Termômetro Setor Moveleiro: produtividade e novos negócios lideram reação para proteger margem
O Termômetro Setor Moveleiro mostra que cortar custos e aumentar produtividade lidera com 33,7%, seguido pela busca de volume e novos negócios, com 30,2%.

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Nova edição do Termômetro Setor Moveleiro reúne 86 votos agregados em três canais e mostra que cortar custos e aumentar produtividade, com 33,7%, e buscar mais volume e novos negócios, com 30,2%, são hoje as principais respostas das empresas à pressão sobre a margem.
O Termômetro Setor Moveleiro desta semana completa uma sequência particularmente importante para entender como as empresas estão reagindo ao ambiente de menor previsibilidade.
Depois de identificar incerteza, dificuldade para decidir, necessidade de proteção de margem e, mais recentemente, as principais fontes dessa pressão, a nova enquete avançou para uma pergunta prática:
“O que sua empresa está fazendo para recuperar ou proteger margem?”
Somados os resultados de dois grupos de WhatsApp e da votação realizada no Status do perfil da Plataforma Setor Moveleiro, foram contabilizados 86 votos agregados.
O resultado foi:
Cortando custos e aumentando produtividade: 29 votos — 33,7%
Buscando mais volume e novos negócios: 26 — 30,2%
Revendo mix, clientes e canais de venda: 17 — 19,8%
Reduzindo descontos e revendo preços: 14 — 16,3%
O resultado revela algo mais complexo do que uma simples estratégia defensiva.
As empresas parecem tentar proteger margem sem abandonar crescimento.

A principal resposta está dentro da operação
A alternativa mais votada foi cortar custos e aumentar produtividade, com 33,7%.
O resultado não significa necessariamente uma estratégia de redução indiscriminada de despesas.
A própria composição da alternativa é importante.
Ela combina custo com produtividade.
Ou seja, a margem pode ser protegida tanto gastando menos quanto produzindo melhor.
Redução de desperdício.
Melhor aproveitamento de matéria-prima.
Automação.
Menos retrabalho.
Maior eficiência de setup.
Melhoria de processos.
Revisão logística.
Melhor utilização da capacidade.
São movimentos diferentes de simplesmente cortar orçamento.
A Plataforma já havia chamado atenção para essa distinção na análise Custo virou estratégia: por que proteger margem será o jogo central da indústria moveleira em 2026, ao destacar que eficiência operacional, inteligência de portfólio e política comercial passaram a fazer parte da mesma discussão sobre rentabilidade. Setor Moveleiro
Agora, o comportamento captado pelo Termômetro indica que essa percepção começa a aparecer também na ação declarada pelas empresas.
Mas crescimento continua no radar
O segundo resultado muda bastante uma eventual leitura excessivamente defensiva.
30,2% dos votos foram para buscar mais volume e novos negócios.
A diferença para a primeira alternativa é de apenas 3,5 pontos percentuais.
Portanto, mesmo em um cenário no qual margem e caixa ganharam centralidade, quase um terço das respostas continua apontando diretamente para expansão comercial.
Isso reforça uma característica que já apareceu em outras edições do Termômetro:
o setor está cauteloso, mas não necessariamente parado.
Na pesquisa anterior sobre postura empresarial, 71,8% das marcações indicavam redução de riscos e proteção de margem e caixa. No entanto, apenas 5,6% apontavam adiamento de decisões e investimentos. Relembre aquela análise do Termômetro. Setor Moveleiro
A nova pesquisa adiciona uma camada importante.
Proteger resultado não parece significar apenas recuar.
Para parte importante das empresas, significa também procurar novas receitas.
Eficiência e crescimento somam 63,9%
Quando as duas principais alternativas são observadas em conjunto, surge um dos dados mais interessantes desta rodada.
33,7% estão priorizando custos e produtividade.
30,2% buscam mais volume e novos negócios.
Juntas, essas duas estratégias concentram 63,9% dos votos.
É quase dois terços das respostas.
Essa combinação sugere uma lógica de gestão bastante objetiva:
fazer melhor o que acontece dentro da empresa e vender mais para fora dela.
Uma frente trabalha a margem pelo lado da eficiência.
A outra trabalha pelo lado da receita e da utilização da capacidade.
É um equilíbrio importante porque uma empresa dificilmente consegue proteger rentabilidade indefinidamente apenas reduzindo custos.
Da mesma forma, crescer em volume sem eficiência pode aumentar faturamento sem melhorar resultado.
O desafio passa a ser fazer as duas coisas simultaneamente.

O resultado conversa com um mercado ainda seletivo
Os indicadores do setor ajudam a compreender por que essa combinação faz sentido.
Dados divulgados pela ABIMÓVEL mostram que a produção brasileira de móveis e colchões encerrou o primeiro semestre de 2026 com queda de 1,6% em volume, enquanto a receita industrial avançou 3,6% em relação ao mesmo período de 2025. A entidade destaca que o setor continua calibrando produção, estoques e capacidade diante de um mercado doméstico seletivo. Abimóvel
Esse descompasso é relevante.
