Copa do Mundo 2026: o que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil?

Copa do Mundo 2026: o que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil?

A Copa do Mundo sempre movimentou o setor moveleiro, e o histórico de vendas aquecidas no período pré-torneio sustentou, por anos, uma expectativa quase automática de crescimento. A edição de 2026, porém, chega com um cenário diferente, em que o torcedor está menos engajado, o crédito está pressionado e os hábitos mudaram. Mas o que isso significa, na prática, para o comportamento de compra de móveis no Brasil? Neste artigo, você vai entender o que mudou, o que ainda resiste e como o setor pode se posicionar diante desse momento. Boa leitura!

A Copa do Mundo sempre teve peso nas expectativas do varejo no Brasil. No setor moveleiro, o torneio costuma estimular a procura por produtos ligados à sala de estar e aos ambientes onde as pessoas acompanham os jogos.

Durante anos, esse comportamento se repetiu quase naturalmente. A proximidade da competição incentivava parte dos consumidores a trocar o sofá, renovar alguns móveis ou fazer mudanças na casa antes do início das partidas.

Copa do Mundo 2026: o que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil?
No setor moveleiro, a Copa do Mundo costuma estimular a procura por produtos
ligados à sala de estar e aos ambientes onde as pessoas acompanham os jogos

O desafio de conquistar o consumidor nesse período

Em 2026, porém, o mercado se vê diante de um contexto diferente. O interesse dos brasileiros pela Seleção já não parece ter a mesma intensidade de outras edições. Enquanto isso, temas políticos e econômicos ocupam uma parcela cada vez maior da atenção das pessoas.

Os horários dos jogos também entram nessa conta. Com as partidas do Brasil acontecendo à noite, a tendência é que o torneio seja acompanhado de forma mais reservada, dentro de casa e com menos efeito na rotina de trabalho.

A isso se soma uma realidade conhecida pelo varejo: o orçamento apertado e o crédito comprometido. Sendo assim, para o mercado de móveis, a disputa pela preferência do consumidor deve ser mais acirrada do que em outras edições do torneio.

O que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil em ano de grandes competições esportivas?
O interesse dos brasileiros pela Seleção já não parece ter a mesma intensidade de outras edições. Enquanto
isso, temas políticos e econômicos ocupam uma parcela cada vez maior da atenção das pessoas.

Como o setor moveleiro tem se preparado para a Copa do Mundo 2026?

Durante muitos anos, a Copa do Mundo esteve entre os eventos que mais influenciaram o consumo. No setor moveleiro, a proximidade do torneio costumava gerar boas expectativas, especialmente em categorias ligadas aos ambientes onde os brasileiros assistiam aos jogos.

Em 2026, porém, o mercado tem um cenário diferente do que marcou outras edições da Copa.

Carlos Bessa, fundador da Plataforma Setor Moveleiro, estrategista de mercado e palestrante em marketing, gestão e vendas, acredita que parte dessa mudança está ligada à forma como os brasileiros se relacionam com a Seleção. 

Na avaliação do especialista, o vínculo entre a torcida e a equipe nacional perdeu força ao longo do tempo. Esse aspecto, portanto, pode acabar reduzindo o envolvimento de parte do público com o torneio.

“Houve uma perda de identificação do público com a Seleção Brasileira, na medida em que os interesses empresariais passaram a privilegiar para a convocação jogadores que atuam na Europa e que muitas vezes não tiveram como criar vínculos com o torcedor”, explica.

Copa do Mundo 2026: o que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil?
Carlos Bessa, que é fundador da Plataforma Setor Moveleiro, acredita que parte dessa mudança no comportamento
de compra de móveis no período de Copa está ligada à forma como os brasileiros se relacionam com a Seleção

O efeito da polarização das eleições de 2026

Além disso, essa transformação acontece ao mesmo tempo em que temas políticos, econômicos e sociais têm ganhado mais espaço nas conversas e dividido o interesse que antes era direcionado quase exclusivamente ao futebol em períodos de Copa do Mundo.

