Muito além de uma feira: nova FEMUR reforça estratégia de fortalecimento do polo moveleiro de Ubá

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Em um período marcado por enchentes, retração do mercado e dificuldades enfrentadas por empresas, o Intersind aposta em articulação, geração de negócios e na transformação da FEMUR em plataforma anual para ampliar a presença do polo moveleiro de Ubá no mercado brasileiro.
Os últimos anos colocaram à prova a capacidade de reação de um dos principais polos moveleiros do Brasil. Enchentes, mercado retraído e pressões econômico-financeiras sobre empresas exigiram mais do que resistência da indústria de Ubá, em Minas Gerais.
Exigiram, sobretudo, capacidade de articulação.
É justamente nesse contexto que o novo momento da FEMUR – Feira de Móveis de Minas Gerais ganha uma dimensão que vai além da realização de mais uma feira.
A partir de 2027, a FEMUR passa a ser anual. Dessa forma, a decisão encerra a alternância com a Mostra de Móveis de Ubá e concentra em uma única marca uma estratégia de geração de negócios, relacionamento com o varejo e projeção nacional do polo.
Além disso, a mudança acontece depois de uma edição que já demonstrou a importância da feira como ambiente de decisão B2B. Em janeiro, a Plataforma Setor Moveleiro acompanhou a FEMUR 2026 e analisou os sinais da feira para os decisores do setor.
Para o presidente do Intersind – Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá, Gilberto Coelho, as dificuldades recentes também demonstraram a capacidade de resposta das empresas da região.
“Esse momento mostrou, mais uma vez, a força e a capacidade de reação do polo de Ubá. Enfrentamos as enchentes, um mercado mais retraído e dificuldades econômicas, mas o polo não parou. Nosso principal desafio agora é recuperar o ritmo de crescimento, gerar novos negócios e manter a competitividade das empresas”, afirma.


Para Gilberto Coelho, presidente do Intersind as dificuldades recentes também demonstraram a capacidade de resposta das empresas da região
Do enfrentamento dos problemas à construção de soluções
A reação, entretanto, não depende exclusivamente das empresas.
Em períodos de maior pressão sobre a atividade industrial, cresce também a importância das entidades empresariais como articuladoras de interesses. Além disso, elas podem aproximar empresas, poder público e instituições em torno de objetivos comuns.
Essa é uma atribuição que o próprio Intersind assume.
“O Intersind precisa estar próximo das empresas e ser um agente de articulação. Nosso papel é buscar soluções junto ao poder público, Sistema FIEMG e demais instituições, sempre pensando em preservar empresas, empregos e fortalecer o polo. Não podemos apenas identificar os problemas; precisamos ajudar a construir as soluções”, afirma Coelho.
Nesse sentido, a atuação da entidade não começa agora. Ao completar 35 anos, o Intersind recuperou alguns dos principais marcos de sua atuação no desenvolvimento da indústria moveleira de Ubá, incluindo a criação da feira, a construção do Pavilhão do Horto e a implantação do Plano de Desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local.
Além disso, a relação entre associativismo, inovação e competitividade no polo já foi tema da Plataforma Setor Moveleiro. Em entrevista anterior, Gilberto Coelho abordou a importância do trabalho coletivo para o desenvolvimento do polo moveleiro de Ubá.
Portanto, a FEMUR deixa de ser vista apenas como um evento de quatro dias. Passa a integrar uma estratégia mais ampla de geração de mercado.
FEMUR anual como instrumento de competitividade
Mais do que uma alteração operacional, a realização anual da FEMUR 2027 procura aumentar a frequência das oportunidades comerciais entre fabricantes e varejistas.
Para Gilberto Coelho, existe uma relação direta entre o fortalecimento da feira e o fortalecimento do próprio polo moveleiro de Ubá.
“A FEMUR é uma importante ferramenta para gerar negócios, aproximar compradores e apresentar a força das nossas empresas. Torná-la anual é uma decisão estratégica para fortalecer o polo e manter Ubá cada vez mais presente no calendário do setor moveleiro brasileiro.”
Ao mesmo tempo, essa presença ganha relevância justamente em um período no qual a indústria precisa buscar produtividade, inovação e novos mercados.
