Congresso Moveleiro 2025: da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor

Congresso Moveleiro 2025: da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor

Depois dos desafios enfrentados em 2024, o setor moveleiro dá um passo à frente com uma agenda voltada para crescimento e novas oportunidades. O Congresso Moveleiro 2025 marca esse momento de virada, reunindo empresas, entidades e especialistas em torno de temas como colaboração, inovação e geração de negócios. Diante desse cenário, o evento é considerado parte fundamental da estratégia de fortalecimento da indústria. Neste artigo, por sua vez, você confere como a Abimóvel tem liderado esse movimento e o que esperar da próxima edição do Congresso. Boa leitura!

De ponto de inflexão a ponto de encontro: a nova ambição do setor moveleiro brasileiro

O ano de 2024 representou um profundo ponto de inflexão para a indústria moveleira brasileira. Marcado pela necessidade de uma resposta rápida e unificada às catástrofes, notadamente as enchentes no Rio Grande do Sul, o setor foi forçado a olhar para dentro e redescobrir sua força coletiva. 

A edição daquele ano do Congresso Nacional Moveleiro, focada na “reconstrução”, se tornou o epicentro desse movimento. Como articulado por Irineu Munhoz, presidente da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), a lição aprendida foi profunda: “reconstruir não é só erguer estruturas, mas também recuperar a confiança, os vínculos e o espírito colaborativo do setor”. 

Essa crise, embora devastadora, forjou uma união sem precedentes entre indústrias, entidades e a sociedade civil, revelando um ativo estratégico de valor inestimável: a capacidade de colaboração em escala nacional.

Agora, com o olhar voltado para 2025, a Abimóvel executa um pivô estratégico notável. A entidade busca capitalizar a coesão forjada na adversidade e canalizá-la para uma agenda proativa de crescimento e conquista de mercados. 

A transição é encapsulada de forma eloquente no tema do próximo Congresso Nacional Moveleiro, “Conectando empresas e gerando negócios”. Nas palavras de Munhoz, a lógica é evolutiva e clara. “Depois de falar em reconstrução. Agora é hora de conexão. Geração de negócios e fortalecimento das redes de colaboração.”

Essa mudança de lema não é meramente semântica, já que ela sinaliza uma transformação fundamental no papel da Abimóvel e na ambição de todo o setor. A entidade está se movendo de uma posição de gerenciamento de crises para uma de arquitetura de mercado. 

A confiança e a colaboração, antes ferramentas de sobrevivência, são agora vistas como a fundação para uma nova era de competitividade. 

O Congresso de 2025 está sendo meticulosamente desenhado não apenas como um evento, mas como a principal plataforma para institucionalizar essa colaboração e direcioná-la para objetivos econômicos tangíveis. 

É a transformação da estrutura temporária da resposta à crise em uma infraestrutura permanente para o avanço da indústria, consolidando a Abimóvel como o hub central de um ecossistema moveleiro mais forte, inovador e conectado com o futuro.

Como articulado por Irineu Munhoz, presidente da Abimóvel, “reconstruir não é só erguer estruturas, mas também recuperar a confiança, os vínculos e o espírito colaborativo do setor”

O Congresso Nacional Moveleiro 2025: a arena estratégica para “conectar e gerar”

O 12º Congresso Nacional Moveleiro, agendado para os dias 1º e 2 de outubro de 2025, no Campus da Indústria do Sistema Fiep em Curitiba, no Paraná, está posicionado para ser o instrumento central da nova visão estratégica da Abimóvel. 

A escolha da cidade não é acidental, pois Curitiba oferece uma localização estratégica, com fácil acesso aéreo e terrestre e uma infraestrutura robusta de hotelaria e serviços, garantindo um ambiente propício para negócios e networking de alto nível. 

Mais do que um encontro anual, o evento está sendo estruturado como uma arena onde a teoria se encontra com a prática e a inspiração se converte em ação comercial.   

A arquitetura do Congresso reflete uma dualidade estratégica. Por um lado, busca-se a inspiração e a provocação intelectual por meio de um painel de palestrantes de altíssimo calibre. 

