O setor moveleiro vive um momento de margens pressionadas, demanda mais seletiva e concorrência que não para de crescer. Nesse contexto, tomar decisões com mais informação e ter disciplina e visão de longo prazo influenciam quem consegue seguir avançando
Vivemos um momento raro e desafiador, com ansiedade, inquietação, mudanças constantes, competição acirrada, volatilidade, ambiguidade e incertezas.
Assim, o famoso mundo VUCA, que relaciona a volatilidade, a incerteza, a complexidade e a ambiguidade com o mundo socioeconômico, deixou de ser conceito e virou rotina. Isso vale para todos nós: pessoas, empresas e setores.
E no nosso caso, no industrial e moveleiro, isso fica ainda mais evidente, porque além dos desafios que controlamos diariamente, existem aqueles que simplesmente não controlamos, mas que precisamos aprender a ler, adaptar e reagir.
Hoje, convivemos com:
- Inflação pressionando custos;
- Necessidade real de melhorar margens;
- Demanda mais limitada, muito diferente do período da pandemia.
E a pergunta que fica é: como navegar nesse cenário sem perder a direção?

A leitura começa de dentro
Talvez a resposta comece com perguntas simples e profundas:
- Você realmente conhece seu negócio?
- Você está preparado para o que vem depois?
- Você está focado no volume ou na rentabilidade?
- Sua vontade de executar está alinhada ao que você planejou?
Porque os desafios não param por aqui. Falamos de sucessão, de custo de capital e de mão de obra.
E ainda temos um fator cada vez mais presente: a concorrência internacional, seja atraindo nossas indústrias para países vizinhos, seja colocando no nosso mercado produtos mais baratos vindos de fora.

1. Inteligência de mercado: decisão com informação real
Mas como tomar boas decisões sem informação confiável? Um dos maiores ativos que um empresário do setor moveleiro pode construir hoje é uma rede de troca com pares, fornecedores e clientes.
Não bate-papo e superficialidade, mas uma troca estruturada, rotineira, e com dados e contexto: quem está comprando o quê? A que preço? Com qual prazo? Qual fornecedor está entregando melhor? Qual segmento está aquecido?
Essas respostas existem, mas ficam presas em silos. Quem aprende a romper esses silos toma decisões melhores, mais rápidas e com menos risco.
A informação compartilhada entre pares não enfraquece ninguém. Pelo contrário, fortalece o setor moveleiro como um todo.

2. Disciplina comercial: coerência que sustenta o negócio
Aqui vai uma provocação direta: se você acredita no valor do que entrega, por que aceita condições que contradizem isso?
Você paga seus fornecedores em dia, honra seus compromissos, mas, na outra ponta, aceita prazos alongados, descontos que corroem a margem e condições que jamais aceitaria no papel de comprador.
Disciplina comercial não é arrogância, é coerência. Brigar pelo preço justo, pelo prazo equilibrado e pela condição que sustenta o negócio isso não é opcional, é gestão.
Se você concede prazo alongado na venda, por que não briga pelo mesmo na compra? Se você é pontual nos seus compromissos, por que aceita que o recebimento seja diferente?
A resposta começa com uma decisão interna: o quanto você acredita, de verdade, no que vende?

3. Remuneração do capital: a conta que poucos fazem
Você sabe o que entra e o que sai, conhece seus custos, seu fluxo e seus compromissos, mas tem uma pergunta que poucos fazem com honestidade: quanto o seu negócio deveria te remunerar pelo capital que você tem investido nele?
Ativo imobilizado, estoque, estrutura, risco… tudo isso tem um custo de oportunidade. Se esse capital estivesse aplicado em outro lugar, qual seria o retorno?
Não se trata de pessimismo, se trata de clareza, porque só quem entende o real retorno do próprio negócio consegue tomar decisões de expansão, reinvestimento ou consolidação com lucidez, e não só com coragem.

4. Mão de obra: exigir mais requer oferecer mais
A falta de mão de obra qualificada é uma realidade no setor moveleiro, mas a resposta não pode ser só reclamar. A pergunta certa é: o que estamos oferecendo para atrair e reter pessoas que fazem diferença?
Capacitação, remuneração vinculada à performance e ambiente com propósito não são benefícios extras, são estratégia. Quem investe no desenvolvimento do colaborador colhe produtividade, reduz turnover e constrói time.
Quem só exige, sem entregar, vai continuar contratando para cobrir a saída de quem foi embora. O setor precisa de profissionais melhores, e profissionais melhores escolhem onde trabalhar.

O caminho: união, consolidação e direção
Eu acredito e afirmo que união e consolidação são caminhos reais:
- Evoluir juntos;
- Reduzir ociosidade;
- Compartilhar informação;
- Aproveitar melhor a logística;
- Aprender com quem faz melhor.
Pensar e agir no hoje, mas com clareza de onde se quer chegar amanhã. Talvez isso não elimine a ansiedade, mas certamente dá direção.
No final do dia, a diferença será clara: ou estaremos preparados para viver o futuro, ou só lembrando de como era o passado.
O momento é crucial. E você, como está se posicionando diante disso?!

Escreveu essa coluna
Diego Simões Munhoz, que concluiu o ensino médio no Canadá, na Leboldus High School, é formado em Administração de Empresas pela Unopar (Universidade Norte do Paraná) e possui MBA em Gestão Empresarial pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
Munhoz iniciou sua trajetória ainda jovem na empresa da família, passando por diferentes áreas da indústria moveleira. Em 2009, liderou, ao lado de outros executivos, a construção de um planejamento robusto, que passou a ser revisado anualmente.
Em 2019, assumiu o cargo de CEO da Caemmun após um processo estruturado de sucessão familiar, que incluiu mentoria e implantação de práticas de governança corporativa. Também atua como sócio-administrador em empresas de diferentes segmentos.