Coelho reconhece que a tradição construída pelo polo é importante. Entretanto, ela não é suficiente para garantir a competitividade futura.
“Temos uma cadeia produtiva forte e diversificada. Mas precisamos continuar avançando em tecnologia, inovação, produtividade, gestão e qualificação. Não podemos viver apenas do que construímos no passado; precisamos estar preparados para o futuro.”
Por isso, inovação, integração e desenvolvimento de novos negócios tornam-se cada vez mais estratégicos. A Plataforma já mostrou iniciativas estruturadas no polo em torno de temas como integração de negócios, logística, exportação, tecnologia, capacitação e desenvolvimento sustentável.
A Mostra como laboratório para a nova FEMUR
A transformação da FEMUR também incorpora aprendizados construídos fora dela.
A Mostra de Móveis de Ubá surgiu como alternativa para ampliar a participação das empresas do polo. Posteriormente, passou a servir como laboratório para mudanças que agora chegam definitivamente à FEMUR.
Segundo Heliane Martins de Souza Hilário, gerente executiva do Intersind, um dos principais aprendizados foi a adoção de estandes menores, mais abertos e padronizados.
Como resultado, o formato melhorou a circulação dos visitantes e a exposição dos produtos. Ao mesmo tempo, permitiu ampliar o número de empresas participantes.
“A experiência das quatro edições da Mostra de Móveis de Ubá foi fundamental para que o Intersind pudesse repensar e promover mudanças importantes nas edições seguintes da FEMUR. A Mostra funcionou, na prática, como um grande laboratório de inovação para o formato da feira”, explica Heliane.
Além disso, a redução das áreas individuais tem uma consequência econômica importante: diminui a barreira de entrada para pequenas e médias indústrias.
“Nosso objetivo é que a empresa saia da FEMUR não apenas com mais visibilidade, mas principalmente com novos contatos, novos clientes e oportunidades efetivas de vendas. Para o Intersind, fortalecer a FEMUR é também criar condições para que um número cada vez maior de empresas do polo tenha acesso ao mercado nacional.”
A experiência anterior já apontava nessa direção. Na terceira edição da Mostra, por exemplo, o Intersind destacou a ampliação da participação de empresas menores e o uso de estandes padronizados.


Segundo Heliane Martins de Souza Hilário, gerente executiva do Intersind, um dos principais aprendizados foi a adoção de estandes menores, mais abertos e padronizados
Mais acesso para pequenas e médias indústrias
Na prática, a mudança de formato também pode reduzir a barreira econômica de entrada na feira.
Ao diminuir a área necessária para exposição e padronizar os estandes, a FEMUR tende a tornar a participação mais compatível com a realidade de pequenas e médias indústrias.
Além disso, um ambiente mais aberto pode facilitar a circulação dos compradores e ampliar a visibilidade das marcas.
Assim, a nova configuração procura combinar três objetivos: aumentar a participação das indústrias, melhorar a experiência dos compradores e ampliar a geração de oportunidades comerciais.
Uma feira que começa antes e precisa terminar depois
Esse talvez seja um dos aspectos mais relevantes do novo posicionamento.
Para o Intersind, o impacto da FEMUR não deve ser medido somente pelo movimento nos corredores do pavilhão ou pelo volume de negócios registrado durante os quatro dias.
Ao contrário, a entidade pretende ampliar a conexão da feira com inovação, design, sustentabilidade, qualificação, abertura de mercados e atração de compradores.
“A FEMUR precisa ser entendida como muito mais do que uma feira realizada durante quatro dias. Ela é uma ferramenta estratégica de desenvolvimento do polo moveleiro”, afirma Heliane.
Além disso, o impacto econômico extrapola as indústrias expositoras. Fornecedores, transportadoras, hotéis, restaurantes, prestadores de serviços e o comércio também são movimentados pela realização do evento.
Por isso, a intenção é fazer da FEMUR um “catalisador de oportunidades”, com resultados que permaneçam ao longo do ano. Dessa maneira, a feira pode contribuir para projetar o polo moveleiro de Ubá no mercado nacional.
