Por Vitor Guidini
O associativismo no setor moveleiro sempre teve um papel decisivo na construção de polos industriais mais fortes, representativos e preparados para o futuro.
No próximo ano, o SINDIMOL completará 40 anos de história. Essa marca representa muito mais do que a longevidade de uma instituição. Ela mostra, acima de tudo, a capacidade de um grupo de empresários de compreender que existem desafios que nenhuma empresa resolve sozinha.
Por isso, o desenvolvimento de um setor depende da força da ação coletiva, da formação de pessoas e da construção de uma visão de longo prazo.
Ao longo dessas quatro décadas, o polo moveleiro de Linhares cresceu, evoluiu e se consolidou como referência nacional. Nesse período, empreendedores criaram novas empresas, conquistaram mercados, incorporaram tecnologias, modernizaram processos e ajudaram a construir uma das mais importantes vocações industriais do Espírito Santo.
Além disso, essa trajetória dialoga diretamente com a força do associativismo no polo moveleiro de Linhares/ES, que a Plataforma Setor Moveleiro já destacou como uma das bases para inovação, sustentabilidade, cooperação e desenvolvimento regional.

No entanto, a maior lição dessa trajetória talvez seja outra.
Nenhum setor constrói seu futuro apenas com máquinas, investimentos ou infraestrutura. Afinal, pessoas constroem setores fortes.
É justamente por isso que, ao me aproximar do encerramento deste ciclo na presidência do SINDIMOL, acredito que a reflexão mais importante não envolve apenas o que realizamos até aqui.
Portanto, a pergunta que realmente importa é: quem estamos preparando para continuar essa história?
Formação humana também é estratégia industrial
Vivemos um momento em que a indústria discute produtividade, competitividade, inovação, digitalização e expansão de mercados. Todos esses temas continuam essenciais.
Entretanto, uma agenda ainda mais estratégica e, muitas vezes, menos visível precisa ganhar espaço: a formação humana.
A qualidade das pessoas que um polo industrial consegue formar, atrair e desenvolver determinará seu futuro. Nesse sentido, o associativismo no setor moveleiro também funciona como ferramenta de desenvolvimento humano.

AFEMOL: quando o social constrói futuro
Talvez nenhum exemplo represente melhor essa visão do que a AFEMOL.
Neste ano, a instituição completa 20 anos de existência. Durante essas duas décadas, centenas de crianças participaram de suas atividades educacionais, esportivas, culturais e de desenvolvimento social.
Mais do que ocupar um espaço em suas rotinas, a AFEMOL ajudou a ampliar horizontes, fortalecer valores e criar oportunidades.
Por isso, seu trabalho nunca foi apenas assistência. Sempre foi construção de futuro.
Ao longo desses 20 anos, a AFEMOL não formou apenas crianças. Na prática, formou autoestima, confiança, disciplina, convivência, responsabilidade e esperança.
Além disso, a própria trajetória do SINDIMOL mostra como a responsabilidade social se conecta ao desenvolvimento setorial. Em matéria sobre o polo de Linhares, a Plataforma mostrou que a AFEMOL já impactou milhares de crianças e adolescentes, reforçando o papel social do associativismo industrial. Leia também sobre a atuação social da AFEMOL no contexto do SINDIMOL.

Formar cidadãos também fortalece territórios
Talvez muitas dessas crianças nunca trabalhem na indústria moveleira. Ainda assim, isso não diminui em absolutamente nada a importância do projeto.
Isso acontece porque seu verdadeiro propósito sempre foi maior.
A missão sempre foi contribuir para formar cidadãos mais preparados para a vida, para o trabalho, para os negócios e para os desafios de um mundo em constante transformação.
Quando uma criança aprende a acreditar em seu potencial, toda a sociedade avança. Da mesma forma, quando uma criança amplia seus sonhos, uma comunidade inteira cresce junto.
Consequentemente, esse impacto transforma territórios de forma profunda e duradoura.

