Setor moveleiro em 2026: o mercado não parou, mas mudou o jogo — e 2027 exigirá novas escolhas
O setor moveleiro em 2026 chega ao segundo semestre entre sinais de reação, varejo seletivo, custos pressionados e incertezas econômicas. Esta análise cruza dados da indústria e do varejo, os Termômetros Setor Moveleiro e indicadores econômicos para avaliar os caminhos até 2027, incluindo Reforma Tributária, competitividade, internacionalização e a busca por ambientes produtivos mais favoráveis

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Indústria e varejo atravessam um ano de crescimento seletivo, crédito caro, pressão sobre margens e maior incerteza. Enquanto as empresas ajustam custos, portfólio e investimentos, eleições, Reforma Tributária e mudanças no comércio internacional ampliam a necessidade de planejamento. Nesse ambiente, até a localização da produção volta à agenda — e o Paraguai passa a ser uma alternativa que merece análise.

O setor moveleiro em 2026 oferece uma leitura aparentemente contraditória.
De um lado, a indústria reage em determinados meses, o varejo apresenta recuperações pontuais, empresas continuam lançando produtos e as feiras permanecem movimentando negócios.
Por outro lado, os números acumulados ainda mostram fragilidade, enquanto empresários relatam pressão sobre custos, margens, crédito e mão de obra.
Portanto, procurar uma resposta simples para a pergunta “o mercado está crescendo ou caindo?” talvez seja insuficiente.
A questão mais relevante para o decisor passou a ser outra:
em um mercado que continua funcionando, mas se tornou mais seletivo, onde estarão as oportunidades — e quais riscos precisam ser reduzidos antes de 2027?
Setor moveleiro em 2026: indústria reage, mas recuperação ainda não se consolidou
Os dados mais recentes ajudam a dimensionar esse cenário.
Em maio, a produção brasileira de móveis e colchões avançou 3,4% em relação a abril, chegando a 35,6 milhões de peças. Entretanto, entre janeiro e maio, a produção permaneceu 2% abaixo do mesmo período de 2025. Em 12 meses, a retração alcançou 3,1%.
Os números integram a Conjuntura de Móveis, estudo desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL. Veja a análise mais recente da Conjuntura ABIMÓVEL
Assim, existe capacidade de reação, mas ainda não uma trajetória consistente de expansão.
No início do ano, o IEMI já projetava um cenário moderado para 2026: crescimento de 0,5% na produção física da indústria e avanço de 1,5% no volume vendido pelo varejo. Ao mesmo tempo, o instituto alertava para juros elevados, endividamento, ambiente eleitoral e baixo investimento privado como fatores de contenção. Conheça as projeções do IEMI para o setor moveleiro em 2026
Além disso, outro indicador merece atenção. As importações de máquinas destinadas à fabricação de móveis diminuíram 13,2% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025.
Consequentemente, a indústria parece preservar sua capacidade operacional, mas aprova novos investimentos com maior seletividade.
Em outras palavras, a questão não está apenas em ter capacidade produtiva.
Está em ter confiança para acelerar essa capacidade.

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O varejo voltou a reagir, mas o consumidor continua escolhendo mais
O varejo apresentou um movimento importante em maio.
As vendas de móveis e colchões cresceram 15,3% em volume em comparação com abril. Em valores, a alta foi de 15,6%.
Entretanto, quando o período analisado aumenta, o cenário muda.
De janeiro a maio, as vendas permaneceram 3,7% abaixo de 2025 em volume e 1,3% menores em valores. Em 12 meses, as retrações chegaram a 4,8% e 2%, respectivamente.
Portanto, uma reação mensal não pode ser automaticamente interpretada como retomada estrutural.
Além disso, móveis e colchões são produtos particularmente sensíveis ao crédito. Afinal, envolvem tíquetes maiores, planejamento familiar e utilização frequente de parcelamento.
Nesse contexto, o consumidor continua presente, mas avalia melhor o momento da compra, o preço, as condições financeiras e o valor percebido.
Essa transformação vai além da conjuntura econômica. O próprio IEMI mostra que o varejo de móveis vem passando por mudanças relacionadas a tecnologia, novos canais, experiência do consumidor e sustentabilidade. Leia a análise do IEMI sobre a transformação do varejo de móveis
Assim, preço continua importante. Porém, sozinho, ele explica cada vez menos a capacidade de competir.

