Setor moveleiro em 2025: entre a cautela operacional e a resiliência estratégica

Setor moveleiro em 2025: entre a cautela operacional e a resiliência estratégica

O setor moveleiro em 2025 tem enfrentado muitos desafios. Com juros altos, custos em alta e dificuldade para encontrar mão de obra, grande parte das empresas viu o desempenho ficar abaixo do esperado. Mesmo assim, os gestores seguem ajustando estratégias para manter a operação e buscar novas oportunidades. Neste artigo, você confere os principais dados da pesquisa realizada com empresários do setor e entende quais caminhos têm sido traçados para o restante do ano

O primeiro semestre de 2025 se revelou um período de intensos desafios e aprendizados para o setor moveleiro brasileiro

Assim, em uma conjuntura marcada por instabilidade econômica e juros elevados, os empresários do nosso segmento demonstram uma notável capacidade de adaptação, mesclando cautela na gestão com uma busca incessante por diferenciação e eficiência. 

Para aprofundar o entendimento deste cenário, a Plataforma Setor Moveleiro promoveu a pesquisa Índice de Desempenho do Setor Moveleiro, conduzida entre 20 e 30 de junho, que contou com a participação de 101 decisores de todo o ecossistema do mobiliário. 

Os resultados, que estão detalhados a seguir, pintam um retrato fiel dos obstáculos, estratégias e expectativas que moldarão o futuro próximo da indústria.

A análise do perfil dos respondentes mostra uma forte concentração na indústria de móveis, que representa 68,3% da amostra. 

Geograficamente, a maior parte das empresas está localizada nas regiões Sul e Sudeste, com destaque para o Rio Grande do Sul (33,7%), o Paraná (23,8%) e Santa Catarina, evidenciando o peso desses polos produtores.

Setor moveleiro em 2025: entre a cautela operacional e a resiliência estratégica
A análise do perfil dos respondentes mostra uma forte concentração na
indústria de móveis, que representa 68,3% da amostra

Um semestre de realidades mistas e pressão sobre os preços

A percepção sobre o desempenho no primeiro semestre de 2025 é dividida. Para uma parcela significativa de 46,5% dos entrevistados, o período ficou “abaixo da expectativa”. Em contrapartida, 34,7% o consideraram “dentro da expectativa” e 18,8% o avaliaram como “acima da expectativa”. 

Essa divisão, por sua vez, reflete as diferentes realidades enfrentadas pelos múltiplos segmentos do setor.

No que tange às estratégias de precificação, a maioria das empresas (47,5%) optou por manter seus preços, enquanto 41,6% fizeram aumentos. A necessidade de reajuste, mesmo em um cenário de demanda contida, sinaliza a pressão de custos que continua impactando as margens de lucro.

Mercado de móveis: entre a cautela operacional e a resiliência estratégica em 2025
A percepção sobre o desempenho no primeiro semestre de 2025 é dividida. Para uma parcela
significativa de 46,5% dos entrevistados, o período ficou “abaixo da expectativa”

Os desafios no caminho do crescimento

Quando questionados sobre os fatores que limitam o crescimento em 2025, os empresários foram enfáticos. Dessa forma, a pesquisa, que coletou 79 respostas aprofundadas sobre o tema, revelou um conjunto de preocupações críticas:

  • Cenário econômico e político: a instabilidade política e econômica foi mencionada repetidamente como um entrave. Fatores como juros altos, inflação e gastos excessivos governamentais geram incerteza e impactam diretamente o poder de compra do consumidor e a confiança do investidor;
  • Mão de obra: além disso, a escassez de profissionais qualificados e comprometidos é um gargalo crítico, apontado como um dos principais desafios para a expansão da produção e a manutenção da qualidade;
  • Altas taxas de juros: a grande maioria dos empresários (76 respostas analisadas) relatou um impacto “alto” ou “significativo” das taxas de juros nos investimentos. Muitos afirmaram ter suspendido ou adiado projetos, optando por utilizar apenas recursos próprios. As altas taxas não só inibem a expansão, mas também encarecem o crédito ao consumidor final, resultando em uma “retração de compras parceladas”; 
  • Concorrência e mercado: a concorrência desleal e a guerra de preços, especialmente no ambiente on-line, foram citadas como fatores que corroem a rentabilidade.
Setor moveleiro em 2025: entre a cautela operacional e a resiliência estratégica
Quando questionados sobre os fatores que limitam o crescimento em 2025, os
empresários foram enfáticos, revelando um conjunto de preocupações críticas

Estratégias para o setor moveleiro em 2025: o foco é dentro de casa

Diante deste cenário, as prioridades estratégicas para 2025 se voltam para a otimização interna e a eficiência operacional. 

A principal estratégia para garantir a competitividade, apontada por 34,7% dos respondentes, é a “otimização de processos produtivos e redução de custos operacionais”. Em seguida, aparecem a “diversificação de canais de venda e exploração de novos nichos” (31,7%) e o “lançamento de novas linhas de produtos com maior valor agregado/design” (30,7%).

As medidas de redução de custo mais priorizadas no primeiro semestre foram a “otimização de processos” (45,5%) e o “investimento em tecnologia/automação” (19,8%). Isso demonstra uma clara tendência de buscar na tecnologia e na gestão eficiente as respostas para a falta de mão de obra e a pressão sobre as margens.

As prioridades para o ano, com base em 80 respostas detalhadas, reforçam essa visão:

  1. Otimização de processos: melhorar a produtividade para compensar a escassez de mão de obra;
  2. Saúde financeira: preservar o caixa e garantir a rentabilidade em um cenário adverso; 
  3. Inovação e diversificação: lançar novos produtos e explorar novos mercados, incluindo a exportação.
Mercado de móveis: entre a cautela operacional e a resiliência estratégica em 2025
Diante deste cenário, as prioridades estratégicas para 2025 se voltam para
a otimização interna e a eficiência operacional

Perspectivas para o futuro: cautela, seletividade e resiliência

A expectativa para a economia brasileira no segundo semestre é predominantemente de cautela: 42,6% acreditam que o cenário se manterá estável, enquanto 28,7% esperam uma melhora tímida. A preocupação com a inflação de insumos persiste, com 60,4% prevendo que os preços das matérias-primas “aumentarão um pouco”.

Uma das mudanças estratégicas mais evidentes diz respeito à participação em feiras. Para 2026, a tendência clara é de maior seletividade. 

Muitos empresários afirmaram que pretendem “reduzir a participação” ou participar apenas dos principais eventos, citando o alto custo e a dificuldade de medir o retorno sobre o investimento como fatores decisivos. Alguns já exploram alternativas, como eventos próprios e mais direcionados aos clientes. 

Em suma, a pesquisa revela um setor moveleiro que enfrenta os desafios de 2025 com uma dose maciça de pragmatismo. As empresas estão, por necessidade, voltando-se para dentro, otimizando processos, controlando custos e fortalecendo a saúde financeira. 

Contudo, não abandonam a busca por crescimento, que agora se concentra em inovação, agregação de valor e diversificação de mercados. 

Apesar das adversidades, o sentimento geral é de resiliência. Como bem resumiu um dos participantes da pesquisa: “2025 está sendo um ano de muitos desafios, a venda está ‘brigada’, mas se a indústria fizer o dever de casa ela consegue absorver uma fatia maior da pizza que é o mercado. É a hora de sair da zona de conforto e abrir o campo de visão para melhorar o resultado.” 

É com este espírito de determinação e foco estratégico que o setor moveleiro continuará a navegar pelas complexidades do mercado, construindo as bases para um futuro mais sólido e próspero.

Veja também