Nomes como Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza, João Appolinário, fundador da Polishop, e Caito Maia, criador da Chilli Beans, foram deliberadamente selecionados. 

A presença desses titãs do varejo, do branding e da inovação de consumo não é para ensinar os moveleiros a fabricar móveis, mas para injetar uma dose crucial de pensamento centrado no mercado. 

Em um momento em que o setor enfrenta “novos hábitos de consumo” e “novas tecnologias“, a Abimóvel compreende que as respostas não virão apenas de discussões internas. Ao trazer essas vozes externas, a entidade força o setor a olhar para além de suas próprias preocupações operacionais e a focar em quem são seus clientes, como eles compram e como vivem. 

É uma intervenção estratégica para mudar o eixo da indústria de “o que fabricamos” para “para quem servimos e como”, alinhando-se diretamente ao objetivo de “gerar negócios”.   

Por outro lado, o Congresso é firmemente ancorado na geração de resultados concretos. A agenda complementar é um testemunho disso, com atividades como as Rodadas de Negócios Nacionais e Internacionais, esta última realizada sob a égide do projeto Brazilian Furniture em parceria com a Apex-Brasil. 

Há, também, painéis técnicos aprofundados sobre temas críticos como estratégia competitiva e o panorama do comércio internacional, além de reuniões setoriais estratégicas, como o encontro dos sindicatos das indústrias de móveis do Brasil. 

Essa estrutura dual garante que cada participante, seja um CEO de uma grande corporação ou o dono de uma pequena marcenaria, saia do evento com uma combinação de visão de longo prazo e ferramentas aplicáveis para o dia seguinte. 

A meta, conforme destacado por Munhoz, é que “o participante leve consigo insights que se transformem em ação, seja na indústria, no design ou nas exportações”.   

A tabela a seguir resume a arquitetura de oportunidades do evento, conectando cada atividade principal ao seu objetivo estratégico dentro da visão da Abimóvel:

AtividadeDestaquesObjetivo estratégico
Palestras magnasLíderes de mercado como Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza) e João Appolinário (Polishop)Inspirar com visões de mercado externas e conectar o setor moveleiro a tendências de varejo, branding e inovação
Rodadas de negóciosExpansão para incluir mais países e setores e matchmaking nacional e internacional com apoio da Apex-BrasilGerar oportunidades comerciais concretas e mensuráveis, além de acelerar a internacionalização e fortalecer a cadeia interna
Prêmio Design da Movelaria NacionalExposição própria dos finalistas e vencedores anunciados e projetados para o Salão do Móvel de MilãoValorizar e projetar a identidade do “design brasileiro”, criar valor de marca e abrir mercados de alto valor agregado
Casa ConceitoNovos conteúdos e experiências imersivas para um público profissional e brunch de lançamentoMaterializar tendências em sustentabilidade, tecnologia e inovação e servir como um laboratório de futuro para o “morar”
Trilhas e painéis técnicosTrilhas segmentadas e painéis sobre tributação, comércio internacional e estratégia competitivaCapacitar com conhecimento aplicável e transformar insights em ação e resultados concretos para a gestão das empresas
Da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor
Essa estrutura dual garante que cada participante, seja um CEO de uma grande corporação ou
o dono de uma pequena marcenaria, saia do evento com uma combinação de visão de longo prazo

Pilares estratégicos em foco: as grandes iniciativas ampliadas para 2025

Para materializar a ambiciosa visão de “conectar e gerar”, a Abimóvel está ampliando e aprofundando três iniciativas que se provaram bem-sucedidas em 2024. 

O Prêmio Design da Movelaria Nacional, as Rodadas de Negócios e a Casa Conceito não são projetos isolados, mas pilares interconectados de uma estratégia coesa para elevar a competitividade, o valor agregado e o reconhecimento internacional da indústria moveleira brasileira.

Prêmio Design da Movelaria Nacional: a construção de uma marca-país

O Prêmio Design da Movelaria Nacional, lançado em 2024, transcende a natureza de uma simples premiação. Ele é, em sua essência, uma ferramenta de política industrial e de construção de marca em longo prazo. 