Essa capacidade de utilizar eventos como ambientes de conhecimento e articulação empresarial já foi experimentada na região. Em 2022, por exemplo, o Painel Setor Moveleiro reuniu empresários e especialistas no Intersind para discutir competitividade e os caminhos da indústria.
Atrair quem decide e quem compra
A FEMUR 2027 chega à 18ª edição com expectativa de receber cerca de 17 mil visitantes em 14.800 metros quadrados de exposição.
Aproximadamente 115 indústrias, entre expositores e marcas, deverão apresentar lançamentos, produtos e tendências para lojistas de diferentes regiões do país.
Entretanto, o desafio de uma feira B2B contemporânea não está apenas em gerar fluxo de pessoas. Está, principalmente, em atrair o público capaz de gerar negócios.
Uma das iniciativas para isso é o Projeto Cliente VIP. Por meio dele, lojistas de diferentes regiões do Brasil são convidados a participar da feira a partir de indicações dos próprios expositores.
Dessa forma, a iniciativa procura ampliar a presença de compradores qualificados. Consequentemente, aumenta também a possibilidade de geração de negócios para as indústrias.

Hall de entrada da FEMUR edição 2026
O polo como extensão da experiência da feira
A localização da FEMUR dentro do próprio polo também permite ampliar a experiência do comprador.
Depois de circular pela feira, lojistas podem visitar fabricantes da região. Assim, conseguem conhecer estruturas produtivas, processos e empresas que não necessariamente encontrariam em uma feira realizada fora de Ubá.
Essa proximidade pode ser um diferencial importante.
Afinal, a viagem deixa de ter apenas uma finalidade. O comprador visita a feira, conhece lançamentos, estabelece contatos e, ao mesmo tempo, pode aprofundar o relacionamento diretamente com fabricantes do polo.
Essa conexão entre indústria e varejo já faz parte da trajetória da FEMUR. Em 2024, a Plataforma mostrou como o Encontro de Lojistas de Móveis utilizou a feira para promover conteúdo, relacionamento e networking entre fabricantes e varejistas.
“O futuro do móvel começa aqui”
A transformação também ganhou uma mensagem.
Para 2027, a FEMUR adotou o conceito “O futuro do móvel começa aqui”.
Para Ludmila Cordeiro de Oliveira, produtora executiva e coordenadora de marketing da FEMUR, o conceito reconhece o caminho construído pela feira e pela Mostra de Móveis. Ao mesmo tempo, aponta para uma FEMUR mais moderna e estratégica.
“‘O futuro do móvel começa aqui’ representa a nova fase da maior feira de móveis de Minas Gerais. Ainda mais moderna e estratégica, preparada para continuar gerando tendências, ampliando oportunidades de negócios e impulsionando o desenvolvimento do setor moveleiro.”
Gilberto Coelho, por sua vez, atribui ao conceito uma dimensão ainda maior.
“É mais do que um slogan, é uma declaração de confiança. Ubá está de pé, trabalhando e olhando para frente. Queremos mostrar ao mercado brasileiro que continuamos fortes, inovando e preparados para novos negócios.”
Portanto, o slogan não procura apenas apresentar uma nova edição da FEMUR. Ele também funciona como mensagem sobre o momento vivido pelo polo.


Para Ludmila Cordeiro de Oliveira, produtora executiva e coordenadora de marketing da FEMUR, ‘O futuro do móvel começa aqui’ representa a nova fase da maior feira de móveis de Minas Gerais. Ainda mais moderna e estratégica, preparada para continuar gerando tendências, ampliando oportunidades de negócios e impulsionando o desenvolvimento do setor moveleiro
Pavilhão do Horto amplia a estratégia para além da FEMUR
Há ainda outro movimento que ajuda a compreender a estratégia que começa a se desenhar em Ubá.
Em agosto de 2026, Prefeitura de Ubá e Intersind formalizaram um Termo de Colaboração com duração de dez anos para a administração e reestruturação do Pavilhão de Exposições do Horto Florestal.
A parceria estabelece uma administração compartilhada do espaço, que recebe importantes eventos e as principais feiras de negócios do município.
Para Heliane Martins de Souza Hilário, a iniciativa está diretamente relacionada ao papel que o Intersind pretende exercer no desenvolvimento econômico do polo moveleiro e da própria cidade.
