Sustentabilidade entra na equação da competitividade da Eucatex
Sustentabilidade e competitividade industrial estão cada vez mais conectadas à estratégia das empresas. Na Eucatex, essa relação ganha espaço com iniciativas que unem desempenho financeiro, gestão ambiental, economia circular, resiliência climática, tecnologia e inovação, mostrando como a agenda de sustentabilidade passa a integrar decisões relacionadas à eficiência e ao crescimento.

Divulgação/Eucatex
Relato Integrado 2025 mostra como clima, circularidade, biotecnologia e inteligência de dados passam a integrar decisões relacionadas à eficiência, resiliência e criação de valor no negócio.
Por Plataforma Setor Moveleiro
Sustentabilidade e competitividade industrial são temas cada vez mais conectados à estratégia das empresas. Durante muito tempo, porém, sustentabilidade e desempenho financeiro foram tratados como agendas que corriam em trilhas paralelas: de um lado, produção, custos, investimentos e resultados; de outro, meio ambiente, responsabilidade social e compromissos ESG.
Essa separação começa a perder espaço.

O Relato Integrado 2025 da Eucatex oferece um exemplo dessa mudança ao adotar, pela primeira vez, o conceito de dupla materialidade — abordagem que observa tanto os impactos provocados pela atividade empresarial sobre a sociedade e o meio ambiente quanto os efeitos que fatores ambientais, sociais e econômicos podem provocar sobre o próprio negócio.
Para uma companhia cuja operação está diretamente relacionada à madeira, energia, água e processos industriais, essa leitura tem implicações concretas. Mudanças climáticas podem afetar a produtividade florestal. Escassez hídrica pode pressionar operações. Resíduos podem representar custo ou matéria-prima. Dados podem melhorar previsões e reduzir ineficiências.
Nesse contexto, sustentabilidade deixa de ser apenas uma questão de reporte e passa a integrar a discussão sobre resiliência e competitividade industrial.
Dupla materialidade aproxima sustentabilidade da estratégia

