Design de superfície: como aumentar a percepção de valor no móvel

Design de superfície: como aumentar a percepção de valor no móvel

O design de superfície tornou-se um dos principais recursos estratégicos da indústria moveleira para agregar valor estético e comercial ao produto. Acabamentos, texturas e cores já não são apenas detalhes finais, mas parte essencial da experiência do consumidor, capaz de influenciar escolhas no ponto de venda e até justificar preços mais altos. Estudos recentes do Center for Design Research (2024) mostram que 72% dos consumidores atribuem maior valor a móveis que apresentam composições visuais sofisticadas, independentemente do material-base. Esse dado reforça que a percepção de qualidade está intimamente ligada à superfície visível do produto — um conceito central no artigo Superfícies para móveis e o design focado no bem-estar.

No Brasil, esse movimento ganha força em sintonia com tendências globais. O uso de novas tecnologias de impressão e revestimento em MDF, aliado ao avanço dos papéis decorativos, permite à indústria simular materiais nobres a custos reduzidos. De acordo com a consultoria MarketsandMarkets (2023), o mercado de revestimentos decorativos deve crescer 5,1% ao ano até 2028, impulsionado justamente pelo setor moveleiro. O desafio, porém, está em equilibrar inovação estética com viabilidade produtiva, em um cenário em que a velocidade das tendências pode pressionar margens de lucro e a sustentabilidade se torna pauta central — um ponto explorado na matéria Alerta de tendência: é a vez do metalizado no design de móveis.

Nesta matéria, vamos analisar como o design de superfície influencia a percepção de valor do móvel, quais tendências estão em alta, os benefícios e desafios desse movimento e de que forma a indústria pode se adaptar. Ainda mais:

  1. Afinal, quais são as principais tendências atuais em design de superfície no setor moveleiro?
  2. Como cores, texturas e acabamentos impactam a decisão de compra?
  3. De que forma a sustentabilidade se conecta a esse movimento?
  4. Quais os maiores desafios para indústrias e designers?
  5. Como o setor pode inovar sem comprometer competitividade e margem de lucro atualmente?

Como cores influenciam a percepção de valor

O impacto das cores no comportamento do consumidor é inegável. Uma pesquisa da Color Marketing Group (2024) revela que 85% das decisões de compra são influenciadas pela cor, especialmente em setores ligados ao estilo de vida. No mercado moveleiro, a paleta escolhida pode comunicar sofisticação, vitalidade ou aconchego — percepções alinhadas às tendências de cores e superfícies com apelo visual forte.

Katalin Stammer, diretora da Escola Curitibana de Design, destaca que as cores carregam forte carga emocional e estratégica. “Composições neutras transmitem calma e elegância, enquanto as vibrantes geram impacto imediato. É preciso habilidade para equilibrar sofisticação com ousadia”, afirma. Para ela, cores ganham ainda mais relevância no pós-pandemia, quando consumidores passaram a buscar vitalidade e energia em seus lares, mas sem abrir mão de ambientes acolhedores e duradouros.

Tendências em design de superfície no mercado moveleiro

O setor vive um momento marcado pela inovação estética. Impressão digital, volumetrias simuladas e acabamentos especiais geram novas experiências visuais. Tendências como superfícies tridimensionais refletem o design que alia forma e função, como discutido no artigo Forma e função: os caminhos para o design de mobiliário a partir do iSaloni 2023.

Stammer ressalta que essa combinação de tecnologia e composição cromática resulta em móveis de grande apelo visual. “Já temos papéis aplicados em MDF que simulam com precisão texturas nobres. Com acabamentos de brilho ou semibrilho, conseguimos efeitos sofisticados a preços acessíveis”, explica.

De acordo com Katalin Stammer, diretora da Escola Curitibana de Design, a combinação de tecnologia e cor tem possibilitado móveis sofisticados com texturas realistas e acessíveis.
De acordo com Katalin Stammer, que é arquiteta e designer, a ergonomia sensorial é um dos pontos de destaque

A conexão entre design de superfície e sustentabilidade

Além da estética, as escolhas em cores e texturas também dialogam com práticas sustentáveis. O mercado global de revestimentos ecológicos deve movimentar bilhões até 2030. Isso mostra que inovação visual e responsabilidade ambiental podem andar juntas — um tema explorado nas principais tendências de design de móveis com foco na sustentabilidade.

Para Stammer, “as cores não podem ser vistas isoladamente. Além disso, hoje elas precisam conversar com a sustentabilidade e com o comportamento flutuante do consumidor. Assim, as indústrias precisam inovar sem cair em cartelas descartáveis e de curta vida útil.” Desse modo, ela destaca a longevidade estética como essencial para reduzir descartes e gerar valor duradouro ao produto.

Benefícios e desafios da aplicação no setor

Entre os benefícios do design de superfície está a possibilidade de diferenciar produtos em um mercado competitivo: cores e acabamentos funcionam como camadas de valor agregado. Além disso, democratizar efeitos sofisticados, como madeiras nobres simuladas, amplia mercados.

O desafio, contudo, é lidar com a velocidade das tendências. “Hoje é uma cor, amanhã já é outra. Isso dificulta o planejamento de longo prazo e exige flexibilidade produtiva”, observa Stammer. Isso exige estoques enxutos e estratégias modulares — práticas ágeis fundamentais para o setor.

Como a indústria pode reagir e manter competitividade

Para equilibrar inovação e margem de lucro, especialistas recomendam usar dados e pesquisas de comportamento, em vez de aposta intuitiva. Nesse sentido, relatórios da McKinsey indicam que indústrias que utilizam análise de tendências cromáticas e testes de aceitação conseguem reduzir em até 20% as perdas com produtos de baixa saída — um movimento alinhado ao design estratégico que gera valor, explorado em Design estratégico no setor moveleiro.

Stammer conclui que “cores bem escolhidas são capazes de despertar desejo e garantir que o consumidor mantenha o móvel por mais tempo. Além disso, essa longevidade é fundamental tanto para o bolso do consumidor quanto para os objetivos de sustentabilidade do setor.

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