Produzir menos e faturar mais não significa, por si só, que as empresas estejam em uma situação confortável.
Preço, composição de portfólio, custos e produtividade interferem nessa conta.
Ao mesmo tempo, a ABIMÓVEL registrou ao longo do segundo trimestre alguma reação da atividade, porém ainda sobre uma base enfraquecida. Abimóvel
É justamente nesse ambiente intermediário — sem paralisação, mas também sem expansão generalizada — que eficiência e busca de mercado tendem a conviver.
A terceira resposta revela uma mudança mais estrutural
19,8% dos votos foram para rever mix, clientes e canais de venda.
Talvez seja a alternativa menos imediata da enquete.
E justamente por isso merece atenção.
Rever mix significa questionar quais produtos continuam fazendo sentido.
Rever clientes significa olhar não apenas para faturamento, mas para margem, prazo, risco, frequência e custo de atendimento.
Rever canais significa perguntar onde o produto consegue competir melhor.
Essas decisões costumam produzir efeitos menos rápidos do que um corte de despesa ou uma campanha comercial.
Mas podem alterar estruturalmente a qualidade do negócio.
A Plataforma já vinha defendendo que, no cenário de 2026, vender melhor passou a ser tão importante quanto vender mais. O argumento central é que faturamento isolado não revela prazo, margem, capital de giro e qualidade da venda. Setor Moveleiro
A nova edição do Termômetro mostra que aproximadamente um em cada cinco votos já aponta diretamente para esse tipo de revisão.
Existe uma diferença importante entre a pressão e a resposta
Aqui aparece, provavelmente, o insight mais relevante desta edição.
Na enquete anterior do Termômetro Setor Moveleiro, perguntamos:
“Hoje, qual fator mais pressiona a margem da sua empresa?”
O maior resultado foi pressão de clientes por preço e descontos, com 43,5% dos votos. Setor Moveleiro
Seria razoável imaginar que a principal reação das empresas seria justamente rever preços ou reduzir descontos.
Não foi o que aconteceu.
Nesta semana, apenas 16,3% escolheram reduzir descontos e rever preços como principal ação para recuperar ou proteger margem.
A diferença merece atenção.
O problema percebido está fortemente ligado ao preço.
Mas a solução escolhida pela maioria está em outro lugar.
A resposta parece ser: evitar depender apenas do preço
Somadas, as três estratégias que não passam prioritariamente por reduzir descontos ou rever preços representam 83,7% dos votos.
Isso não significa que essas empresas não estejam mexendo em preços.
A enquete permitia uma única escolha e perguntava pela ação predominante.
Mas o sinal é interessante.
As empresas parecem tentar responder à pressão comercial por meio de:
mais eficiência;
mais vendas;
melhor mix;
novos clientes;
novos canais.
Em vez de entrar diretamente numa disputa de preço, parte relevante da base parece procurar alternativas para melhorar a equação econômica do negócio.
Esse movimento dialoga com a análise do IEMI segundo a qual inteligência de mercado e aquisição de dados passaram a interferir diretamente nas decisões de competitividade e crescimento das empresas moveleiras. IEMI - Inteligência de Mercado
Em outras palavras:
quando o mercado pressiona preço, a resposta não precisa necessariamente ser preço.
Volume volta ao centro da estratégia
O resultado de 30,2% para novos negócios e mais volume também deve ser observado à luz da enquete anterior.
Na semana passada, 29% dos votos apontavam baixo volume de vendas e capacidade ociosa como principal fator de pressão sobre a margem. Setor Moveleiro
Agora, 30,2% dizem estar justamente buscando mais volume e novos negócios.
A proximidade dos números chama atenção.
Não prova uma relação causal, porque as bases não são necessariamente formadas pelas mesmas pessoas.
Mas forma um sinal coerente.
Se capacidade ociosa pressiona margem, ocupar melhor a estrutura produtiva passa naturalmente a integrar a resposta.
O problema está em como obter esse volume.
Se ele vier apenas por descontos maiores, a empresa pode trocar um problema por outro.
Se vier por novos clientes, regiões, produtos ou canais, a equação pode ser diferente.
O desafio não é simplesmente vender mais
Esse ponto é especialmente importante.
Uma fábrica com capacidade ociosa possui incentivo evidente para buscar pedidos.
Entretanto, nem todo pedido melhora resultado.
Uma venda pode trazer:
desconto alto;
prazo longo;
frete elevado;
lote pequeno;
complexidade industrial;
assistência;
maior capital de giro.
O volume ocupa máquina.
Mas pode não gerar margem suficiente.
Por isso, a resposta “buscar mais volume e novos negócios” precisa caminhar junto com outra pergunta:
que tipo de volume queremos?
É justamente aí que a alternativa “rever mix, clientes e canais” encontra a estratégia de crescimento.
