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ANÁLISE | Incerteza domina expectativas do setor moveleiro para o fim de 2026

O Termômetro Setor Moveleiro ouviu 82 participantes sobre as expectativas para os negócios até o fim de 2026. O resultado revela elevada incerteza, mas baixa expectativa de perda de ritmo — uma combinação que merece atenção de quem toma decisões no setor

Expectativas do setor moveleiro para 2026 analisadas pelo Termômetro Setor Moveleiro
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O Termômetro Setor Moveleiro estreia sua nova fase revelando um sinal importante sobre as expectativas para os negócios até o fim de 2026: a incerteza é elevada, mas isso não significa necessariamente uma expectativa de retração.

A primeira enquete desta nova etapa ouviu 82 participantes dos grupos Setor Moveleiro Unido e Setor Moveleiro Indústria. Somados os resultados, 46,3% afirmaram que o cenário ainda é muito incerto, enquanto apenas 6,1% acreditam que os negócios devem perder algum ritmo.

A combinação dos dois números merece atenção. Mais do que pessimismo, o resultado pode indicar um ambiente no qual empresários e profissionais encontram maior dificuldade para enxergar os próximos meses com clareza.

Foram registradas 82 respostas. Para 46,3% dos participantes, o cenário ainda é muito incerto. Outros 32,9% acreditam que os negócios serão melhores do que nos últimos meses, enquanto 14,6% esperam estabilidade.

Apenas 6,1% acreditam que os negócios devem perder algum ritmo.

Os resultados dos dois grupos foram consolidados em uma única leitura, sem segmentação entre os participantes. A enquete representa a percepção dos respondentes e não possui caráter de pesquisa estatística representativa de todo o setor moveleiro.

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O dado mais importante talvez não seja o primeiro colocado

À primeira vista, os 46,3% que escolheram “cenário ainda muito incerto” poderiam sugerir uma leitura predominantemente negativa.

Mas os demais números recomendam cautela com essa interpretação.

Somadas, as respostas “melhor do que nos últimos meses” e “praticamente estável” chegam a 47,6% — praticamente o mesmo percentual dos que apontam incerteza.

Mais significativo ainda: somente 6,1% projetam efetivamente perda de ritmo.

Isso produz uma fotografia mais complexa.

O Termômetro não encontrou um mercado predominantemente pessimista. Encontrou um mercado dividido entre alguma expectativa de melhora e uma dificuldade relevante de enxergar o futuro com segurança.

Essa distinção importa.

Incerteza e pessimismo não significam a mesma coisa.

O empresário pessimista tende a esperar deterioração. O empresário incerto pode até enxergar oportunidades, mas encontra dificuldade para atribuir confiança suficiente a elas para tomar decisões mais agressivas.

E isso pode influenciar investimentos, formação de estoques, contratações, concessão de crédito, planejamento comercial e decisões sobre produção.

O Termômetro vem captando essa cautela ao longo de 2026

O resultado desta semana não aparece isoladamente.

No Termômetro do 1º trimestre de 2026, 51,1% dos 92 participantes disseram ter encerrado o período dentro das expectativas, enquanto 43,5% ficaram abaixo do esperado. Apenas 5,4% relataram desempenho superior às expectativas. Naquela leitura, a Plataforma já identificava um setor ativo, porém mais defensivo, pressionado por custos e com atenção crescente à proteção das margens. (Setor Moveleiro)

Leia o Termômetro do 1º trimestre de 2026

No segundo trimestre, a percepção continuou cautelosa. O levantamento reuniu 88 respostas e apontou estabilidade frágil, pressão sobre margens, inadimplência, escassez de mão de obra e expectativa de crescimento seletivo para os meses seguintes. (Setor Moveleiro)

Veja o Termômetro do 2º trimestre de 2026

Agora, já no último quadrimestre, a pergunta mudou. Em vez de avaliar apenas o desempenho passado, o Termômetro procura identificar como o mercado está olhando para frente.

E a incerteza aparece como principal resposta.

Os indicadores ajudam a entender por quê

Os dados objetivos disponíveis ajudam a colocar essa percepção em perspectiva.

A Conjuntura de Móveis divulgada pela ABIMÓVEL, com dados levantados pelo IEMI, mostrou que a produção brasileira de móveis e colchões cresceu 3,4% em maio frente a abril, chegando a 35,6 milhões de peças. Entretanto, no acumulado de janeiro a maio, a produção ainda estava 2,0% abaixo do mesmo período de 2025. (Abimóvel)

Consulte a Conjuntura divulgada pela ABIMÓVEL

Há, portanto, sinais de reação, mas ainda insuficientes para caracterizar uma recuperação consolidada.