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O Termômetro captou antes aquilo que os indicadores começaram a confirmar
A percepção dos próprios empresários já sinalizava esse ambiente.
No Termômetro do Setor Moveleiro do 1º trimestre de 2026, realizado pela Plataforma Setor Moveleiro, 51,1% dos 92 respondentes afirmaram ter encerrado o período dentro das expectativas.
Por outro lado, 43,5% ficaram abaixo do esperado. Apenas 5,4% declararam desempenho superior às expectativas.
Ao mesmo tempo, 53,3% apontaram redução de custos e proteção da margem como prioridade estratégica para 2026. Veja o Termômetro do 1º trimestre do Setor Moveleiro
No segundo trimestre, o sinal defensivo ficou ainda mais evidente.
Para 71,6% dos participantes, o desempenho permaneceu entre estabilidade e piora na comparação com o trimestre anterior.
Além disso, quando a comparação passou para o primeiro semestre de 2026 diante do mesmo período de 2025, 86,4% declararam desempenho estável ou abaixo da expectativa. Leia o Termômetro do 2º trimestre de 2026
Ainda assim, isso não significa paralisia.
O mesmo levantamento mostrou empresas buscando reação por meio de novas linhas, internacionalização, eficiência, tecnologia e reposicionamento comercial.
Dessa forma, surge talvez uma das principais características do setor moveleiro em 2026:
crescimento deixou de ser algo que o mercado simplesmente entrega e passou a exigir construção ativa por parte das empresas.
Custos e preço formam uma das equações mais difíceis do ano
Esse crescimento, porém, precisa acontecer sem destruir resultado.
No segundo Termômetro, 58% dos respondentes classificaram como alto o impacto dos reajustes de matérias-primas sobre seus custos produtivos.
Ao mesmo tempo, o reajuste médio aplicado ou planejado para o segundo semestre ficou em aproximadamente 6,1%.
Existe, portanto, uma tensão clara.
Se a empresa repassa integralmente os custos, corre o risco de perder competitividade.
Por outro lado, se absorve continuamente os aumentos, compromete margem e caixa.
Por isso, produtividade deixou de ser uma agenda abstrata de gestão industrial.
Ela passa diretamente pela formação de preço.
Automação, redução de perdas, revisão do mix, planejamento de produção, negociação de compras e gestão comercial passam a determinar quanto da pressão poderá ser absorvida sem comprometer rentabilidade.
A Plataforma já aprofundou esse tema ao analisar por que proteger margem passou a ser prioridade antes de simplesmente crescer. Leia a análise sobre margem e crescimento na indústria moveleira
O cenário político de 2026 também influencia decisões empresariais
Há ainda uma variável que não aparece diretamente dentro da fábrica ou da loja, mas interfere nas expectativas: as eleições.
O primeiro turno das eleições gerais brasileiras acontece em 4 de outubro de 2026. Caso necessário, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.
Para esta análise, entretanto, não importa antecipar resultado eleitoral ou preferência política.
O ponto relevante para o decisor é outro.
Períodos eleitorais naturalmente aumentam a quantidade de variáveis em aberto sobre política econômica, ambiente fiscal, regulamentação e confiança.
E os próprios empresários demonstram essa preocupação.
No Termômetro do segundo trimestre, instabilidade política e eleições foram mencionadas por 54,5% dos participantes como fatores capazes de limitar o crescimento.
Além disso, redução do poder de compra e inadimplência apareceram em 43,2%, enquanto juros e dificuldade de crédito foram citados por 38,6%.
Assim, muitas decisões de investimento provavelmente continuarão sendo tomadas com cautela até que exista maior visibilidade sobre o ambiente de 2027.

