Grupo Castor alerta que uso de isopor nos colchões pode comprometer o conforto e a durabilidade dos produtos

Na hora de escolher quais colchões vão para a venda, preço, conforto e acabamento costumam pesar mais na decisão do lojista. A composição interna, por outro lado, nem sempre recebe a atenção que merece, mesmo que tenha influência na qualidade e no desempenho do item. Com o avanço do isopor nos colchões, o tema passou a gerar discussões no setor moveleiro, e o Grupo Castor, que não usa esse material em seus produtos, explica por que essa escolha faz parte da sua estratégia de qualidade. Neste artigo, você vai entender o que está por trás desse debate. Boa leitura!

Conforto e durabilidade são atributos que todo colchão promete oferecer, e, para o lojista, essa entrega começa antes da venda, na escolha dos produtos que vão compor o mix da loja. Ainda assim, a composição interna costuma receber menos atenção do que outros aspectos.

Nos últimos anos, o EPS (poliestireno expandido), ou isopor, passou a fazer parte da fabricação de colchões e se tornou comum na indústria. Com isso, o material tem despertado discussões sobre seu comportamento e os impactos na experiência do consumidor final.

O alerta do Grupo Castor para o uso de isopor nos colchões

Com o tema ganhando espaço no setor moveleiro, o Grupo Castor decidiu reforçar seu posicionamento em relação ao EPS. Segundo levantamento da empresa, mais de 80% da indústria colchoeira já usa esse material em seus processos produtivos.

O uso do EPS é permitido e regulamentado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), que exige a identificação da composição na etiqueta do colchão. Para o Grupo Castor, porém, o debate envolve também o desempenho do produto.

Por que o isopor nos colchões tem sido uma questão para a indústria?

O consumidor que procura um colchão nem sempre sabe reconhecer todos os materiais que fazem parte da estrutura do produto. O termo “poliestireno expandido”, por exemplo, dificilmente é associado ao isopor por quem está comprando.

A informação até aparece na etiqueta técnica, mas o problema é que localizar o nome ali não significa entender o que ele representa. E, para Cleriane Lopes Denipoti, diretora-executiva do Iner (Instituto Nacional de Estudos do Repouso), esse é um dos principais desafios. 

“Estamos falando de um material permitido, mas que ainda não é plenamente compreendido por quem compra. O consumidor precisa saber o que está dentro do colchão e como isso pode impactar o uso ao longo do tempo”, afirma.

A falta de ensaios específicos para colchões que usam isopor

Foi pensando nisso que o Instituto, em parceria com o programa Pró-Espuma, começou a tratar o assunto de forma mais próxima ao público, explicando como os materiais usados nos colchões são avaliados.

Segundo Denipoti, as espumas desses produtos já passam por ensaios específicos que analisam seu comportamento com o passar do tempo. O EPS, por outro lado, ainda não tem uma avaliação nos mesmos parâmetros.

“Conseguimos certificar tecnicamente as espumas porque os ensaios medem deformação, resiliência e fadiga, mas, no caso do EPS, não existem ensaios que comprovem esse desempenho. Por isso, colchões com esse material não recebem o selo Pró-Espuma”, explica.

Conforme destaca a diretora-executiva do Iner, a certificação Pró-Espuma é voluntária, não uma exigência para fabricar colchões. Mesmo assim, Denipoti deixa claro que componentes diferentes podem passar por critérios de avaliação diferentes.

Quais são as diferenças de comportamento entre espuma e isopor nos colchões?

Dentro de um colchão, espuma e EPS cumprem papéis diferentes. Conforme explica Helio Antonio Silva, CEO do Grupo Castor, enquanto a espuma é desenvolvida para se adaptar ao corpo e absorver impactos, o isopor funciona principalmente como um elemento estrutural.

Segundo ele, essa diferença nem sempre aparece no momento da venda, já que, na loja, a percepção inicial costuma estar ligada ao conforto, mas a resposta dos materiais ao uso contínuo só fica mais evidente com o passar dos meses.

