Entre estéticas e sentidos, eis minhas percepções sobre o Salone del Mobile Milano 2025 

Entre estéticas e sentidos, eis minhas percepções sobre o Salone del Mobile Milano 2025

Voltar ao Salone del Mobile Milano é sempre uma experiência única. Caminhar por Milão nesses dias é redescobrir o design em sua forma mais autêntica. Cada material, cada detalhe, me lembra o que me encanta nessa profissão. E, em 2025, o design me tocou de uma maneira ainda mais profunda

Voltar a Milão durante o Salone del Mobile é como reencontrar um grande amor. A cidade se transforma, respira criatividade por todos os cantos, e tudo parece fazer mais sentido. 

Dessa forma, ver de perto o que os grandes nomes do design estão criando, perceber os movimentos mais sutis de mudança e inovação é uma experiência que toca, inspira e transforma. 

E, neste ano, mais do que tendências, o que me chamou atenção foram as sensações. O design estava vivo, e eu vivi isso intensamente.

Entre estéticas e sentidos, eis minhas percepções sobre o Salone del Mobile Milano 2025

Formas mais orgânicas e tecidos que abraçam

Ao longo do evento, pude perceber que as linhas retas estão dando lugar a curvas generosas e mais inusitadas. Os móveis ganharam uma suavidade encantadora, trazendo identidade exclusiva para o design de interiores.

Há uma fluidez em tudo, uma sensação de abraço. E os tecidos acompanham esse movimento. Buclês, pelúcias, tramas densas e texturas felpudas criam um acolhimento quase emocional. 

No geral, são móveis que não querem só decorar, querem cuidar. E isso acontece porque, em tempos de cansaço coletivo, o design responde com acolhimento, o que faz toda a diferença.

Entre estéticas e sentidos, eis minhas percepções sobre o maior evento de design do mundo

A paleta da vez: tons terrosos, verdes suaves e marrons

As cores que encontrei em Milão pareciam sussurrar ao invés de gritar. Nada era excessivo, tudo estava no tom certo. 

Desse modo, a base off-white seguia predominando, mas com novas nuances: cinzas sofisticados, azuis acinzentados, marrom-chocolate, verdes profundos e um terracota que se reinventa em cada projeto. 

A madeira, que está sempre presente, aparece em tons médios e claros, criando um equilíbrio perfeito com as paletas mais terrosas. São escolhas que conectam o espaço com a natureza, com a terra, com o essencial. 

Os tons mais escuros, por sua vez, vêm para trazer memórias afetivas, requinte e sofisticação para a decoração.

Esses são os itens perfeitos para ambientes que acolhem, que aquecem e que, de alguma forma, nos lembram que é possível respirar com mais calma.

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A valorização das origens

Em meio a tanta tecnologia e inovação, foi emocionante ver o quanto o feito à mão está em alta. Mas não como uma moda passageira, e sim como uma valorização real das culturas, das histórias e das raízes. 

Por isso, vi projetos lindos que combinam técnicas artesanais com uma estética contemporânea e sofisticada. Um trabalho que não tem pressa, que honra o tempo das mãos, que carrega narrativas. 

Há um luxo silencioso nesse tipo de escolha. Um luxo que vem da verdade, da identidade e da conexão com o que realmente importa, o propósito. O design ganha alma e ganha vida quando carrega histórias, e foi isso que vi em tantos espaços por aqui.

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A presença do Brasil em Milão

E eu não podia deixar de falar do espaço brasileiro, que estava simplesmente impecável. Cada detalhe, do layout à iluminação, mostrava uma curadoria cuidadosa e cheia de intenção. Os produtos estavam bem posicionados, e o convite à experimentação era evidente. 

Mais do que representar o Brasil, o espaço afirmava nossa identidade com maturidade. Foi bonito ver como o design brasileiro está ganhando força no cenário internacional, e não por seguir tendências, mas por criar novas perspectivas. 

Assim, a mistura de técnicas, materiais e formas autênticas mostrou que o Brasil tem muito a oferecer. É uma conquista coletiva, resultado de anos de trabalho, união e visão de futuro.

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Indoor e outdoor se encontram

As fronteiras entre o dentro e o fora da casa estão se dissolvendo. Cada vez mais, os projetos arquitetônicos priorizam áreas de transição, como sacadas, varandas e espaços gourmets que se integram ao ambiente externo. 

E o design acompanha essa mudança com peças que funcionam nos dois mundos. Móveis versáteis, com materiais resistentes, mas que não abrem mão do conforto e da estética. 

Vi muitas propostas que valorizam esse novo jeito de morar: mais aberto, mais fluido, mais conectado com a natureza. E é justamente nesse encontro entre o interno e o externo que surgem ambientes que fazem sentido para as tendências do novo morar.

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Sustentabilidade de verdade

Você já deve saber que sustentabilidade não aparece mais como algo extra ou como um bônus, já que, agora ela está no centro das decisões. Em Milão, vi projetos em que a preocupação com o impacto ambiental não era alardeada, mas sentida. 

Estava no material reciclado, no processo consciente, no design pensado para durar. E isso tudo sem abrir mão da beleza, da inovação ou do encantamento. Pelo contrário: parecia que, ao cuidar do planeta, o design ganhava ainda mais propósito. 

E quando há propósito, tudo faz mais sentido para quem cria e para quem vive os espaços criados.

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Minhas reflexões sobre o Salone del Mobile Milano 2025

Voltar de Milão é voltar com a cabeça cheia de imagens, materiais e combinações que ainda estou digerindo. O Salone del Mobile Milano tem essa força de nos colocar diante do que está acontecendo no mundo, e isso não só no design, mas na forma como escolhemos viver.

O que vi por lá reforça uma vontade de projetar com mais calma, mais escuta e mais respeito pelos espaços e pelas pessoas. O desenho dos móveis parece acompanhar o ritmo de um cotidiano que pede aconchego, beleza e propósito sem exagero.

Volto inspirada e, ao mesmo tempo, provocada e com a missão de provocar o futuro do design sustentável nos meus projetos. O design brasileiro tem espaço, tem identidade e tem qualidade. E isso, cada vez mais, está sendo percebido e valorizado onde quer que a gente vá.

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Escreveu essa coluna

Juliana Weiss, que é designer e atua de forma estratégica no setor moveleiro, além de ser fundadora da Cose Serviços de Design e Treinamento, empresa dedicada a conectar criatividade, inteligência de mercado e propósito para criar e impulsionar negócios. 

Com formação em Design Thinking e uma trajetória marcada pela escuta atenta, olhar sensível e foco em resultados, Weiss tem ampla experiência no desenvolvimento de produtos, curadoria de tendências e liderança de equipes criativas. 

Hoje, atua com empresas, profissionais e instituições, promovendo conexões entre pessoas, ideias e soluções que geram valor, seja para o consumidor final, para a indústria ou para a sociedade.

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