O que esperar de 2027 para o setor moveleiro?
As projeções macroeconômicas disponíveis atualmente não apontam para um cenário de euforia.
A pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central continua mostrando expectativa de crescimento econômico moderado para 2027, inflação ainda acima do centro da meta e redução gradual dos juros. A mediana para a Selic no encerramento de 2027 está em torno de 12% ao ano.
Portanto, mesmo que o crédito comece a melhorar, dificilmente o setor deveria construir seus planos imaginando uma retomada acelerada sustentada apenas por juros mais baixos.
O cenário-base parece ser de recuperação gradual e desigual.
Nesse ambiente, algumas empresas, categorias e canais poderão avançar mais rapidamente do que outros.
Consequentemente, aumenta o valor de uma competência empresarial que nem sempre recebeu a atenção necessária:
escolher melhor onde competir.
Reforma Tributária: 2027 começa a ser decidido agora
Ao mesmo tempo, a Reforma Tributária adiciona outra camada ao planejamento.
O ano de 2026 funciona como período de teste para CBS e IBS.
A partir de 2027, começa uma etapa mais concreta: PIS e Cofins deixam de existir, a CBS passa a ser cobrada e o IBS continua sua implantação dentro do cronograma de transição.
Para a indústria moveleira, isso significa muito mais do que trocar tributos em uma planilha.
Formação de preço, créditos tributários, ERP, cadastro de produtos, contratos, compras, vendas, documentos fiscais, capital de giro e relacionamento entre fornecedores e clientes entram na discussão.
Essa preocupação também aparece no Termômetro: 44,3% demonstraram percepção negativa ou preocupação relevante em relação à Reforma Tributária. Outros 12,5% disseram ainda não compreender integralmente suas implicações.
Nesse sentido, a Plataforma já publicou um guia estratégico sobre os impactos da Reforma Tributária no setor moveleiro B2B, que pode servir como aprofundamento para o decisor. Leia o Guia Estratégico da Reforma Tributária no Setor Moveleiro B2B
Portanto, esperar 2027 para começar a adaptação pode significar chegar atrasado.
Comércio exterior aumenta a necessidade de diversificação
Outra frente relevante está fora do mercado doméstico.
As exportações brasileiras de móveis e colchões terminaram o primeiro semestre de 2026 em aproximadamente US$ 349,8 milhões, queda de cerca de 6,5% na comparação anual.
Além disso, os embarques para os Estados Unidos recuaram aproximadamente 42%, reduzindo significativamente o peso do país no total exportado pelo setor.
A ABIMÓVEL vem acompanhando esse movimento e destacando um ambiente externo mais seletivo, marcado por barreiras tarifárias, mudanças regulatórias e reconfiguração das cadeias internacionais. Veja o balanço da ABIMÓVEL sobre as exportações no primeiro semestre
Isso não reduz a importância da exportação.
Ao contrário.
Torna ainda mais relevante a diversificação de destinos.
Empresas excessivamente dependentes de um único mercado, cliente, canal ou geografia produtiva tornam-se mais expostas a decisões que não controlam.
Além disso, a própria entrevista recente da Plataforma com a presidência da ABIMÓVEL durante a Movelsul reforçou temas como inteligência de mercado, exportação, barreiras comerciais e competitividade. Leia a entrevista da Plataforma com a ABIMÓVEL na Movelsul 2026

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Quando o ambiente de negócios entra na estratégia industrial
É justamente nesse ponto que a análise começa a ultrapassar produção e vendas.
Durante muito tempo, a localização de uma fábrica foi tratada praticamente como decisão permanente.
Entretanto, tributação, mão de obra, energia, logística, acesso a mercados, burocracia e segurança regulatória estão levando empresários de diferentes setores a comparar ambientes de negócios.
Isso não significa necessariamente fechar uma unidade brasileira para instalar outra em outro país.
Existem modelos intermediários.
Uma empresa pode avaliar expansão complementar, montagem, distribuição regional, produção destinada à exportação ou estruturas híbridas.
Dessa forma, uma nova palavra passa a integrar a estratégia:
opcionalidade.
Paraguai entra no radar — mas precisa ser analisado sem simplificações
Nesse debate, o Paraguai merece atenção.
A economia paraguaia apresenta atualmente indicadores diferentes dos brasileiros. A pesquisa de expectativas do Banco Central do Paraguai aponta crescimento esperado de 4,3% em 2026 e 4% em 2027. Para inflação, as medianas estão em 3,3% e 3,5%, respectivamente.
Além disso, o regime de Maquila continua expandindo sua participação industrial.
Entre janeiro e julho de 2026, as exportações das empresas maquiladoras chegaram a US$ 860 milhões, crescimento de 28% na comparação anual. Nesse período, 42 novos programas foram aprovados.
A Plataforma já vinha analisando essa discussão ao conectar competitividade, Reforma Tributária e Paraguai às decisões estratégicas da indústria moveleira. Leia a análise sobre indústria moveleira, Reforma Tributária e Paraguai
Entretanto, é fundamental evitar simplificações.
O Paraguai não é uma solução automática para toda empresa brasileira.
Uma operação precisa considerar fornecimento de matérias-primas, logística, escala, mão de obra, regras de origem, governança, câmbio, mercado de destino, financiamento e estrutura jurídica.
Para determinadas empresas, permanecer integralmente no Brasil continuará sendo a melhor alternativa.
Para outras, uma operação complementar poderá fazer sentido.
E, para um terceiro grupo, uma estrutura orientada à exportação poderá criar vantagem competitiva.
O ponto mais importante é outro:
comparar ambientes produtivos deixou de ser uma discussão exótica e passou a fazer parte da estratégia empresarial.

