado, revise a classificação fiscal dos produtos, confira cadastros, identifique eventuais riscos e oportunidades e verifique se os processos internos estão suficientemente organizados.
Além disso, avalie o sistema de gestão.
Essa questão merece atenção porque a transição tributária também é uma transição tecnológica. Desde 2026, documentos fiscais eletrônicos passaram a incorporar informações relacionadas a CBS e IBS, exigindo adaptações de sistemas e rotinas.
Para uma revenda especializada em produtos para marcenaria, esse diagnóstico precisa envolver não apenas o departamento financeiro.
Compras, vendas, fiscal, tecnologia, estoque e gestão precisam conhecer o ponto de partida.
Antes de pensar no futuro, portanto, precisamos conhecer muito bem o presente.
A Plataforma Setor Moveleiro já aprofundou esse tema em um guia dedicado aos impactos do novo sistema sobre a cadeia B2B, incluindo precificação, créditos, fornecedores, contratos e sistemas de gestão.
Leia o Guia Estratégico da Reforma Tributária no Setor Moveleiro B2B
2. Transforme a Reforma Tributária em números
Não basta saber que haverá mudanças.
É preciso entender quanto elas poderão representar para o negócio.
Faça simulações envolvendo faturamento, impostos, margem, resultado e fluxo de caixa. Depois, trabalhe com diferentes cenários.
Por exemplo: se determinada operação passar a produzir um efeito tributário diferente, o preço atual continuará preservando a margem?
Alguma linha de produto poderá se tornar mais ou menos atrativa?
As condições comerciais concedidas aos clientes continuarão fazendo sentido?
O perfil dos fornecedores poderá interferir na eficiência tributária da operação?
Existe necessidade de aumentar capital de giro?
Ao transformar hipóteses em números, a empresa reduz a dependência de decisões intuitivas.
Esse exercício é especialmente importante para as revendas que trabalham com ampla variedade de produtos e fornecedores. Painéis, ferragens, acessórios, insumos e equipamentos podem apresentar características comerciais e tributárias diferentes.
Consequentemente, olhar somente o faturamento total pode esconder impactos relevantes dentro do mix.
3. Traga o contador para perto da estratégia
O contador será um parceiro fundamental durante a transição.
Porém, sua participação não deveria começar apenas quando surgir uma nova obrigação fiscal.
Converse sobre o regime tributário da empresa, possíveis créditos, fornecedores, clientes, cadastros e riscos da operação.
Além disso, faça perguntas objetivas.
Como minha empresa ficará dentro da nova lógica tributária? Quais operações merecem maior atenção? O atual processo de compras favorece ou prejudica o aproveitamento de créditos? Existem contratos ou práticas comerciais que precisam ser revistos? Nosso ERP está preparado?
A Reforma Tributária precisa entrar na pauta estratégica da empresa, exatamente como propunha o texto original.
A partir daí, a relação com a contabilidade muda.
Ela deixa de ser apenas uma atividade de cumprimento de obrigações e passa a participar de decisões relacionadas a compras, margem, formação de preço e planejamento.
Para as revendas especializadas, essa integração pode ser particularmente importante, já que a relação com fornecedores ocupa posição central no modelo de negócio.
4. Proteja o caixa durante a transição
Uma empresa pode apresentar lucro e, ainda assim, enfrentar dificuldades de caixa.
Por isso, o impacto financeiro da transição merece acompanhamento permanente.
Simule cenários, monitore o capital de giro e prepare-se para possíveis mudanças na dinâmica dos pagamentos, créditos e recolhimentos.
Além disso, aumente a frequência com que acompanha indicadores financeiros.
Em períodos mais previsíveis, determinadas empresas conseguem administrar seu fluxo olhando relatórios com menor frequência. Durante uma transformação estrutural, essa prática pode ser insuficiente.
O texto original já destacava que caixa saudável significa capacidade para atravessar mudanças com segurança.
Essa questão também já foi tratada pela Plataforma Setor Moveleiro sob uma perspectiva estratégica: quando as regras tributárias mudam, margem, contratos, ERP e liquidez deixam de ser assuntos separados.
Leia: 2026 é o ano em que o caixa vai contar a verdade
Para uma revenda, proteger caixa também significa preservar capacidade de compra, negociação e reposição de estoque.