A iniciativa foi criada com o objetivo explícito de “revelar e valorizar talentos brasileiros”, colocando em destaque a “criatividade, a inovação e a identidade própria” que definem o design nacional. 

Para 2025, o prêmio ganhará ainda mais proeminência, com uma exposição própria dedicada aos trabalhos finalistas durante o Congresso, culminando na revelação dos vencedores.   

O verdadeiro alcance estratégico do prêmio, no entanto, reside na sua projeção internacional. Os vencedores ganham uma vitrine no “maior palco global do design”, o Salão do Móvel de Milão

Esta não é apenas uma recompensa, mas o mecanismo central de uma estratégia sofisticada para construir uma “marca-país” para o design brasileiro. A lógica por trás dessa iniciativa é fundamentalmente econômica. 

Em um mercado globalizado, competir apenas com base no preço é uma estratégia de margens decrescentes. A Abimóvel reconhece que o caminho para a lucratividade sustentável passa pela diferenciação e pela agregação de valor. 

Como observa o próprio Munhoz, empresas que investem em qualidade e certificação “conseguem auferir melhores valores aos seus móveis”. O design é a próxima fronteira dessa agregação de valor.   

Ao fomentar e promover uma identidade de “design brasileiro”, assim como o mundo reconhece o design italiano ou o design escandinavo, a Abimóvel busca criar vantagens competitivas não baseadas em preço. 

Uma identidade de design forte comanda um prêmio no mercado, gera lealdade à marca e abre portas para os segmentos mais lucrativos do comércio global. O processo é sistêmico: o Prêmio identifica o talento, o Congresso Nacional Moveleiro oferece a plataforma nacional e o Salão de Milão serve como o trampolim para o reconhecimento internacional. 

Trata-se de uma estratégia de longo prazo para manufaturar uma percepção de mercado que, no futuro, se traduzirá em maiores receitas de exportação e maior equidade de marca para todo o setor moveleiro.

Congresso Moveleiro 2025: da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor
O prêmio foi criado com o objetivo explícito de “revelar e valorizar talentos brasileiros”, colocando em destaque a “criatividade, a inovação e a identidade própria” que definem o design nacional

Rodadas de Negócios: acelerando a geração de valor concreto

Se o Prêmio Design constrói o valor intangível da marca, as Rodadas de Negócios são a casa de máquinas que converte potencial em performance comercial. 

É nesta arena que o tema do congresso, “Conectando empresas e gerando negócios”, se manifesta da forma mais direta e mensurável. A edição de 2024 já forneceu uma prova de conceito contundente, tendo gerado “quase vinte e cinco milhões de dólares em oportunidades concretas” por meio das rodadas com compradores internacionais.  

Este número é mais do que uma métrica de sucesso, é uma ferramenta política e estratégica. Para 2025, o plano é capitalizar esse sucesso e ampliar a iniciativa, incluindo “mais países e setores” nas rodadas, que ocorrerão tanto no âmbito nacional quanto internacional. 

A Abimóvel utiliza o resultado de 25 milhões de dólares como um argumento poderoso para aprofundar suas parcerias estratégicas, especialmente com a Apex-Brasil, que apoia a internacionalização por meio do projeto Brazilian Furniture. 

Um retorno sobre o investimento tão claro e quantificável justifica o aumento dos recursos e do engajamento por parte de parceiros governamentais.   

Internamente, esse resultado serve como um poderoso instrumento de mobilização. Para as pequenas e médias empresas, que precisam justificar cada real investido em participação de eventos, um número tão expressivo transforma o Congresso de uma oportunidade de networking “interessante” para uma plataforma de geração de negócios “imperdível”. 

Isso cria um ciclo virtuoso: o sucesso atrai mais participantes, a maior participação atrai mais compradores internacionais e nacionais, o que, por sua vez, leva a resultados comerciais ainda maiores. Ao demonstrar um ROI tangível, a Abimóvel solidifica o Congresso como o principal evento de negócios do setor e garante o engajamento necessário para impulsionar sua agenda estratégica.