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Três cenários possíveis para o setor moveleiro em 2027
Diante dessas variáveis, não parece prudente trabalhar com apenas uma previsão.
No cenário-base, juros recuam gradualmente, o crédito melhora aos poucos e o consumo de móveis reage sem aceleração expressiva. Nesse caso, eficiência operacional e diferenciação continuam determinantes.
Já em um cenário mais favorável, inflação perde força, juros caem mais rapidamente e confiança e crédito melhoram. Como consequência, bens duráveis poderiam responder com maior intensidade, favorecendo reposição de estoques e produção.
Por outro lado, em um cenário adverso, inflação, ambiente fiscal e incertezas mantêm juros elevados. Ao mesmo tempo, tensões comerciais e custos de adaptação tributária pressionam novamente margem e caixa.
Nenhuma empresa controla qual desses caminhos prevalecerá.
Entretanto, pode preparar-se para todos eles.
Quais caminhos ficam para o decisor B2B?
A leitura conjunta dos dados do IEMI, ABIMÓVEL e dos dois Termômetros da Plataforma sugere algumas prioridades para a passagem de 2026 para 2027:
Proteger margem antes de perseguir faturamento a qualquer custo, compreendendo resultado por produto, cliente e canal.
Aumentar produtividade, utilizando tecnologia, automação e revisão de processos para reduzir perdas e dependência de recursos escassos.
Reavaliar portfólio e canais, porque lançamento e renovação do mix continuam funcionando como motores importantes de receita.
Tratar crédito como estratégia comercial, principalmente diante da maior seletividade do consumidor e do risco de inadimplência.
Diversificar mercados e riscos, reduzindo dependência excessiva de clientes, canais ou destinos externos.
Preparar a Reforma Tributária agora, incluindo sistemas, preços, contratos e gestão de créditos.
Comparar ambientes de negócios, inclusive avaliando estruturas produtivas complementares quando houver justificativa econômica concreta.
Não se trata apenas de uma agenda defensiva.
Trata-se de uma agenda de reposicionamento.
O setor moveleiro em 2026 pode estar preparando o jogo de 2027
Talvez o maior erro seja julgar o setor moveleiro em 2026 apenas pela variação percentual da produção ou das vendas.
O ano parece estar produzindo algo mais profundo.
Empresas estão sendo obrigadas a rever preços, margens, estoques, crédito, mão de obra, investimentos, tecnologia, mercados e, em alguns casos, até a geografia de suas operações.
Além disso, 2027 começa com outra etapa da Reforma Tributária, um novo ciclo político depois das eleições e uma economia que, pelas projeções atuais, ainda deverá crescer moderadamente.
Portanto, dificilmente haverá espaço para esperar que o próprio mercado resolva os problemas de competitividade.
A vantagem poderá estar com empresas que cheguem ao próximo ciclo mais eficientes, menos dependentes, melhor informadas e com maior número de alternativas estratégicas.
Essa talvez seja a principal leitura de 2026.
Competitividade não será apenas produzir melhor ou vender mais. Será ter capacidade de escolher melhor quando o ambiente mudar.