Inspirar jovens hoje é preparar profissionais amanhã
Essa mesma convicção inspirou iniciativas mais recentes que aproximam as novas gerações da realidade industrial.
Essas iniciativas despertam o interesse de jovens pela manufatura, pelo empreendedorismo e pelas oportunidades que existem dentro do nosso setor.
Acreditamos que a formação profissional não começa quando alguém procura seu primeiro emprego. Na verdade, ela começa muito antes.
Começa quando despertamos curiosidade. Começa quando criamos pertencimento. E começa, principalmente, quando mostramos que existe futuro.
Por isso, se queremos profissionais preparados amanhã, precisamos inspirar jovens hoje.
Além disso, essa visão também se conecta ao debate sobre renovação institucional no SINDIMOL. Em entrevista anterior à Plataforma Setor Moveleiro, a gestão apresentou o compromisso de inovar sem perder as raízes no setor moveleiro de Linhares, aproximando novas gerações da entidade e mantendo o fundamento que sustentou sua história.
Sucessão também é responsabilidade coletiva
Ao mesmo tempo, essa reflexão nos leva a outro tema fundamental: a sucessão.
Essa sucessão não diz respeito apenas às empresas familiares. Ela também envolve lideranças setoriais, instituições e entidades que representam nosso segmento.
Nenhuma organização permanece forte quando depende apenas das pessoas que estão no comando neste momento.
Por esse motivo, instituições sólidas desenvolvem continuamente novas lideranças, renovam ideias e preparam quem assumirá as responsabilidades do futuro.
Esse talvez seja um dos maiores ensinamentos do associativismo.
O associativismo não constrói apenas entidades. Ele constrói continuidade, confiança, capital humano e legado.
Nesse sentido, essa lógica também aparece em movimentos recentes de cooperação entre polos moveleiros. A Plataforma Setor Moveleiro mostrou, por exemplo, que o intercâmbio entre Mirassol e Linhares reforçou a ideia de que cooperação pode se transformar em estratégia industrial, especialmente quando sindicatos, empresas e lideranças compartilham conhecimento e constroem agendas de longo prazo.

Instituições fortes nascem de pessoas
Essa cultura permitiu que o SINDIMOL chegasse aos seus 40 anos mantendo relevância, representatividade e capacidade de unir empresas em torno de objetivos comuns.
Afinal, estatutos não criam instituições fortes sozinhos.
Pessoas dispostas a dedicar tempo, experiência e conhecimento a uma causa coletiva criam instituições fortes.
Também fazem isso lideranças que compreendem que servir importa mais do que aparecer.
Além disso, essa força nasce da consciência de que deixar um setor melhor do que o encontramos representa uma responsabilidade compartilhada.
Por isso, ao concluir este ciclo, levo comigo uma certeza que se tornou ainda mais forte ao longo dos anos: uma gestão não mede seus resultados mais importantes apenas pelo que aparece imediatamente.
Na maioria das vezes, os resultados mais relevantes continuam produzindo efeitos depois que os mandatos terminam.

O futuro permanece
O próximo ano marcará os 40 anos do SINDIMOL. Ao mesmo tempo, a AFEMOL celebrará duas décadas impactando vidas. Além disso, o polo moveleiro de Linhares continuará escrevendo sua história.
No entanto, nenhuma liderança, empresa ou geração carrega sozinha essas conquistas.
Essas conquistas pertencem a todos aqueles que escolheram construir algo que permanecerá além deles próprios.
Porque os cargos passam. Os mandatos passam. As gestões passam.
Mas quando o associativismo no setor moveleiro forma pessoas, fortalece instituições e cria oportunidades, o futuro permanece.
E, no final das contas, é ele que realmente importa.
Escreveu esse artigo
Vitor Guidini é administrador de formação e tem MBA em gestão empresarial. Atualmente, é sócio e diretor comercial da Cimol Móveis e presidente do Sindimol (Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Linhares e da Região Norte do Espírito Santo) gestão 2023-2026, além de ser um dos fundadores do Espírito Hub.