“Se você perguntar para um brasileiro qual é a escalação da Seleção, a maioria não saberá. Porém, se perguntar quem são os integrantes do STF, boa parte vai listar os nomes. Isso além da disputa eleitoral que, polarizada como é, toma dimensões cada vez mais impactantes.”

Sendo assim, Bessa defende que, historicamente, a Copa do Mundo costumava estimular o consumo em diferentes categorias, mas a edição de 2026 acontece em um ambiente marcado por prioridades diferentes e por um consumidor mais cauteloso na hora de gastar.

O que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil em ano de grandes competições esportivas?
Essa transformação acontece ao mesmo tempo em que temas políticos, econômicos e sociais têm ganhado
mais espaço nas conversas e dividido o interesse que antes era direcionado quase exclusivamente ao futebol

O impacto das questões econômicas do Brasil

Além da mudança de comportamento, o cenário econômico pesa nas decisões de compra. Com o orçamento mais apertado e menos espaço para gastos que podem ser adiados, muitas famílias acabam concentrando seus recursos em despesas consideradas essenciais.

“O consumo de móveis em períodos de Copa sempre foi de grande incremento, e esse ano parece que o fenômeno não se repetiu. Um ponto que também afeta isso é a perda do poder aquisitivo da população, resultado da inflação e do aumento da carga tributária”, diz Bessa.

Copa do Mundo 2026: o que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil?
Além da mudança de comportamento, o cenário
econômico pesa nas decisões de compra

Quais categorias de móveis tendem a concentrar maior demanda no período?

Quando a Copa do Mundo influencia o consumo de móveis, os reflexos costumam aparecer nos ambientes mais usados da casa, já que muitos consumidores aproveitam o período para fazer mudanças, trocar peças desgastadas ou reorganizar espaços que fazem parte da rotina.

Para o fundador da Plataforma Setor Moveleiro, existem categorias que costumam concentrar boa parte desse movimento. “Os principais beneficiados na Copa sempre foram os estofados, racks e estantes. E, com a otimização dos imóveis, as salas de jantar também entram.”

Na prática, esses itens atendem à necessidade de quem quer melhorar a experiência em casa:

  • Racks e painéis: acompanham a decisão de trocar ou reposicionar a televisão, que também pode aumentar nesse período;
  • Sofás e poltronas: a troca ou a renovação do estofado costuma ser motivada pelo tempo que a família passa assistindo aos jogos;
  • Mesas e cadeiras de sala de jantar: são importantes especialmente em imóveis em que um mesmo cômodo deve funcionar bem no dia a dia e para receber convidados;
  • Estantes e móveis de organização: entram para quem quer arrumar o espaço sem grandes investimentos, aproveitando o momento para dar uma nova cara ao ambiente.

No geral, a presença das salas de jantar entre as categorias revela uma mudança importante no perfil das moradias brasileiras. Com plantas cada vez mais compactas, é comum encontrar ambientes integrados, onde sala de estar, sala de jantar e cozinha dividem o mesmo espaço.

Nesses casos, um único móvel pode cumprir mais de uma função no ambiente. E, para um consumidor que está escolhendo com mais cuidado onde investir seu dinheiro, isso se torna um diferencial importante para as marcas.

O que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil em ano de grandes competições esportivas?
Quando a Copa do Mundo influencia o consumo de móveis, os
reflexos costumam aparecer nos ambientes mais usados da casa

De que forma o hábito de reunir pessoas em casa influencia as decisões de compra?

Em outras edições da Copa do Mundo, os jogos do Brasil costumavam mudar a rotina de trabalho e criar ocasiões para encontros. Muitas empresas liberavam funcionários para acompanhar as partidas, o que transformava bares, empresas e casas em pontos de encontro.

Para Bessa, porém, a Copa de 2026 deve seguir uma dinâmica diferente por causa dos horários das partidas da Seleção Brasileira.