Essa leitura é compatível inclusive com a projeção do próprio IEMI para 2026. O instituto trabalha com cenário de crescimento moderado, projetando avanço de 0,5% da produção industrial em volume e de 1,5% do varejo de móveis em volume no ano. Ao mesmo tempo, aponta inflação, juros, endividamento das famílias, baixo investimento privado e outras variáveis como possíveis limitadores do desempenho. (IEMI - Inteligência de Mercado)

Veja as projeções do IEMI para o setor moveleiro em 2026

É justamente essa combinação que torna o resultado do Termômetro interessante.

Há sinais positivos. Mas eles ainda convivem com elementos suficientes de instabilidade para dificultar uma leitura segura sobre os próximos meses.

Um mercado que reage, mas ainda não ganhou confiança

A própria Plataforma Setor Moveleiro chegou recentemente a conclusão semelhante ao cruzar indicadores de indústria, varejo e os Termômetros anteriores.

Na análise publicada no final de agosto, identificamos um setor que não parou, mas mudou o jogo: indústria com sinais de reação, varejo seletivo, custos pressionados e um ambiente em que crescer passou a exigir escolhas mais criteriosas. (Setor Moveleiro)

Leia a análise do setor moveleiro em 2026 e perspectivas para 2027

O novo Termômetro acrescenta uma camada a essa leitura.

Se apenas 6,1% esperam perda de ritmo, não parece existir entre os participantes uma expectativa disseminada de deterioração.

Ao mesmo tempo, se 46,3% ainda classificam o cenário como muito incerto, também não há confiança suficiente para falar em recuperação generalizada.

Talvez a melhor definição seja outra:

o mercado parece enxergar possibilidades de melhora antes de enxergar segurança para apostar nelas.

O que esse Termômetro sinaliza para quem decide?

Para empresários e executivos, essa diferença não é apenas semântica.

Um mercado em retração exige determinadas respostas. Um mercado em crescimento consistente permite outras.

Já um ambiente de baixa previsibilidade exige capacidade de adaptação.

Isso significa acompanhar pedidos, estoques, margens, inadimplência, comportamento do varejo, crédito, custos e sinais de demanda com intervalos menores.

Também significa evitar dois extremos.

O primeiro é interpretar a incerteza como certeza de crise e adotar uma postura excessivamente defensiva.

O segundo é transformar sinais pontuais de melhora em expectativa de expansão sustentada antes que os indicadores confirmem essa trajetória.

Entre os dois está provavelmente a postura mais compatível com o cenário captado pelo Termômetro:

cautela sem imobilismo.

Da informação para a inteligência

Há ainda uma leitura que vai além desta edição.

O Termômetro do primeiro trimestre identificou pressão sobre custos e margens. No segundo trimestre, apareceu a estabilidade frágil. A análise mais recente da Plataforma encontrou sinais de reação, mas também um mercado mais seletivo. Agora, quase metade dos participantes diz não conseguir definir com segurança a direção dos negócios até dezembro. (Setor Moveleiro)

Individualmente, cada informação conta uma parte da história.

Conectadas, começam a mostrar uma trajetória.

É justamente esse o papel que a nova Plataforma Setor Moveleiro pretende ampliar: não apenas acompanhar o que aconteceu, mas conectar dados, percepções e movimentos para tentar compreender o que eles podem estar sinalizando para quem precisa decidir.

O último quadrimestre de 2026 começa sem uma direção consensual.

Há empresas esperando melhora. Há quem enxergue estabilidade. Poucos esperam deterioração.

Mas existe uma parcela muito expressiva dizendo, essencialmente:

ainda é cedo para saber.

E mercados com baixa visibilidade exigem menos certezas antecipadas e mais capacidade de leitura.

O Termômetro continua na sexta-feira

Na sexta-feira, a Plataforma Setor Moveleiro apresenta em vídeo uma nova leitura dos resultados desta enquete e dos sinais que podem ajudar a compreender o que esperar dos últimos meses de 2026.

O Termômetro Setor Moveleiro passa a acompanhar semanalmente a percepção do mercado, conectando respostas, indicadores e contexto para produzir informação útil para quem precisa decidir.

Plataforma Setor Moveleiro. Informação e inteligência para quem decide.