Por isso, liquidez não é apenas uma variável financeira.
É também uma ferramenta comercial.
5. Revise contratos, preços e responsabilidades
Outro ponto que não deve ser deixado para depois são os contratos.
Relações construídas dentro da lógica tributária atual podem precisar ser reavaliadas durante a transição.
Condições comerciais, responsabilidades entre as partes, cláusulas tributárias e regras de formação de preço merecem atenção.
Quanto mais cedo essa revisão acontecer, menor será o risco de descobrir problemas quando as novas condições já estiverem impactando a operação.
Além disso, considero importante revisar os critérios usados para avaliar fornecedores.
Historicamente, uma negociação de compras pode concentrar-se em preço, prazo, qualidade, bonificação e condição de pagamento.
Esses fatores continuarão relevantes.
Entretanto, a Reforma Tributária tende a aumentar a importância da análise sobre o efeito tributário de cada relação comercial.
Na cadeia B2B, a lógica de créditos é uma das mudanças que exigem maior atenção. A própria Plataforma Setor Moveleiro já destacou que o novo modelo pode alterar critérios usados na seleção e negociação com fornecedores.
Portanto, compras e financeiro precisarão trabalhar ainda mais próximos.
Para as revendas de marcenaria, fornecedor também entra na equação
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para o nosso segmento.
A revenda ocupa uma posição de conexão.
De um lado estão fabricantes de painéis, ferragens, acessórios, máquinas, ferramentas e outros insumos.
Do outro estão marcenarias, profissionais do mobiliário e empresas que dependem desses produtos para executar seus projetos e manter suas operações.
Por isso, qualquer mudança que interfira na composição do custo, no crédito tributário ou na formação dos preços pode percorrer toda essa cadeia.
Nesse ambiente, a capacidade de negociar bem com fornecedores continuará importante — mas o conceito de “negociar bem” poderá ficar mais amplo.
Preço continuará relevante.
Porém, será preciso enxergar custo efetivo, efeito tributário, prazo, disponibilidade, capital de giro e impacto sobre o cliente da revenda.
Essa abordagem dialoga diretamente com a atuação da Rede SIM, que estrutura negociações nacionais e regionais com fornecedores homologados, condições comerciais, consultoria em gestão e soluções financeiras para os lojistas parceiros.
Assim, uma mudança tributária também pode se transformar em uma mudança na maneira de comprar.
Informação também é gestão
Nenhum desses passos exige que o lojista se transforme em tributarista.
O que eles exigem é que o empresário comece a formular perguntas melhores.
A Reforma Tributária trará desafios. Ao mesmo tempo, a expectativa oficial é de que o novo sistema caminhe para maior simplificação, neutralidade e transparência. Contudo, até que a transição esteja concluída, as empresas terão de administrar a convivência com diferentes regras e etapas do processo.
Nesse contexto, informação deixa de ser apenas conhecimento.
Informação passa a ser instrumento de gestão.
Na Rede SIM, acreditamos que compartilhar conhecimento e antecipar movimentos também faz parte do nosso papel junto aos parceiros.
Nosso objetivo não é substituir contador, advogado ou consultor tributário.
É contribuir para que o lojista esteja mais preparado para conversar com esses profissionais, avaliar números e compreender as consequências das decisões que precisará tomar.
O caminho pode começar de maneira simples:
diagnosticar a empresa, simular cenários, aproximar a contabilidade, proteger o caixa e revisar contratos.
E eu deixaria uma pergunta para a próxima reunião com seu contador:
“Se as novas regras estivessem valendo integralmente hoje, o que mudaria no resultado e no caixa da minha empresa?”
A resposta pode mostrar exatamente por onde começar. Essa provocação encerra também o artigo original de Marcos e sintetiza bem sua proposta prática.
Na Rede SIM, estamos preparados para apoiar nossos lojistas parceiros na organização desse exercício e na compreensão dos impactos que essa transição pode produzir sobre a gestão do negócio.
Marcos Santos
Gerente Administrativo e Financeiro do Grupo SIM
Este artigo expressa a opinião do autor e tem caráter informativo. As particularidades tributárias, contábeis e jurídicas de cada empresa devem ser avaliadas por profissionais especializados.


