A normalização técnica ajuda a garantir a qualidade e a segurança dos móveis produzidos no Brasil. Mas, como o setor muda rápido, manter as normas atualizadas é sempre um desafio. Por isso, é importante que as revisões aconteçam com frequência, para que os critérios técnicos acompanhem as inovações e sigam o que vem sendo feito lá fora. Quando demoram, essas revisões acabam ficando mais complexas. Afinal, o mercado não espera a norma mudar para lançar novos produtos
A revisão de uma norma deve ocorrer de tempos em tempos, mas quando, por alguma razão, demora muito, podem se tornar mais complexas, pois a velocidade com que os produtos ou processos mudam é muito alta e empresas não ficam esperando que a revisão das normas aconteça para inovar seus produtos.
Assim, o ideal é que as normas representem o estado da arte vigente do produto, se mantendo atualizadas em sintonia com as Normas Internacionais, por meio de revisões constantes.
A revisão da “Norma ABNT NBR 13962: 2018 – Móveis para escritório — Cadeiras — Requisitos e métodos de ensaio”, está atualmente em andamento sob responsabilidade da Comissão de Estudos de Assentos do Comitê Técnico CB-015 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que trata da normalização do setor mobiliário de forma geral, incluindo móveis residenciais e corporativos.
Pode-se observar no próprio título que a referida Norma é uma publicação de 2018, já com defasagem significativa em relação à normalização internacional usadas como referência.

O escopo desta norma, diferentemente da normalização de móveis de armazenamento, por exemplo, especifica, além das características físico-mecânicas de cadeiras de escritório, as questões dimensionais e a sua classificação.
Nesta revisão, poderá ser incluído um novo método de medição dimensional, que já é de uso corriqueiro nas normas europeias de referência.
Este novo método de medição utiliza um exclusivo DMC (Dispositivo de Medição para Cadeiras) ou CMD (Chair Measuring Device), desenvolvido com base em diversas normas de reconhecimento internacional, como a americana BIFMA, a inglesa BS, a alemã DIN, a europeia EN 1335-1, entre outras.
O DMC ou CMD leva em consideração a medição da protrusão lombar provocada pelo uso das cadeiras. Portanto, trata-se de uma norma robusta e atualizada, criada para eliminar o uso de inúmeros métodos de medição para cadeiras, às vezes conflitantes e com seus respectivos pontos fracos, adotados em diferentes países ao redor do mundo, facilitando a sua comparação.

É importante destacar que alguns fabricantes brasileiros de cadeiras de escritório já possuem o referido dispositivo.
Os métodos de ensaio deste dispositivo de medição se baseiam na maneira como as dimensões antropométricas são medidas. Para poder relacionar as dimensões das cadeiras de escritório com as dimensões antropométricas, foi adotada uma postura sentada teórica de referência, cujas características são as seguintes:
– A sola do pé apoiada no chão;
– O pé forma um ângulo de aproximadamente 90° com a perna;
– A perna está aproximadamente na vertical;
– A perna forma um ângulo de aproximadamente 90° com a coxa;
– A coxa está quase na horizontal;
– A coxa forma um ângulo de aproximadamente 90° com o tronco;
– O tronco está ereto.
Mais informações sobre as dimensões antropométricas podem ser encontradas na ISO 7250-1, na série ISO 20685 e na ISO 14738.

A seguir, serão apresentadas algumas imagens que mostram o DMC (Dispositivo de Medição para Cadeiras) ou CMD (Chair Measuring Device) e os respectivos mecanismos, retiradas da norma europeia ISO-24496:2021.
A imagem abaixo ilustra o dispositivo de posicionamento do CMD em relação à cadeira a ser ensaiada, com o seu mecanismo de movimentação vertical do CMD (1), o dispositivo de aplicação de força horizontal (2), o mecanismo de fixação da base da cadeira (3) e o próprio CMD (4).

A próxima imagem, por sua vez, mostra o mecanismo de medição de protrusão lombar e altura do suporte lombar com segmentos empilhados verticalmente (3) e seus dispositivos, como manômetro (1) e a bomba de pressão (2), escala de protrusão do suporte lombar (4) e escala de altura do suporte lombar (5).

Em seguida, a figura mostra a posição frontal do apoia-braço (1), linha do encosto (2) e a distância entre a frente do apoia-braço até a frente do elemento vertical do CMD.

A adoção desse dispositivo de medição pela Norma da ABNT poderá provocar eventuais mudanças no sistema de medição adotado pelas Normas brasileiras e, consequentemente, exigir algumas modificações nas especificações dimensionais das cadeiras de escritório.
Por isso, é muito importante que os fabricantes de cadeiras de escritório participem dessa discussão relativa à normalização, a fim de se alinharem globalmente quanto à saúde ocupacional e ao uso desses móveis.

Escreveu esse artigo
Jorge M. Kawasaki, que é engenheiro e mestre em engenharia de materiais.
Tem experiência em desenvolvimento de novos produtos em vários segmentos industriais, incluindo autopeças (velas de ignição), aeronáutica (mobiliário da aviação executiva), florestal (certificação FSC na Amazônia Oriental) e madeira e mobiliário (Instituto Senai de Tecnologia), entre outros.
Atualmente, é colaborador da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), responsável pelo desenvolvimento do Projeto de Normalização de Móveis.
