Bater o recorde de faturamento não adianta nada se a operação consome todo o fôlego da estrutura da empresa, e fechar qualquer pedido só para bater a meta pode acabar custando o futuro do negócio. Nesta coluna, Vitor Guidini explica por que 2026 pede mais atenção à margem do que ao volume bruto, mostrando que o amadurecimento da indústria está na coragem de escolher melhor para quem vender e entender onde o lucro sobra no fim do mês
Quando começamos um novo ciclo, normalmente olhamos para metas, lançamentos e oportunidades. Mas 2026 chega trazendo uma pergunta diferente, menos ruidosa, porém muito mais importante: o seu modelo de negócio sustenta a margem que você acredita ter?
Essa é uma reflexão que muitos evitam, porque exige encarar vulnerabilidades que não aparecem no faturamento, mas aparecem no resultado. E, principalmente, exige aceitar algo que nem todos estão prontos para admitir: as regras do setor mudaram, e a margem está sendo o principal mensageiro dessa mudança.
O novo ciclo pede outro tipo de decisão: 2026 não exige empresas maiores. Exige empresas mais conscientes. Conscientes de que volume sem propósito pesa. Conscientes de que o estoque sem giro custa. Conscientes de que cliente sem margem drena energia. Conscientes de que produção sem eficiência não fecha conta.
Nesse ano, a pergunta “quanto vender” fica menor do que “em que condições vender”. A indústria que escolhe melhor o mix, o cliente, o prazo e o canal lucra mais com menos esforço. Não é retração, é maturidade.
Como setor, temos a oportunidade de subir o nível do jogo. Vender pior empurra todos para baixo. Vender melhor puxa a régua para cima. No Sindimol, seguimos estimulando a mesma atitude: lucro com coerência, crescimento com consciência e parceria com previsibilidade.

Escreveu esse artigo
Vitor Guidini é administrador de formação e tem MBA em gestão empresarial. Atualmente, é sócio e diretor comercial da Cimol Móveis e presidente do Sindimol (Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Linhares e da Região Norte do Espírito Santo), além de ser um dos fundadores do Espírito Hub.
