A produção de móveis depende de processos bem definidos, mão de obra qualificada e decisões que ajudam a evitar atrasos e desperdícios. Quando a rotina da fábrica é organizada, o trabalho flui melhor e o produto final ganha em consistência. Com a adoção de boas práticas, é possível melhorar o uso dos recursos, acelerar entregas e manter a qualidade. Neste artigo, você vai descobrir como ajustar as operações industriais para alcançar mais eficiência na produção e, ao mesmo tempo, manter o ritmo mesmo diante de novos desafios. Boa leitura!
A produção de móveis no Brasil tem dado sinais de recuperação. Em 2024, segundo dados da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), o setor cresceu 8,6% no volume produzido em relação a 2023, chegando a cerca de 439,9 milhões de peças.
Esse número, conforme a Associação, é resultado, principalmente, do aumento de 10,7% no consumo interno de móveis e colchões.
O crescimento também aparece acompanhado de investimentos para modernizar as fábricas. De janeiro a setembro de 2024, as importações de máquinas para a fabricação de móveis subiram 22%, com destaque para as máquinas-ferramentas para madeira, que cresceram 86%.
Além disso, o número de pessoas trabalhando no setor aumentou 7,5% nesse mesmo período, conforme estatísticas da Abimóvel.
Nesse cenário, feiras e eventos, como a Fimma Brasil, são importantes para mostrar novidades e processos que ajudam a melhorar a produção moveleira. Assim, as marcas conseguem acompanhar o que o mercado pede e o que as mudanças da indústria exigem.

Quais tecnologias são fundamentais para tornar a produção de móveis mais eficiente?
Melhorar o ritmo da produção depende, antes de qualquer coisa, de como a fábrica organiza seus processos.
Para Renato Bernardi, diretor de inovação da Movergs (Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul), muitas empresas começam pela tecnologia sem arrumar a base. “Muito se fala em novas tecnologias, mas poucas empresas têm o conhecimento por onde deve começar.”
O diretor de inovação reforça que o primeiro passo é adotar um ERP (Enterprise Resource Planning) adequado ao porte da empresa e garantir que informações como fichas técnicas, controle de estoque, capacidade produtiva e metas estejam claras. Só depois disso, então, é que os recursos mais avançados realmente fazem efeito.
Com essa estrutura mínima funcionando, ferramentas como manufatura aditiva e impressão 3D passam a ter impacto real no dia a dia.

O impacto das tecnologias
Essas tecnologias, por sua vez, ajudam a criar protótipos de forma rápida, reduzem o uso de matéria-prima e podem ser usadas até na produção de peças e componentes.
“A inteligência artificial é uma ferramenta fundamental e que provocará mudanças significativas”, afirma Bernardi. Porém, segundo o diretor, para alcançar esses ganhos, é preciso tratar a organização da informação como parte do processo produtivo.
A Fimma Brasil, que acontece em agosto de 2025, deve reforçar esse movimento com novidades que falam diretamente à indústria.
Entre as principais, a Praça de Inovação, um novo espaço dentro da feira, vai reunir especialistas, conteúdos práticos e soluções pensadas para quem quer aplicar tecnologia com mais clareza e menos complicação.
“Vai ser uma experiência imersiva no mundo da inovação, descomplicando esse assunto com muita informação de qualidade, incluindo palestras gratuitas com especialistas do setor”, explica o diretor.

Como a qualificação profissional pode ser um diferencial para a produtividade?
Um bom maquinário faz diferença, mas são as pessoas que mantêm a produção funcionando. De acordo com Euclides Longhi, presidente da Movergs, a qualificação precisa estar presente em todas as etapas da indústria.
“A qualificação profissional é essencial de ponta a ponta, desde a produção até os cargos de liderança”, afirma.
Para Longhi, quem está na operação precisa de conhecimento técnico e prática constante. Já os líderes devem acompanhar de perto o dia a dia da fábrica e buscar informações sobre temas como inovação, economia e sustentabilidade.

Qualificação da mão de obra e produção de móveis
Esse preparo, portanto, influencia, de forma direta, o ritmo da produção. Quanto mais alinhada estiver a equipe, menores os erros, as interrupções e os retrabalhos.
Além disso, profissionais bem treinados conseguem lidar melhor com mudanças de demanda, adoção de novos sistemas e uso de tecnologias. O resultado aparece tanto na eficiência quanto na qualidade final dos produtos.
Na Fimma Brasil 2025, um dos destaques será justamente a programação de palestras gratuitas, voltada à atualização profissional. Especialistas de diferentes áreas vão abordar os temas, permitindo que profissionais em todos os níveis encontrem novas referências.

