Falar de margem do negócio em 2026 é falar de escolhas, gestão e preparo. O cenário econômico e comercial mudou, o consumo esfriou e, com isso, cada decisão pesa mais no resultado. Nesse novo ritmo, o volume de produção não garante margem e o improviso pode custar caro. Assim, só quando a indústria moveleira entende esse movimento, começa a operar com mais critério, foco e consistência. Nesta coluna, você vai descobrir se a margem do seu negócio está pronta para o jogo
A pergunta que ninguém gosta de enfrentar: a margem do negócio está preparada para 2026?
2026 não vai ser um ano comum. Ele chega com uma mensagem direta e incômoda para a indústria moveleira: os fundamentos do jogo mudaram, mas boa parte das empresas ainda insiste em jogar com as regras antigas.
E quando a regra muda, a margem muda junto. A grande provocação é simples, mas profunda: seu modelo de gestão está ajustado ao novo ciclo ou ainda está operando como se fosse 2018?
O novo ciclo não tolera improviso, e a margem é a primeira a denunciar isso
Durante muitos anos, a indústria moveleira cresceu na base do volume, do crédito relativamente acessível e de um consumidor mais disposto a comprar.
Nesse contexto, margens até folgadas mascaravam ineficiências, retrabalho, portfólio inchado e decisões comerciais feitas no “sentir do mercado”.
Em 2026, esse mundo não existe mais.
Hoje, qualquer pequena falha se transforma em perda de margem, e não existe amortecedor para esconder descuido.
O custo do dinheiro é alto, o consumo é mais racional, a inadimplência exige seleção, e a indústria está tendo que operar com mais cérebro do que força.
Produzir é fácil. Ganhar dinheiro produzindo é outra conversa.
A margem sofre porque o modelo mental de gestão não evoluiu na mesma velocidade.

A grande verdade (e aqui vale o incômodo) é que muitas empresas ainda tentam resolver problemas novos com ferramentas velhas.
Alguns exemplos práticos são:
1. Vender mais virou risco, não solução
Aumentar o volume não garante aumento de resultado. Em muitos casos, destrói a margem. Já estamos vendo empresas que faturam mais e lucram menos.
2. Portfólio expandido demais virou inimigo
SKU demais consome capacidade, gera complexidade, aumenta custo fixo e faz a margem evaporar. 2026 exige matar vacas sagradas.
3. Estoque alto agora é veneno
O giro mais lento e a cautela do consumidor significam que estoque errado significa caixa parado. E caixa parado é margem derretendo.
4. A margem não resiste à operação desorganizada
Retrabalho, refação, compra mal planejada, perdas de produção… Antes eram problemas, agora são ameaças.

A regra mudou e quem não adaptar o jogo perde resultado
2026 será um ano em que a margem vai premiar empresas inteligentes e punir empresas teimosas.
Aqui está o novo conjunto de regras que, goste ou não, já está valendo:
Menos volume, mais eficiência
Crescer por crescer acabou. O jogo é produtividade por metro quadrado, por colaborador, por célula.
Mix cirúrgico
Não é ter mais produto. É ter os produtos certos, que cabem na fábrica e geram margem real.
Comercial disciplinado
Vender a qualquer custo sai caro. 2026 exige cliente certo, canal certo e preço certo.
Custo financeiro virou centro de estratégia
Decisões produtivas agora dependem do impacto no capital de giro. Quem ignora isso opera no escuro.
Gestão virou fator competitivo
Não é modismo. É sobrevivência. 2026 é o ano em que gestão profissional deixa de ser vantagem e vira requisito.

Provocação final: sua margem está no papel ou na realidade?
Muitas empresas entram no ano novo com margem projetada, não com margem real.
E 2026 vai ser implacável com ilusões. Então, deixo três provocações para reflexão imediata:
– Qual percentual do seu portfólio destrói sua margem sem você perceber?
– Se você cortar 10% do volume, a margem sobe ou desce?
– Sua operação aguenta um ano menos previsível sem você “queimar” preço para rodar máquina?
A resposta honesta a essas três perguntas determina se 2026 será um ano de reforço ou de aprendizado doloroso.

Conclusão: 2026 pede preparo, não discurso
As empresas que entenderem que a regra mudou irão ajustar o jogo a tempo. Já as que insistirem no modelo antigo verão a margem encolher, mesmo com produção cheia.
O Sindimol (Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Linhares e da Região Norte do Espírito Santo) segue reforçando a mesma mensagem: não há cenário ruim para quem sabe se preparar.
Há, sim, empresas que continuam insistindo em não se preparar. 2026 está pedindo maturidade, decisão e coragem. E as margens, elas nunca mentem.

Escreveu esse artigo
Vitor Guidini é administrador de formação e tem MBA em gestão empresarial. Atualmente, é sócio e diretor comercial da Cimol Móveis e presidente do Sindimol, além de ser um dos fundadores do Espírito Hub.