Segundo a companhia, o novo relato combina indicadores financeiros e não financeiros e busca identificar, de um lado, os impactos de suas operações sobre a sociedade e o meio ambiente e, de outro, os riscos e oportunidades que fatores externos podem representar para o negócio.
Essa leitura ganha relevância quando observada ao lado do desempenho financeiro. Em 2025, a Eucatex informa ter alcançado receita líquida recorde de R$ 3,1 bilhões.
“A adoção da dupla materialidade mostra que o desempenho do nosso negócio está diretamente conectado aos desafios da sociedade e do planeta.” — Flavio Maluf, CEO da Eucatex
A declaração ajuda a traduzir o ponto central do movimento: temas ambientais deixam de aparecer apenas como compromissos institucionais e passam a ser observados também pela capacidade de afetar continuidade operacional, custos, produtividade e criação de valor no longo prazo.
Quando o risco climático chega à matéria-prima
Para uma empresa que utiliza madeira como matéria-prima relevante, os efeitos das mudanças climáticas não são uma discussão abstrata. Secas mais severas, alterações no regime de chuvas e novas pragas podem afetar diretamente a produtividade das florestas plantadas e, consequentemente, a disponibilidade e o custo dos insumos.
Em resposta a esse cenário, a Eucatex informa ter criado um Grupo de Trabalho sobre Mudanças Climáticas e acelerado o programa Silvicultura 4.0. A estrutura de pesquisa da companhia trabalha no desenvolvimento de novos clones de eucalipto com foco em produtividade, resistência à escassez hídrica e adaptação a novas pragas.
Para a cadeia moveleira, esse movimento chama atenção para uma dimensão cada vez mais estratégica da sustentabilidade: a resiliência da base de fornecimento. Em uma indústria intensiva em matérias-primas, compreender como riscos ambientais podem afetar disponibilidade, preço e regularidade de insumos passa a fazer parte da gestão do negócio.
Resíduo passa a integrar a equação energética
A circularidade aparece no relato não apenas como destinação de resíduos, mas também como componente da matriz energética. Por meio da divisão Eucatex Bioenergia, a companhia afirma ter reciclado mais de 95 mil toneladas de madeira em 2025, provenientes de móveis antigos, paletes e resíduos de madeira de obras.
Esse material é utilizado para gerar vapor empregado nas plantas industriais. Segundo a empresa, a iniciativa contribui para reduzir o descarte em aterros, diminuir a utilização de matérias-primas virgens e ampliar a eficiência energética.
A lógica é particularmente relevante para o setor moveleiro porque recoloca o resíduo dentro da cadeia de valor. O que antes representava apenas descarte pode, dependendo da escala, da tecnologia e da logística disponíveis, voltar ao sistema produtivo como recurso.
Biotecnologia também entra na gestão hídrica
Outro exemplo apresentado pela Eucatex está na gestão de efluentes. Um projeto-piloto com microrganismos realizado em uma das unidades da companhia reduziu em 20% a carga orgânica dos efluentes industriais em quatro meses, segundo dados divulgados pela empresa.
O caso mostra como inovação ambiental e eficiência operacional podem ocupar o mesmo espaço. Em vez de tratar água e efluentes apenas sob a perspectiva de conformidade, tecnologias desse tipo podem abrir caminho para processos mais eficientes e resilientes.
Dados e IA entram na mesma estratégia de eficiência
A transformação também passa pela governança de dados. A Eucatex informa ter investido R$ 1,7 milhão em transformação digital e consolidado seu data lake, centralizando informações de áreas consideradas estratégicas.
Entre as aplicações mencionadas está o uso de inteligência artificial para previsão de demanda, com 92% de assertividade segundo a companhia.
O dado é relevante porque conecta uma agenda frequentemente associada à sustentabilidade a outro tema central para a indústria: qualidade da decisão. Prever melhor a demanda pode contribuir para planejamento de produção, estoques, compras, logística e uso mais eficiente de recursos.
Assim, circularidade, clima, gestão hídrica e inteligência de dados deixam de aparecer como iniciativas isoladas e passam a compor uma mesma discussão sobre eficiência e capacidade de adaptação.
Conservação e valor compartilhado
No campo ambiental, o Relato Integrado 2025 informa que a Eucatex mantém mais de 10 mil hectares destinados à vegetação nativa e já restaurou 1,8 mil hectares de áreas degradadas. O monitoramento realizado nas fazendas da empresa registrou 33 espécies da fauna ameaçadas de extinção, entre elas onça-parda, lobo-guará e tamanduá-bandeira.
No pilar social, a companhia informa ter destinado mais de R$ 1 milhão a doações para instituições locais. Entre as iniciativas citadas está o projeto Polinizar, desenvolvido em parceria com cerca de 20 famílias de apicultores que utilizam áreas das florestas de eucalipto para produção de mel. Segundo a empresa, a iniciativa já alcançou 321 toneladas produzidas.

O que esse movimento sinaliza para a cadeia moveleira
Para a cadeia moveleira, movimentos como esses merecem atenção porque sustentabilidade está progressivamente deixando de ser observada apenas sob a ótica ambiental.
Origem da matéria-prima, eficiência energética, reaproveitamento de resíduos, disponibilidade hídrica, rastreabilidade, capacidade de adaptação climática e qualidade dos dados começam a participar da mesma discussão sobre produtividade, custos, riscos e acesso a mercados.
Isso não significa que todas as empresas devam reproduzir os investimentos ou estruturas de uma companhia do porte da Eucatex. Escala, disponibilidade de capital, perfil produtivo e prioridades são diferentes em cada organização.
Mas uma pergunta tende a ganhar relevância para empresas de diferentes portes: quais fatores ambientais e sociais podem afetar a competitividade do meu negócio — e como estou me preparando para eles?
A adoção da dupla materialidade pela Eucatex é um sinal dessa mudança de perspectiva. Mais do que relatar impactos, a abordagem coloca sustentabilidade dentro da leitura de riscos, oportunidades e decisões que podem influenciar a perenidade da empresa.
Para o setor moveleiro, talvez esteja justamente aí o ponto mais importante: sustentabilidade começa a deixar de ser uma agenda paralela para se tornar parte da própria estratégia empresarial.
Fonte e transparência editorial
Os dados, iniciativas e resultados empresariais citados nesta matéria foram fornecidos pela Eucatex a partir de seu Relato Integrado 2025. A contextualização para a cadeia moveleira foi desenvolvida editorialmente pela Plataforma Setor Moveleiro.
Relato Integrado 2025 da Eucatex: acessar documento e informações ESG
Observação editorial