Da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor
Se o Prêmio Design constrói o valor intangível da marca, as Rodadas de Negócios são a
casa de máquinas que converte potencial em performance comercial

Casa Conceito: o laboratório do futuro do morar

A Casa Conceito completa a tríade de iniciativas estratégicas, funcionando como uma ponte vital entre as discussões abstratas sobre o futuro e as soluções de produtos tangíveis. Longe de ser um mero showroom, a Casa Conceito é um laboratório de inovação aplicada. 

Em 2024, o espaço já “encantou pela inovação e compromisso com o futuro sustentável do setor”. Para 2025, a promessa é de uma experiência ainda mais rica, com “novos conteúdos e experiências imersivas para um público profissional”, incluindo um brunch de lançamento para marcar sua importância.

A função estratégica da Casa Conceito é a de um ambiente de descompressão de risco para a inovação. A indústria moveleira, por meio da Abimóvel, está engajada em discussões de P&D de alto nível, como a formação de um “grupo de notáveis” para explorar temas complexos como “logística reversa” e o desenvolvimento de “uma nova matéria prima”. 

Essas são empreitadas de longo prazo e alto risco. A questão para qualquer fabricante é: como traduzir esses conceitos ambiciosos em produtos comercializáveis sem incorrer em custos de desenvolvimento proibitivos e no risco de rejeição pelo mercado?   

A Casa Conceito oferece a resposta. Ela funciona como um estágio intermediário, um ambiente controlado onde protótipos e novas ideias podem ser testados, validados e exibidos. 

Ao apresentar essas inovações em um contexto experiencial para um “público profissional” qualificado, composto por arquitetos, designers, lojistas e influenciadores, a indústria pode coletar feedback valioso antes de se comprometer com a produção em massa. 

Isso acelera o ciclo de inovação, reduz o risco de investimento e garante que os esforços de P&D estejam alinhados com as demandas e desejos reais do mercado. Em suma, a Casa Conceito materializa o futuro, tornando-o visível, testável e, em última análise, vendável.

Congresso Moveleiro 2025: da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor
A Casa Conceito completa a tríade de iniciativas estratégicas, funcionando como uma ponte vital
entre as discussões abstratas sobre o futuro e as soluções de produtos tangíveis

Enfrentando os desafios estruturais: a agenda proativa da Abimóvel

Uma indústria forte não se constrói apenas sobre oportunidades, mas também sobre a capacidade de enfrentar seus desafios estruturais de frente. A Abimóvel demonstra uma compreensão madura dessa realidade, articulando uma agenda proativa para lidar com os gargalos históricos do setor moveleiro brasileiro. 

As questões de competitividade, sustentabilidade, qualificação de mão de obra e inclusão produtiva não são vistas como fraquezas, mas como arenas para intervenção estratégica e liderança.

A batalha pela competitividade: da defesa regulatória ao ataque por normatização

A competitividade da indústria moveleira está intrinsecamente ligada à sua capacidade de atender e, idealmente, moldar os padrões técnicos e de qualidade. 

A Abimóvel está liderando uma sofisticada mudança de postura nesta área, passando de uma atitude reativa para uma estratégia ofensiva. A percepção de Irineu Munhoz é aguda e reveladora: “se nós não agirmos nisso, pode entrar um ser estranho ao setor e vir impor normas que sejam perigosas para a competição”. 

Esta declaração reflete a compreensão de que, no comércio global, as normas técnicas são frequentemente utilizadas como barreiras não tarifárias, e quem define as regras do jogo detém uma vantagem significativa.   

A abordagem reativa seria esperar que novos regulamentos surjam em mercados-chave, como a União Europeia ou os Estados Unidos, para então correr para se adaptar. A abordagem proativa da Abimóvel, no entanto, é desenvolver e promover padrões brasileiros robustos e reconhecidos internacionalmente. 

O objetivo é tornar “mais visível, as normas técnicas, as normas que deixam nossos produtos com mais qualidade”. A evidência empírica já suporta essa estratégia: “empresas que têm selo de qualidade… conseguem atender mercados mais exigentes e conseguem, com isso, auferir melhores valores”.

