Design popular não é design pobre: veja como inovar com o custo controlado

Design popular não é design pobre: veja como inovar com o custo controlado

Durante muito tempo, o design popular foi visto com certo desdém, como se criar móveis com custo mais acessível fosse sinônimo de abrir mão da criatividade. Porém, a realidade do setor moveleiro mostra o contrário: inovar com um orçamento enxuto é um dos maiores testes de inteligência projetual. Nesta coluna, você vai conferir por que design popular não é design limitado, e como ele pode – e deve – ser sinônimo de estratégia, beleza e funcionalidade. Boa leitura!

Existe um enorme abismo entre fazer o básico e fazer o necessário. E o design acessível está justamente nesse espaço: o de criar com propósito, consciência e muita inteligência.

Quem já trabalhou com móveis voltados ao público das classes C e D sabe bem: o desafio vai muito além de desenhar algo “barato”. 

O verdadeiro desafio é entregar um produto bonito, funcional, coerente com a rotina do consumidor e, ainda assim, viável para produção em larga escala.

E é aí que o bicho pega.

O design acessível não é ausência de estética, é estratégia.

Por muito tempo, o design popular foi tratado quase como um parente distante do “bom design”. Como se só fosse possível inovar quando se tem madeira maciça, acabamentos nobres ou liberdade orçamentária. 

Mas quem está inserido nesse mercado sabe que a inovação mora nos detalhes: no encaixe inteligente que economiza ferragem, na usinagem que agrega valor sem pesar no custo, no módulo que resolve mais de uma função num espaço pequeno.

Isso não é limitação. Isso é projeto.

Design acessível não é design pobre: veja como inovar com o custo controlado

O consumidor mudou. E ele tá de olho.

Hoje, quem consome móveis populares também consome tendências. Ele acompanha marcas no Instagram, pesquisa no Google Imagens e compara produtos na internet. 

Não adianta mais oferecer sempre “o mesmo modelo com outra cor”. O cliente quer ver diferença, quer se reconhecer no móvel que leva pra casa, e, principalmente, quer sentir que fez um bom negócio.

Design popular não é design pobre: veja como inovar com o custo controlado

Ser criativo com recurso limitado é um talento. E um diferencial competitivo.

Trabalhar com materiais padronizados, chapas de MDP, ferragens de linha e poucas operações especiais na fábrica exige raciocínio rápido, leitura de mercado e – por que não? – sensibilidade. 

Às vezes, uma leve curva, uma textura, ou até mesmo a forma como você organiza visualmente um módulo já muda completamente a percepção de valor de um produto.

Isso é o que faz o consumidor escolher o seu móvel em meio a dezenas na loja.

Design acessível não é design pobre: veja como inovar com o custo controlado

Design pra todos é design que transforma.

Acredito que o verdadeiro papel do design está em melhorar a vida das pessoas. Todas elas. E isso inclui quem parcela um roupeiro em 10 vezes no carnê. 

Fazer bonito só quando se tem orçamento folgado é fácil. Quero ver é criar algo que caiba na casa e no bolso da maioria, e que, ainda assim, traga dignidade estética e praticidade pro dia a dia.

O design popular, quando bem feito, carrega uma potência enorme. Ele alcança lugares onde o design assinado talvez nunca chegue. E isso, pra mim, é o que o torna tão importante.

Design popular não é design pobre: veja como inovar com o custo controlado

Escreveu essa coluna

Gilson Vaz é designer de interiores com MBA em Criatividade e Inovação no Ambiente Empresarial. 

Atua como diretor criativo do Estúdio Gilson Vaz, um estúdio de design especializado em pesquisa e desenvolvimento de produtos para a indústria moveleira e de acessórios, contando com uma equipe multidisciplinar.

Com mais de 10 anos de experiência, já colaborou com grandes marcas, como Kappesberg, desenvolvendo produtos que aliam design estratégico, viabilidade produtiva e com um diferencial, a avaliação do consumidor final. 

O estúdio oferece serviços como análise e gestão de portfólio, pesquisa e desenvolvimento de mobiliário, modelagem 3D, e pesquisas de validação com consumidores.

Sempre alinhado às principais marcas de previsões de tendências, o estúdio mantém presença ativa nas maiores feiras do setor moveleiro e segmentos adjacentes, garantindo que seus projetos estejam atualizados com as inovações do mercado.

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