“Sempre existiu aquela movimentação de os funcionários saírem mais cedo para acompanhar os jogos, mas nesse ano isso vai acontecer no horário convencionalmente livre do trabalhador [à noite], e isso acaba tornando o evento de assistir aos jogos mais familiar e privado.”

Copa do Mundo 2026: o que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil?
Em outras edições da Copa do Mundo, os jogos do Brasil
costumavam mudar a rotina de trabalho e criar ocasiões para encontros

A valorização das necessidades da família

Na avaliação do especialista, os horários dos jogos mudam uma dinâmica que sempre esteve presente em períodos de Copa. Com menos encontros e menos visitantes circulando pelas casas, renovar os ambientes para receber pessoas não é mais uma prioridade.

“Isto afeta o consumo porque não existe a ‘necessidade’ de impressionar os visitantes com um móvel novo e lindo”, afirma Bessa, apontando que isso não significa que o consumidor deixará de comprar móveis durante o torneio. 

Segundo o fundador da Plataforma Setor Moveleiro, a diferença é que a decisão tende a estar mais ligada às necessidades da própria família do que à expectativa de receber convidados por causa dos jogos.

O que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil em ano de grandes competições esportivas?
Na avaliação de Carlos Bessa, os horários dos jogos mudam
uma dinâmica que sempre esteve presente em períodos de Copa

Como o crédito ainda pressionado afeta o consumidor de móveis no Brasil?

O crédito comprometido não é uma novidade para o consumidor brasileiro, mas o peso disso sobre as decisões de compra fica mais visível em momentos como a Copa do Mundo, quando o setor costumava contar com um aquecimento natural da demanda.

Com menos espaço no orçamento, o consumidor passa a filtrar os gastos com mais critério. 

Sendo assim, móveis que poderiam ser trocados por desejo, como um sofá ainda bom e uma estante que cumpre a função, ficam para depois. O que vai para frente na lista de prioridades é o que resolve um problema de verdade.

Nesse cenário, Bessa argumenta que “o setor moveleiro precisa ter produtos que se apresentem como necessários, indispensáveis e inadiáveis para entrar na briga pela prioridade do consumidor”.

Para o especialista, isso muda a conversa entre a loja e o cliente, já que quem está administrando o orçamento com cuidado não se convence por uma vitrine bonita, se convence quando entende por que aquela compra faz sentido.

Copa do Mundo 2026: o que esperar do comportamento de compra de móveis no Brasil?
O crédito comprometido não é uma novidade para o consumidor brasileiro, mas o peso
disso sobre as decisões de compra fica mais visível em momentos como a Copa do Mundo

Qual é a expectativa do mercado moveleiro para a Copa do Mundo 2026?

Durante muitos anos, a chegada da Copa do Mundo foi acompanhada por uma expectativa positiva no varejo. O período que antecedia o torneio costumava trazer aumento nas vendas e reforçava a confiança de empresas que já conheciam esse movimento de outras edições.

Mesmo assim, conforme defende Bessa, 2026 tem uma realidade diferente. “Historicamente, sempre houve aumento das vendas no período pré-Copa. A expectativa para 2026 também era alta, mas, pelos fatores que observamos neste ano, esse movimento não está se repetindo.”

Para o fundador da Plataforma Setor Moveleiro, o interesse mais dividido entre diferentes assuntos, os hábitos de consumo e a pressão sobre o orçamento das famílias formam um contexto diferente daquele que tradicionalmente impulsionava as vendas antes do torneio.

Na avaliação de Bessa, esse comportamento mostra que o desempenho do setor moveleiro depende cada vez menos de datas específicas e cada vez mais da capacidade das empresas de compreender o que realmente motiva uma compra.

“Hoje, as marcas precisam prestar mais atenção ao consumidor do que ao calendário. A Copa continua sendo um evento importante, sim, mas entender o que realmente pesa na decisão de compra é o que faz diferença para quem quer vender”, finaliza.

Veja também