Peso, movimentos e a rotina de descanso influenciam o comportamento do produto ao longo dos anos. Por isso, a composição interna tem relação com a forma como o colchão mantém suas características durante o uso.

Dependendo da estrutura utilizada, especialistas do setor apontam diferenças na adaptação ao corpo, no suporte e na estabilidade do colchão. Entre os pontos observados estão alterações na sensação de conforto, maior rigidez e mudanças no apoio oferecido ao consumidor.

Grupo Castor e a decisão de não usar isopor nos colchões da marca

Para o Grupo Castor, que atua há mais de 60 anos no mercado colchoeiro, a escolha dos materiais está relacionada à busca por um desempenho mais previsível ao longo da vida útil do produto. Por esse motivo, a empresa optou por não utilizar EPS em seus colchões.

“Preço baixo pode ser um fator de decisão, mas o colchão precisa entregar desempenho ao longo dos anos. Quando falamos de saúde, postura e qualidade do sono, o critério precisa ir além da primeira impressão. E o principal, o consumidor precisa saber”, afirma o CEO.

Mesmo com as discussões sobre desempenho, o EPS continua sendo usado pela indústria por características como redução de custo, leveza e facilidade de aplicação. No mercado, esses fatores contribuem para a criação de produtos voltados a diferentes perfis de consumidores.

No entanto, Silva reforça que o colchão é um produto de uso prolongado e, dessa forma, o que parece adequado no primeiro contato precisa manter seu desempenho durante anos, acompanhando a rotina de quem usa o produto todos os dias.

Como o Grupo Castor orienta o mercado colchoeiro a lidar com esse cenário?

Para o Grupo Castor, a forma como o colchão é apresentado no ponto de venda influencia a percepção de valor do produto. Por isso, a marca orienta seus parceiros a transformar informações técnicas em argumentos que façam sentido para quem está comprando.

“Acreditamos que o consumidor não compra um colchão pensando apenas nos materiais que existem dentro dele. Ele busca conforto, qualidade de sono, durabilidade e a confiança de estar fazendo uma boa escolha”, afirma Silva.

Sendo assim, a recomendação do Grupo Castor aos lojistas é apresentar as tecnologias utilizadas de forma acessível, mostrando como cada característica do produto contribui para a experiência de uso.

“Em vez de falar apenas sobre espumas, molas ou componentes internos, o vendedor deve explicar como aquela tecnologia melhora o descanso, oferece maior suporte ao corpo, aumenta a durabilidade do produto e proporciona uma experiência de sono superior.”

Essa orientação também está relacionada à forma como a empresa enxerga a relação entre preço e desempenho. Para o CEO do Grupo Castor, o mercado atende diferentes perfis de consumidores, mas a escolha de um colchão não deve ser baseada apenas no menor valor.

Dessa forma, o foco da marca é desenvolver produtos que entreguem desempenho, conforto, segurança e durabilidade, usando matérias-primas de alta qualidade e tecnologias reconhecidas pelo mercado. 

“Entendemos que um colchão é um investimento feito para muitos anos e, por isso, o consumidor tende a valorizar cada vez mais aquilo que oferece melhor custo-benefício ao longo do tempo, e não apenas o menor preço no momento da compra”, complementa.

Esse movimento também acompanha uma mudança no comportamento de compra. De acordo com Silva, os consumidores estão mais interessados em entender como os produtos são desenvolvidos, quais materiais são utilizados e quais benefícios cada escolha oferece.

“Sem dúvida, esse será um tema cada vez mais relevante. O consumidor está muito mais informado do que há alguns anos e procura entender não só o preço, mas também como o produto é fabricado, quais materiais são utilizados e quais benefícios eles oferecem.”

Para a marca, o desafio é comunicar essas diferenças para aproximar a informação técnica da decisão de compra.

“Na Castor, acreditamos que conhecimento gera confiança. Quanto mais o consumidor compreender a qualidade dos materiais, das tecnologias e dos processos utilizados, maior será sua percepção de valor e sua segurança na hora de escolher um colchão”, finaliza o CEO.

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