Ao liderar esse esforço de normatização, a Abimóvel busca um duplo benefício. Primeiro, eleva a linha de base de qualidade de toda a indústria nacional, tornando as empresas brasileiras “prontas para o mercado” por padrão. 

Segundo, e mais estrategicamente, posiciona o Brasil como um participante ativo nas discussões globais sobre padrões, permitindo que o país influencie as regras em vez de apenas segui-las. 

É uma jogada de mestre para garantir o acesso ao mercado e aumentar o valor percebido do móvel brasileiro no cenário mundial.

Da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor
Para 2025, a promessa da Casa Conceito é de uma experiência
ainda mais rica, com “novos conteúdos e experiências imersivas para um público profissional”

Sustentabilidade e economia circular: liderando a agenda verde

Em um mundo cada vez mais consciente do impacto ambiental, a sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar uma exigência. 

A Abimóvel está abordando essa questão não como um fardo de conformidade, mas como uma fronteira para a inovação e uma fonte potencial de vantagem competitiva. A entidade está se movendo para além do básico, como o uso de madeira certificada, para atacar problemas sistêmicos. 

A criação de um “grupo de notáveis”, composto por especialistas técnicos de diversas áreas, para pesquisar temas como “logística reversa” e a “melhor forma de utilizar o resíduo industrial” é um indicativo dessa abordagem avançada.   

O objetivo final é ambicioso e transformador: “trazer uma nova metodologia. De repente, até uma nova matéria prima. Mais adiante, um novo material para trabalhar com móveis”. 

Essa visão demonstra que a meta não é apenas ser “menos prejudicial” ao meio ambiente, mas ser “positivamente bom”, desenvolvendo materiais e modelos de negócios genuinamente circulares. O sucesso nessa empreitada poderia resultar em propriedade intelectual valiosa e em uma posição de mercado única para a indústria brasileira. 

Em vez de vender apenas um móvel, as empresas brasileiras poderiam vender um móvel feito de um material inovador e sustentável, com uma história poderosa e um apelo que transcende o preço, criando um nicho de mercado defensável e de alto valor.

O “apagão de mão de obra”: re-engenharia do talento

O crescimento de qualquer indústria é, em última análise, limitado pela disponibilidade de talento qualificado. O setor moveleiro brasileiro enfrenta o que Munhoz descreve sem rodeios como “quase que um apagão de mão de obra“, uma preocupação compartilhada por empresários de norte a sul do país. 

A resposta tradicional a essa escassez, oferecer mais cursos de capacitação em parceria com entidades como o Senai e o Sebrae, encontrou um obstáculo inesperado. A admissão de Munhoz de que “às vezes você oferece um curso até de graça, e o pessoal não faz” é crucial, pois revela que o problema é mais profundo do que uma simples falta de oferta de treinamento.

Essa baixa demanda por capacitação sugere uma crise de percepção e de atratividade. O desafio para a Abimóvel e seus parceiros não é apenas projetar currículos, mas re-engenhar todo o ecossistema de talentos. 

Isso implica em uma estratégia multifacetada que deve incluir: primeiro, um esforço de marketing e branding para o próprio setor, posicionando-o como uma carreira viável e atraente para as novas gerações; segundo, o desenvolvimento de planos de carreira claros e oportunidades de progressão para reter os talentos existentes; e terceiro, uma inovação na própria pedagogia e no formato dos cursos, tornando-os mais alinhados às necessidades e estilos de aprendizagem da força de trabalho moderna. 

A solução não é apenas treinar mais, mas treinar melhor, e, fundamentalmente, fazer com que as pessoas queiram ser treinadas e construir uma carreira na indústria moveleira.