Em que medida práticas sustentáveis e de ESG podem ser incorporadas à produção?
Para Bernardi, a adoção de práticas sustentáveis anda junto da qualificação profissional, já que isso passa por toda a operação: do desenvolvimento de produtos ao uso dos equipamentos.
“A correta utilização de matérias-primas e insumos, por exemplo, passando pela eficiência máxima dos recursos onde se priorize a disponibilidade máxima dos equipamentos, a máxima performance e a alta qualidade”, defende.
Segundo o diretor de inovação, trabalhar com sustentabilidade não é algo apartado da rotina produtiva, pois está no cuidado com os materiais, na gestão do tempo e também no preparo das equipes.

Relacionamento entre empresa e ambiente
Esse olhar mais amplo também envolve o relacionamento da empresa com o entorno. Processos mais limpos, descarte responsável e boas condições de trabalho não se limitam à área ambiental e fazem parte da lógica ESG, que tem ganhado espaço nas indústrias moveleiras.
Bernardi afirma, ainda, que empresas que já adotam esse tipo de prática colhem os efeitos tanto internamente quanto na relação com clientes e fornecedores, que estão mais atentos a esse tipo de conduta.
“Muitas soluções voltadas à sustentabilidade serão apresentadas na Fimma Brasil 2025. Além de expositores de diversos segmentos que ajudam a tornar a produção de móveis mais sustentável, a programação de palestras prevê bate-papos sobre o assunto”, complementa.

Como o Business Intelligence contribui para uma produção mais inteligente?
De acordo com o diretor de inovação da Movergs, a coleta de dados sempre fez parte da rotina industrial, mas a forma como essas informações são organizadas e interpretadas é o que muda o jogo.
Assim, para Bernardi, o BI (Business Intelligence) envolve mais do que o uso de um software. “Podemos dizer que existem duas interpretações sobre Business Intelligence e ambas devem andar juntas para que os resultados sejam realmente eficientes.”
De um lado, a ferramenta compila dados e gera relatórios; de outro, está a capacidade das pessoas de analisarem essas informações com olhar crítico e com foco em decisões que serão aplicadas na prática.

O diferencial humano
Com os painéis certos, os gestores conseguem acompanhar indicadores como tempo de ciclo, disponibilidade de máquinas, taxa de rejeição, produtividade e movimentações de estoque. Essas informações, portanto, revelam padrões e apontam gargalos que passariam despercebidos no dia a dia.
“A partir dessas informações, os gestores interpretam os panoramas e podem tomar decisões com mais embasamento”, afirma Renato Bernardi, que destaca que, quando bem aplicado, o BI ajuda a reduzir desperdícios, otimizar processos e melhorar o desempenho da operação.
Além disso, é importante destacar que o uso inteligente dos dados apoia práticas sustentáveis e decisões alinhadas a critérios ESG. O controle sobre consumo de recursos e desempenho de equipamentos, por exemplo, permite ajustes mais conscientes e eficientes.
A expectativa é que soluções de Business Intelligence ganhem ainda mais espaço na Fimma Brasil 2025, oferecendo às empresas ferramentas acessíveis para entender melhor a própria produção e agir com mais certeza.

Como os expositores da Fimma Brasil podem ajudar as indústrias a encontrar soluções?
A tomada de decisão dentro da fábrica fica mais clara quando os dados estão bem organizados, e fica ainda mais efetiva quando o gestor tem contato direto com quem desenvolve as soluções.
Para o presidente da Movergs, a proximidade entre indústria e fornecedores é um ponto importante para tirar dúvidas, explorar possibilidades e enxergar, na prática, como aplicar melhorias.
Feiras como a Fimma Brasil, por exemplo, permitem justamente isso: um ambiente onde o conhecimento técnico e as demandas do dia a dia se encontram no detalhe. Como destaca Longhi, “a feira sempre olha para a inovação, e isso inclui atender às principais demandas dos fabricantes de móveis, como indústrias, marcenarias e arquitetos que trabalham com mobiliário”.
Segundo o presidente, a feira chega com uma proposta mais ampla e preparada para atender melhor quem fabrica móveis no país.
“Neste ano, a Fimma Brasil terá o dobro do tamanho e expositores de novos segmentos, como vidros, empilhadeiras e iluminação.”

Fimma Brasil 2025: tudo sobre a produção de móveis em um só evento
O presidente destaca que tudo está conectado à rotina produtiva e que a feira foi pensada para facilitar esse acesso. Máquinas, ferragens, softwares, insumos e embalagens estarão reunidos em um mesmo espaço, o que torna mais fácil comparar soluções, entender o funcionamento dos equipamentos e escolher o que faz sentido para cada realidade.
Essa troca direta entre quem desenvolve e quem executa tem impacto prático na operação. O contato presencial com fornecedores ajuda o gestor a tirar dúvidas técnicas, testar produtos, simular aplicações e encontrar alternativas mais simples para resolver problemas antigos.
Com a volta ao formato original, a Fimma 2025 reforça esse papel de ponte entre inovação e produção. “Tudo está integrado na produção moveleira e a feira chega com a proposta de ser um evento onde os visitantes encontram tudo o que precisam para melhorar a eficiência das suas empresas”, finaliza.