“O Intersind tem como premissa contribuir para o desenvolvimento do polo moveleiro e da cidade. Assim, firmamos uma parceria para a administração compartilhada do espaço, onde são realizados vários eventos e as principais feiras de negócios do município.”
Um aspecto relevante desse modelo está na destinação dos recursos gerados pelo próprio equipamento.
Segundo Heliane, todo o recurso proveniente da locação do pavilhão será reinvestido na manutenção e melhoria do espaço público.
“Nossa proposta é transformar o local em um ambiente cada vez mais atrativo, seguro e confortável para expositores, empresas e visitantes.”
Dessa forma, a utilização do pavilhão passa a contribuir também para sua própria qualificação. Ao mesmo tempo, amplia a capacidade de Ubá de receber eventos e gerar circulação econômica.
Para Heliane, essa relação vai além da estrutura necessária à realização da FEMUR.
“Essa iniciativa fortalece não apenas a estrutura física que recebe a FEMUR, mas também a capacidade de Ubá de sediar grandes eventos de negócios, gerando oportunidades e contribuindo para o crescimento e a projeção do polo moveleiro no cenário nacional.”


Alana Bassotto (procuradora-geral do município), José Damato (prefeito de Ubá), Gilberto Coelho (presidente Intersind), Heliane Martins (gerente Intersind), Klaus Nonato (consultor jurídico Intersind) e Shaísta Lessa (consultora ambiental Intersind) na assinatura do termo de colaboração entre Prefeitura e Intersind
Um ativo para movimentar Ubá durante todo o ano
O movimento dá continuidade a uma relação histórica entre o pavilhão e o setor moveleiro.
Segundo o próprio Intersind, a construção do Pavilhão do Horto, em 2000, nasceu da necessidade de criar uma estrutura adequada para a FEMUR e outros eventos.
Nos últimos anos, essa estrutura já começou a passar por transformações. Para a FEMUR 2026, foram concluídas a climatização de aproximadamente 12 mil metros quadrados e a ampliação do hall de entrada em mais de 600 metros quadrados, além de outras melhorias.
Agora, entretanto, a perspectiva se torna mais ampla.
A proposta do Intersind é aumentar a utilização do Pavilhão do Horto e apresentá-lo também a outros agentes e promotores de eventos. Nesse sentido, o planejamento não se restringe ao setor moveleiro.
Segundo Heliane, o espaço poderá receber iniciativas culturais, religiosas, empresariais e eventos de diferentes segmentos.
“É tornar o pavilhão um espaço cada vez mais utilizado pela comunidade e pela região.”
Essa perspectiva acrescenta outra dimensão à estratégia. Se a FEMUR anual fortalece a agenda comercial do polo moveleiro, a administração compartilhada do Pavilhão do Horto cria condições para trabalhar a infraestrutura de eventos de Ubá durante todo o ano.
Com isso, encontros empresariais, capacitações, rodadas de negócios e eventos de diferentes naturezas passam a encontrar uma estrutura capaz de gerar fluxo de pessoas e atividade econômica para além dos dias da feira.
Há, inclusive, precedentes que demonstram esse potencial. O polo já recebeu eventos destinados à discussão de mercado, inovação e estratégias para a indústria moveleira.
FEMUR, infraestrutura e articulação em uma mesma estratégia
É nesse ponto que decisões aparentemente independentes começam a formar uma mesma estratégia.
Uma FEMUR anual gera recorrência.
Um pavilhão com administração compartilhada e horizonte de longo prazo oferece infraestrutura.
E um Intersind que assume o papel de articulador pode transformar ambos em instrumentos permanentes de geração de negócios, relacionamento e promoção do polo moveleiro de Ubá.
Assim, o fortalecimento da feira deixa de ser uma iniciativa isolada.
Ao contrário, passa a fazer parte de um conjunto de movimentos que combina estrutura física, articulação institucional e presença permanente no mercado.
Depois de um período marcado pela necessidade de reagir, portanto, o movimento parece apontar para uma etapa diferente: não apenas superar as dificuldades, mas construir as condições para disputar o futuro.