Congresso Moveleiro 2025: da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor
Em vez de vender apenas um móvel, as empresas brasileiras poderiam vender um móvel feito de um material inovador e sustentável, com uma história poderosa e um apelo que transcende o preço

Inclusão e diversidade produtiva: fortalecendo a base do ecossistema

Uma indústria nacional verdadeiramente forte não pode ser sustentada apenas por seus maiores players. A resiliência e a capacidade de inovação de todo o ecossistema dependem da saúde e da integração de sua base de pequenas e médias empresas, as PMEs. 

A Abimóvel identificou a necessidade de “ampliar a presença de pequenas empresas e integrar regiões ainda pouco conectadas” como um dos grandes desafios a serem superados.   

Este esforço de inclusão não é um ato de filantropia, mas uma necessidade estratégica. As PMEs fornecem agilidade, especialização, capilaridade regional e formam a espinha dorsal da cadeia de suprimentos. 

Uma indústria com uma base fragmentada e desconectada é vulnerável a choques e lenta para inovar. A estratégia da Abimóvel para enfrentar isso envolve uma colaboração estreita com “sindicatos” e parceiros como “Sebrae Senai Apecs” para “facilitar esse acesso, oferecer condições e visibilidade a essas indústrias”.

Ao trabalhar ativamente para integrar esses atores, a Abimóvel está construindo uma rede industrial mais distribuída, diversificada e, portanto, mais resiliente. 

Promover a “diversidade e o potencial de todo o setor moveleiro brasileiro de norte a sul” cria um ecossistema mais saudável, onde ideias, recursos e oportunidades de negócios podem fluir mais livremente, beneficiando tanto as grandes quanto as pequenas empresas e fortalecendo a competitividade do conjunto.

Da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor
A Abimóvel identificou a necessidade de “ampliar a presença de pequenas empresas e integrar regiões ainda pouco conectadas” como um dos grandes desafios a serem superados

Conclusão: construindo uma concorrência qualificada para um futuro global

A análise da estratégia da Abimóvel para 2025 revela uma liderança com visão de longo prazo, que está orquestrando uma profunda transformação no setor moveleiro brasileiro. O Congresso Nacional Moveleiro emerge não como um evento isolado, mas como o catalisador e o ponto de convergência de uma estratégia multifacetada e coesa. 

Desde a reconstrução da confiança após a crise de 2024 até a proativa agenda de conexão e geração de negócios para 2025, cada iniciativa, seja o Prêmio Design, as Rodadas de Negócios, a Casa Conceito ou os esforços para enfrentar desafios estruturais, está interligada e serve a um propósito maior.

O objetivo final, articulado com notável clareza por Irineu Munhoz, é a criação de um novo paradigma competitivo. A visão transcende a competição interna predatória e propõe um modelo de desenvolvimento coletivo. 

“Eu acredito que para a indústria ir bem, ela não precisa matar o seu concorrente. Mas se nós tivermos uma concorrência mais qualificada, nós também estaremos mais qualificados e tudo melhorará para todos.”

Esta é a essência da estratégia da Abimóvel: elevar todo o campo de jogo. O foco está mudando de uma competição de soma zero pelo mercado doméstico para um esforço colaborativo de soma positiva para aumentar a participação do “Móvel Brasileiro” no mercado global. 

O Congresso de 2025, a ser realizado em Curitiba, é o palco onde essa “concorrência qualificada” será forjada, equipando todo o setor para competir não uns contra os outros, mas juntos, no cenário mundial. 

É um convite aberto a todos os que acreditam no potencial da indústria e querem fazer parte da construção de um setor mais forte, inovador e conectado com o futuro.

Congresso Moveleiro 2025: da reconstrução à conquista de mercados, Abimóvel lidera a nova era estratégica do setor
O Congresso Nacional Moveleiro emerge não como um evento isolado, mas como o catalisador e o ponto de convergência de uma estratégia multifacetada e coesa

Serviço

12º Congresso Nacional Moveleiro

Data: 1º e 2 de outubro de 2025

Local: Campus da Indústria – Sistema Fiep, Marginal Comendador Franco | Avenida, 1.341 – Jardim Botânico, Curitiba/PR

Participação: gratuita

Inscrições: https://bit.ly/3IN6WQg 

Mais informações: congressomoveleiro.com.br

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