Mais venda pode ser importante.
Mais venda com qualidade econômica é ainda mais importante.
O IEMI já apontava um ano de crescimento moderado
No início de 2026, o IEMI projetava crescimento de 0,5% na produção física do setor e 1,5% no volume do varejo, caracterizando um ambiente de expansão moderada.
Ao mesmo tempo, juros elevados, endividamento das famílias, baixa taxa de investimento privado e incertezas econômicas apareciam como fatores capazes de limitar o desempenho. IEMI - Inteligência de Mercado
Esse cenário ajuda a compreender por que não aparece uma única estratégia dominante no Termômetro.
Não existe um mercado claramente recessivo que faça todas as empresas cortarem.
Também não existe uma expansão ampla que faça todas simplesmente acelerarem.
Por isso, aparecem simultaneamente:
eficiência;
busca de negócios;
revisão estratégica;
gestão de preços.
Cada empresa parece tentar encontrar sua própria combinação.
Cinco enquetes começam a mostrar um comportamento
O maior valor desta nova fase do Termômetro Setor Moveleiro talvez esteja menos em cada votação isoladamente e mais na sequência que começa a surgir.
Na primeira enquete, perguntamos como as empresas enxergavam os próximos meses.
A incerteza apareceu com força.
Na segunda, perguntamos o que dificultava decidir.
A incerteza econômica e de mercado concentrou 72,9% das menções. Setor Moveleiro
Na terceira, perguntamos como as empresas estavam reagindo.
A resposta predominante foi reduzir riscos e proteger margem e caixa. Setor Moveleiro
Na quarta, quisemos saber o que pressionava essa margem.
Preço e descontos lideraram, seguidos pelo baixo volume de vendas. Setor Moveleiro
Agora, na quinta, perguntamos:
“O que sua empresa está fazendo para recuperar ou proteger margem?”
E aparecem duas respostas quase empatadas:
eficiência e produtividade;
volume e novos negócios.
A sequência começa a construir uma lógica:
incerteza → dificuldade para decidir → proteção de margem → identificação da pressão → reação empresarial.
Isso é diferente de uma coleção de enquetes.
Começa a ser uma leitura de comportamento.
O Termômetro ganha uma terceira fonte de percepção
Esta edição traz ainda uma novidade metodológica.
Além dos dois grupos de WhatsApp utilizados nas rodadas anteriores, a Plataforma passou a incorporar também a votação realizada no Status do WhatsApp da Plataforma Setor Moveleiro.
Isso ampliou a coleta para três pontos de origem.
Nos três canais, a pergunta e as alternativas foram as mesmas.
A ampliação é importante porque aumenta a possibilidade de participação, embora exija o mesmo cuidado metodológico das edições anteriores.
Uma pessoa pode eventualmente estar presente em mais de um dos ambientes.
Por isso, os 86 votos são agregados e não devem ser interpretados automaticamente como 86 indivíduos únicos.
O objetivo do Termômetro continua sendo identificar sinais qualitativos de percepção e comportamento empresarial, e não produzir uma pesquisa probabilística do universo do setor.

Mais pontos de coleta podem fortalecer a série
A entrada do Status também abre uma oportunidade.
Quanto mais o Termômetro conseguir manter uma pergunta simples, opções comparáveis e continuidade de publicação, maior tende a ser sua capacidade de ampliar participação.
Mas o ganho mais importante não virá apenas do número de votos.
Virá da continuidade.
Perguntar.
Consolidar.
Analisar.
Devolver o resultado.
E fazer a próxima pergunta a partir da anterior.
Esse ciclo está alinhado ao próprio posicionamento da área de Inteligência da Plataforma Setor Moveleiro, criada para reunir dados, sinais e análises capazes de oferecer contexto a quem decide. Setor Moveleiro
A resposta da semana: proteger e avançar ao mesmo tempo
A fotografia desta rodada não é a de um setor exclusivamente defensivo.
Tampouco é a de empresas simplesmente tentando crescer a qualquer custo.
O resultado mostra uma combinação.
33,7% procuram melhorar custo e produtividade.
30,2% procuram mais volume e negócios.
19,8% estão revisando mix, clientes e canais.
E 16,3% atuam prioritariamente sobre preços e descontos.
Talvez a síntese mais adequada seja:
as empresas estão tentando proteger resultado sem abrir mão de procurar oportunidades.
Isso é coerente com o que o Termômetro vem revelando ao longo de 2026: um mercado ativo, mas mais seletivo; interessado em crescer, porém com maior atenção a margem, caixa e risco. O levantamento do segundo trimestre já apresentava justamente essa combinação entre baixa previsibilidade e foco defensivo. Setor Moveleiro
Agora, a nova enquete mostra algo adicional.
A cautela começou a se transformar em ação.
E as duas principais respostas escolhidas pelas empresas são bastante objetivas:
produzir melhor;
e vender mais.


